O primeiro impacto que tive com Onimusha: Way of the Sword foi um ultimato à sanidade da expectativa, estava à espera de encontrar um jogo de acção sério, repleto de combates que nos levam à ponta do assento. Ora nem 10 minutos depois de começar, estou a rir que nem um perdido dado o absurdo narrativo a que sou exposto. Não quero que levem isto como algo negativo, na verdade é uma das maiores surpresas de Onimusha: Way of the Sword, a escrita do elenco dos personagens é soberba e dá um tom único a uma narrativa que de outra forma seria apenas mais uma como tantas outras que servem apenas para nos levar de ponto A a B. Tendo em conta a minha experiência anterior com Onimusha Warlords, este é um grande upgrade em todos os aspectos, no fundo Way of the Sword é uma aprimoração do género de acção e não se deixa distrair.
A narrativa leva-nos a explorar a história de Musashi um homem que vive pela espada, pela adrenalina de cada duelo e é exatamente isso que dá influência ao combate do jogo. Em muito pouco tempo o combate passa de algo simples a um teste constante de leitura de movimentos e adaptação. No modo normal somos obrigados a ler todos os movimentos dos inimigos para poder responder de forma adequada pois é necessário bloquear, desviar, agarrar ou mesmo quebrar a defesa do adversário através de técnicas especificas e tudo isto num frenesim de movimentos. O combate exige paciência e não perdoa. No entanto podem a qualquer momento trocar de dificuldades e isso significa que podem colocar o jogo no modo mais fácil que apesar de não fazer dos inimigos barras de manteiga numa tarde de Agosto, coloca os botões que devem ser utilizados para “ripostar” aos movimentos dos adversários no ecrã, sendo as aspas uma parte integral, pois diz o que fazer mas não dá o sinal de quando. É uma forma bastante útil para diminuir a frustração e não deixar o jogo totalmente monótono.
A acção está no centro da jogabilidade, e este é um daqueles jogos em que quase todos os inimigos vos conseguem matar se estiverem distraídos. Conforme progridem na narrativa vão aparecendo novos tipos de inimigos e também vão desbloquear novas habilidades pelo que a complexidade dos combates irá sempre aumentar. Existem algumas habilidades que requerem não só a leitura dos movimentos inimigos mas também a vossa memória pois algumas técnicas requerem não só a defesa mas também que pressionem o botão de ataque na altura correta para que possam concluir com sucesso o movimento. É complexo mas não é injusto e acho isso incrivel, pois para os jogadores que gostam de acção este é um dos jogos mais recompensadores dos últimos tempos. Para auxiliar esta subida de complexidade vão poder melhorar habilidades e o vosso equipamento através de vários itens que podem encontrar espalhados pelo mapa ou como recompensas por completar missões ou derrotar certos inimigos.
Uma das coisas que faz parte da essência de Onimusha são as Gauntlets, uma espécie de armadura assombrada pelo espírito de um Oni que se funde com o braço e consegue captar almas/essências e é também a peça fundamental que vos permite utilizar habildiades sobrenaturais. Na prática o que isto significa é que durante as lutas várias essências vão aparecer com diferentes cores e terão que utilizar um botão dedicado para as absorverem. O que torna o sistema realmente interessante é que alguns inimigos também as podem absorver ficando ainda mais poderosos, por isso torna-se necessário gerir a absorção destas durante o combate. Como já referi, dependendo da cor, estas podem curar, recuperar o vosso espírito para poderem utilizar uma técnica especial, um modo em que ficamos práticamente invenciveis por algum tempo e permite recuperar o fôlego em momentos mais intensos ou ainda as que podem ser utilizadas como moeda de troca ou evoluir algumas habilidades.
O maior problema que encontrei no combate é mesmo a câmara quando o jogo nos prende em arenas pequenas, quanto mais próximo estamos das bermas maior a probabilidade de a câmara ficar presa e sem ver os movimentos inimigos com uma boa fluídez, o resultado é morte, e não é a dos adversários. Isto não é muito problemático mas quando acontece pode facilmente arruinar todo o esforço de forma injusta. Felizmente existem vários pontes de gravação/teleporte espalhados pelos diferentes mapas e quando estão em confrontos com Boss poderão recomeçar o encontro automáticamente, reforçar o vosso equipamento e tentar novamente ou descer a dificuldade.
No fundo os combates são bastante intensos e existem imensas formas como estes são explorados, pois o ambiente em que os combates ocorrem é também bastante importante. De uma forma geral existem dois tipos de ambiente em Onimusha: Way of the Sword, um mapa de Kyoto que se expande ao longo do tempo e é utilziado como um HUB, e vários mapas mais contidos que servem de fundo a missões lineares. Em Kyoto vão poder encontrar o vosso centro de operações com diversas personagens para interagir e uma população desolada que vos pedirá ajuda num formato quase “side quest”, à medida que a história se desenrola a área explorável será também aumentada. Muitos destes pedidos darão origem a recompensas que serão bastante úteis para ficarem mais fortes. É também através deste mapa que poderão aceder a uma área especifica para melhorarem as vossas técnicas e poderem treinar com diversas recompensas, diria que o mais recompensador e interessante é mesmo o poderem voltar a enfrentar os Boss que já derrotaram na aventura e poder receber recompensas por tais façanhas.
Vão também poder perceber que muitas áreas em Kyoto e não só, estão repletas de uma névoa vermelha chamada Malice, entrar nestas zonas drena-nos a vida mas se descobrirem a fonte, podem destruí-la e eventualmente desbloquear mais um pouco da cidade. Estes momentos acontecem de forma um pouco obrigatória e no fundo essa é uma das magias de Onimusha: Way of the Sword, esta habilidade de colocar conteúdo secundário espalhado na quantidade suficiente para que o jogador queira fazer um pouco de tudo. Kyoto ainda consegue ser uma zona bastante ampla e um dos sistemas que mais gostei foi a adesão de um pequeno “pirilampo” que nos leva ao nosso destino ponto a ponto, evitando assim becos sem saída, ainda que recomenda que explorem todos os pontos e casas, já que existem muitos colecionáveis escondidos.
A versão analisada foi a da Nintendo Switch 2 e existem alguns reparos que tenho que fazer. O jogo tem dois modos, um bloqueado a 30fps e outro em que estes oscilam dependendo do momento, com áreas mais fechadas a conseguirem performances superiores. De um modo geral e tendo em conta o foco do jogo, os dois modos são bastante eficazes, não prejudicando o combate. Onde o jogo mostra que existiram alguns cortes é mesmo na qualidade dos ambientes que fica um pouco aquém do esperado. Algo que já aconteceu também com a versão Nintendo Switch 2 de Resident Evil Requiem por exemplo. Do meu ponto de vista esta versão é muito boa e mesmo em modo portátil joga-se muito bem.
Em termos de som podem contar com um design de som exímio nos combates, sendo uma parte práticamente essêncial para serem bem sucedidos. As vozes estão também adequadas aos personagens, existiu uma boa direção de dobragem, e referindo-me aqui à versão inglesa, é notório o esforço colocado nesta. O que não está a 100% é a coordenação da dobragem com os movimentos de boca e por vezes parece que estamos a ver uma série live action dobrada.
Em suma, Onimusha: Way of the Sword é um jogo que se foca na acção, entregando pura adrenalina e boa disposição com a sua narrativa repleta de personagens vincados e carismáticos. É uma recomendação fácil para qualquer amante de acção dada a sua abertura e a certeza de algumas dezenas de horas bem passadas.
- Review – Onimusha: Way of The Sword - Setembro 1, 2026
- Review – Star Fox - Agosto 19, 2026
- Review – LEGO Batman Legacy of the Dark Knight - Julho 27, 2026








