Review – Star Fox

Quase que de um momento para o outro um novo jogo Star Fox foi anunciado e lançado, mas o quão novo é este Star Fox exatamente? Afinal de contas parece que temos a mesma história, mesmos níveis, mesmas personagens, por esta altura já podíamos fazer um multiverso de Star Fox dada a quantidade de versões parecidas mas diferentes existentes do mesmo jogo ao longo destes mais de 20 anos, considerando que esta versão é um remake de Star Fox 64. Há quem diga que o jogo teve uma sequela ainda nos tempos da SNES (que só viu oficialmente a luz do dia em 2017) e pelo meio da aventura ainda teve direito a um jogo que nem é bem Star Fox com a sua estreia na Game Cube. Existem certamente muitas versões mas esta que nos chega agora para a Nintendo Switch 2 é muito provavelmente a melhor forma de jogar este clássico. Este é aquele momento que me apercebo que na realidade deveria ter escrito há quase 30 anos mas ainda não me parece correto, só para não me sentir velho a valer e parecendo que não já se passou cerca de uma década desde Star Fox Zero.

A aventura começa com uma pequena prequela em formato cinemático que permite dar algum contexto extra a Star Fox, é uma pequena adição que é bem vinda e que acaba por ser referida em formato de diálogo durante certos momentos do jogo. Toda a história acaba por ser contada utilizando momentos cinemáticos entre as missões o que permite ver estes personagens a ganharem um maior contexto e desenvolvimento da sua personalidade para lá da gritaria que se passa durante as missões. O que me leva à outra componente narrativa que se desenrola durante a jogabilidade com os diversos membros da Team Fox, e não só, a comunicarem entre si, muitas vezes apenas aos gritos a pedir para abatermos inimigos que não param de lhes cheirar o traseiro. Para mim esta cacofonia já faz parte da experiência de jogar Star Fox e tem o seu charme.

Podem contar com uma experiência bastante arcade onde o modo principal, o modo história, é bastante curto, pouco mais de 2h para um estreante (a contar com cinemáticas). Aquilo que devem manter em mente é que Star Fox foi concebido para ser jogado várias vezes, desbloquear rotas alternativas, desafios extra e melhorar a vossa pontuação. Esta versão de Star Fox de certa forma espera que vocês já saibam como tudo isto funciona, não sendo propriamente simpática na forma de desbloquear o conteúdo extra. Por um lado há que respeitar as origens, os tempos em que se partilhava no recreio que se passarem debaixo da cascata enquanto fazem um barrel roll ganham vidas infinitas ou que o Mew mora de baixo de um camião, por outro lado, hoje em dia poucos serão os jogadores que farão estas descobertas tal como idealizadas originalmente.

Para tirar o maior partido possível de Star Fox e até encontrarem o derradeiro final, vão ter que encontrar as rotas alternativas através de experimentação e perspicácia ou de um guia. Isto vai permitir-vos desbloquear um modo de missão para cada planeta/sector visitado no modo história, eventualmente uma dificuldade mais elevada e se forem persistentes poderão mesmo chegar ao verdadeiro fim de Star Fox.

A jogabilidade é bastante simples, existe um movimento perpétuo e cabe-nos apenas guiar a nave/veículo e disparar. Dependendo do veículo existem alguns movimentos extra que podem fazer mas focando-me apenas na nave principal, estes incluem acelerar, travar fazer um loop e se estiverem numa zona aberta, uma espécie de arena com objetivos, é possível efetuar uma manobra para virar a nave 180º. Finalmente no que diz respeito a movimentos temos o clássico Barrel Roll podendo também utilizar apenas parte do movimento para fazer curvas apertadas. Têm um botão para disparar, mantê-lo pressionado faz um disparo carregado ideal para abater múltiplas naves e um outro botão para lançar uma bomba, sendo estas limitadas ao número que conseguirem apanhar durante o nível.

Os inimigos, por outro lado são bastante variados e tirando os mais simples que se fazem apenas valer de padrões de movimento, estes exigem que o jogador perceba os seus pontos fracos. Quando falamos de lutas contra os Boss de cada nível estes testam as nossas habilidades mas também podem ser facilmente derrotados muitas vezes em meros segundos ainda antes de se aperceberem o que lhes caiu em cima se já conhecerem os pontos fracos. Cada nível acaba por ser uma experiência bastante completa ainda que curta, sempre com a ideia de repetir para aumentar a pontuação.

Star Fox conta com dois modos multijogador um é apenas local e conta com uma divisão de papeis, um jogador usa o mouse control para disparar e o outro jogador utiliza o outro joy-con para manobrar a nave, este modo está apenas disponível localmente. O segundo coloca dois esquadrões de jogadores numa competição por pontos onde terão que destruir os adversários e concluir alguns objectivos que darão pontos extra. O multijogador permite modo local, game share e online.

Podem ainda utilizar alguns amiibo para desbloquear conteúdo extra, incluindo alguns itens para avatares. Falando em avatares este jogo suporta o uso da camera e permite que utilizem uma máscara temática ao estilo das face cams que os personagens do jogo utilizam durante os combates.

O ambiente sonoro de Star Fox impulsiona os elementos de batalhas no espaço através daquilo que a maioria dos jogadores associam a um desses cenários com sons de lasers rasantes e explosões seguido de uma banda sonora extremamente vincada nos anos 90. Quer pelo seu game design ou som, StarFox parece ter as suas raízes bem assentes nesta década pois até mesmo as intermissões entre personagens durante as missões parecem saídas de um intercomunicador com falhas de rede ocasionais e não de um sistema bastante avançado. Como um todo Star Fox é icónico na passagem desta mensagem. Vale a pena ainda referir que o jogo está totalmente localizado para PT-BR (banalmente referido como português do Brasil) o que irá certamente facilitar o acesso para alguns jogadores, esta opção é aplicada automaticamente dependendo da linguagem do vosso sistema na Nintendo Switch 2.

Como um todo foi giro voltar a este universo com uma apresentação adaptada aos dias de hoje mas que mantém os pés bem assentes nas suas origens. Esperemos que seja com o sucesso desta que a Nintendo permite que uma sequela tenha luz verde para voar.

Alexandre Barbosa
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