A primeira coisa que deve ficar bem assente é que este jogo é uma celebração do legado construído pelos diversos universos Batman, isso significa que vamos encontrar uma mistura de várias eras do cavaleiro das trevas presentes numa única aventura. A narrativa é original mas sempre próxima dos materiais clássicos que inspiraram as várias eras e isso é especialmente incorporado na apresentação do jogo.
Após pegar no comando e começar a jogar alguns reflexos entraram de imediato em acção, não fosse o visual LEGO diria que estava a jogar um dos jogos da série Arkham. Toda a jogabilidade parece ter sido baseada nestes títulos, pois quase tudo está presente mesmo que de forma simplificada e isso não é mau, muito pelo contrário.
LEGO Batman Legacy of the Dark Knight é um jogo de mundo aberto e no que diz respeito a jogos Lego este é provavelmente o jogo com o visual mais evoluído. Os cenários apresentam mais detalhe, melhores efeitos de iluminação e animações bastante fluidas. A iluminação noturna de Gotham é particularmente impressionante, criando uma atmosfera que respeita a essência do universo Batman sem perder o charme descontraído característico de LEGO. A destruição dos cenários continua a desempenhar um papel central, permitindo desmontar objetos para construir novos itens, pontes ou dispositivos necessários para resolver puzzles. Falando em puzzles, o Riddler está de volta neste jogo também e tal como nos jogos da série Arkham, preparem-se para passar largos minutos (estou a ser simpático) de volta destes desafios.
O combate tal como já indiquei vai beber muito ao que a série Arkham criou mas de forma mais simplificada e menos punitiva. Ou seja preparem-se para reagir com esquivas e bloqueios por entre a pancada que vão distribuir por entre os diversos inimigos. Tal como seria de esperar quão maior for o vosso combo durante estes segmentos também serão capazes de desferir golpes mais rápido. No entanto não é apenas Batman que é uma personagem jogável, vão partilhar o palco com muitas outras personagens mas todas elas se comportam da mesma forma, a diferença são mesmo as engehocas especiais que na sua maioria servem para ultrapassar diversos puzzles, ainda que tenham os seus efeitos em combate.
Um contador que vai subir bastante durante a vossa experiência é o número de “Legos” que vão colecionar e que vão posteriormente poder gastar em skins, quer seja personagem ou veículos. A início confesso que estava um pouco preocupado, sou o tipo de jogador que destroi o cenário inteiro só para ver se me faltou algum tesouro, e acabei por colecionar quase meio milhão destas peças que acabei por gastar quando desbloqueei a Batcaverna, zona que serve de hub operacional.
Durante os níveis existem diversos objetivos de bónus que vão dar-vos extras, por exemplo novas cores para skins que tenham comprado entre outras coisas. Se falharem algum destes segredos, normalmente poderão repetir o nível mais tarde em busca deles. Já nas secções de mundo aberto vão ter imensas atividades secundárias para concluir. Estas vão sendo desbloqueadas conforme avançam na narrativa e são variadas e por vezes absurdas mas divertidas.
A campanha principal apresenta um ritmo sólido, alternando entre momentos de ação, exploração e algumas sequências de perseguição com o Batmobile. Estas secções ajudam a quebrar a repetição típica dos jogos LEGO, oferecendo variedade suficiente para manter o interesse durante várias horas. O controlo dos veículos é um pouco estranho mas não é punitivo, ou seja vão poder destruir a cidade antes de conseguirem fazer um arranhão no carro e é batsante encorajado o uso de veículos, especialmente na zona de mundo aberto, e sim, se quiserem podem chamar o vosso carro no meio de uma sala de estar, a escolha é vossa.
O humor continua presente em praticamente todas as cenas. Mesmo abordando algumas das histórias mais conhecidas de Batman, o jogo nunca perde a sua identidade descontraída. Situações tradicionalmente dramáticas são transformadas em momentos cómicos através da criatividade típica dos jogos LEGO, conseguindo agradar simultaneamente a crianças e adultos. As expressões exageradas e os pequenos detalhes visuais mantêm-se tradicionais aos jogos LEGO.
Infelizmente não consegui experimentar o modo cooperativo, mas saibam que está disponível de forma local.
A banda sonora acompanha bem toda a aventura, alternando entre temas originais e melodias inspiradas nas diferentes interpretações do universo Batman. Os efeitos sonoros mantêm o habitual humor da LEGO, desde o som das peças a desmontarem-se e montarem-se até às animações exageradas dos personagens. As vozes também contribuiem para reforçar o tom descontraído da narrativa, a performance das várias personagens varia bastante e poderia ter sido um pouco mais cuidada. Claramente existiu aqui uma dificuldade entre os tons sombrios da narrativa e os toques humurísticos da LEGO neste departamento.
Tal como todos os jogos Lego aquilo que corre menos bem é mesmo a facildiade com que se entra num loop repetitivo, a falta de profundidade do combate é provavelmente o factor mais determinante para que se instale a monotonia. Nenhum inimigo é especialmente desafiador e a própria IA dos inimigos fica aquém daquilo que seria de esperar. Esta trata-se de uma decisão clara tendo em conta o público alvo, mas traz consigo os seus problemas.
Alguns pontos do jogo estão sub desenvolvidos e como celebração de um legado já seria de esperar que certos personagens ou situações tivessem um menor tempo de antena do que aquilo que gostariamos, ainda assim estou satisfeito com o resultado final. Este é um jogo descontraído que entretém e faz aquilo que a LEGO sabe fazer de melhor quando aliada a um IP tão forte como o de Batman, entreter o jogador e atraí-lo para um momento divertido junto dos personagens que mais gosta.
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