O mundo das consolas portáteis nunca mais voltou a ser o mesmo desde que as consolas com base no ecossistema de PC entraram em campo. A Steam Deck foi uma das principais responsáveis por dar o primeiro grande e sério pontapé de saída, o que deu margem de manobra para que outras marcas quissessem meter o pé neste mercado e roubar a bola para si. Como já devem ter percebido, estas primeiras linhas foram escritas durante época de mundial de futebol e estava à procura de fazer um brilharete. Escusam de começar a abandonar as bancadas que vai entrar a estrela de hoje: a ASUS XBOX ROG ALLY X.
Para quem já está a pensar nisso, sim, a ASUS ROG XBOX ALLY X e a sua irmã mais branquinha já saíram há algum tempo, mas aqui no PróximoNível não tinha havido qualquer oportunidade de experimentar uma em formato de teste. A ASUS soube disso na nossa recente visita à sua apresentação de 20 anos e desafiou-nos para testar produtos da marca. Entre vários portáteis e outros acessórios que sugeriram, era óbvio que íamos querer testar a consola que, embora já não seja a máquina mais poderosa do momento no seu setor, continua a ser ainda uma das mais poderosas. Quanto à questão do tempo, já sabem que por aqui vamos sempre a tempo, ainda para mais, porque a consola ainda está bastante fresca no mercado.
A ASUS ROG XBOX ALLY X vem numa caixa bem avantajada e com um visual bonito e simples. Claro que como se trata de uma unidade emprestada que já deu várias voltas por aí, não vinha imaculada, mas mesmo assim, bem cuidada o suficiente para ainda parecer nova. Se nunca tiveram uma consola destas, mesmo que tenham uma Nintendo Switch 2, a ASUS ROG XBOX ALLY X vai parecer um monstro, mas não é nada de novo para quem tem uma Steam Deck, como é o meu caso. As consolas parecem ter o mesmo tamanho e os ecrãs são bastante parecidos em tamanho, embora a minha Steam Deck tenha um ecrã OLED, o que ganha uns pontos nas imagens mais escuras, como é normal. Não consigo perceber é a inclinação para trás quando fica pousada na mesa, não é estético, fica mais longe da visão e como tem este formato, mesmo metendo em “pé”, fica inclinada para a frente, o que é uma vez mais, longe do alcance visual.
Eu percebi no entanto o motivo deste “sacrifício”, pois quase ninguém joga com a consola pousada, mas sim nas mãos e nas mãos é que se sente que esta é uma das consolas portáteis de longo formato mais elegantes e ergonómicas de usar. A sério, a equipa de desenvolvimento está de parabéns, pois usaram o comando da Xbox como base e desenharam os apoios e os grips de forma a que a consola acenta que nem uma luva nas mãos e é tão prática de usar. Podem contar com os seus dois USB-C bem localizados no topo e o espaço do cartão de memória, assim como os botões traseiros que foram praticamente ignorados, pois nunca senti necessidade de os personalizar durante os testes. Talvez com mais tempo de uso? Talvez como uma consola de testes, talvez…
O iníciar da ASUS ROG XBOX ALLY X é muito familiar para quem tenha um Windows, pois a consola corre literalmente em Windows 11 e o próprio boot-up é o do Windows. Meus caros, não era muito mais bonito e apelativo criar uma série de menus adaptados para consola do que o start-up de configuração do Windows literal? Isto não cheira a consola nova, cheira a trabalho de configuração e ninguém quer ter de meter a sua conta da Microsoft pela centésima vez. Até o menu para impressão digital aparece, num dispositivo que não o tem…calma lá! Não é que a consola tem mesmo um sensor de impressão digital no botão de ON? Ora aqui está uma coisa que não sabia e até me parece uma boa adição. Caso não queiram, podem sempre colocar o PIN, pois também é imposto como o Windows obriga. Ao menos conseguem dizer que não a todas as opções seguintes. Sim, nas primeiras horas, o Windows continua a parecer aquele tio que vem a todos os eventos família e adora interromper as conversas mais interessantes com piadas secas ou factos desinteressantes da vida.
Estava eu a terminar estes passos e a consola desligou por falta de bateria. Onde estava o carregador? Bem… em lado nenhum! Nem carregador, ou mesmo cabo. A parte de trás indicava que o carregador não existe, mas que está incluído um cabo que se recomenda usar com um transformador de 65w. Para uma consola portátil que recomenda tanto poder de carregamento, bem que podia trazer o transformador com os watts certos. Contatada a ASUS, o cabo devia ter vindo no interior da caixa, mas deve ter-se extraviado nas suas várias andanças. Pois bem, sabem que consola tem um transformador rápido na caixa? A Steam Deck! Com um transformador que tem vindo a ser pau para toda a obra com quase todos os meus dispositivos.
Quando tudo acaba e a consola inicia finalmente, somos levados para um menu adaptado para a ASUS ROG XBOX ALLY X com um aspeto mais “consola”. A primeira coisa que tentei perceber é como chegar ao Desktop e sim, é possível, mas foi curioso ver que ao regressar ao modo jogo, que a consola pergunta se querem reiniciar a mesma para obter “melhor performance”. Se a diferença é notória, então é bom ter esta lembrança a surgir, pois embora seja possível usar a consola como um PC, o foco da consola é a de jogar jogos e um Windows. Já todos nós conhecemos este “tio” porque a maioria usa-o no dia-a-dia, com todas as coisas boas e menos boas que o sistema nos presenteia com frequência. Quão frenquentes? Vamos começar pelas primeiras notificações? Windows Update! Sim, pára tudo, pois precisam mesmo de parar tudo para atualizar e mesmo que deixem para mais tarde, terá de acontecer. Já não é tão mau como antigamente, mas é intrusivo neste ambiente que deveria ter menos interrupções tão notórias.
Outra experiência “gira” com a consola em Updates fora de casa, foi a de a levar para uma consulta no médico, onde ia ter de esperar pela pela consulta. Sabendo disso, carreguei a consola até ao máximo e fui todo confiante. Os meus 20 minutos previstos de jogatana, transformaram-se em 20 minutos de atualizações, ao ponto que até a BIOS da consola teve de atualizar e não passava dali até lhe meter uma fonte de energia. Onde é que consigo arranjar um carregador com poder suficiente numa sala de espera? Uma missão impossível…ou quase. A maioria das pessoas teria de deixar o update para mais tarde, mas sendo o nerd que sou e munido da minha Powerbank da Anker de 65W consegui fazer o Update. Sim, não joguei, mas fiz num espaço estranho o processo que faria com um PC em casa, num local público.
Como tinha já alguns jogos na Microsoft Store que chegaram para análise ao longo dos anos, foi a primeira coisa que meti a descarregar e descobri depressa que a consola não consegue descarregar jogos em modo suspensão, o que é uma verdadeira pena. É preciso manter o ecrã ligado ou pelo menos só com a luz desvanecida e ter certeza que a luz não está muito forte para não estar a emanar claridade que faça drenar muita bateria. Pelo menos, é possível descarregar os mesmos enquanto estamos a jogar, o que é porreiro. Além disso, o menu da XBOX foi feito a pensar em ser “amigo” das outras lojas, mas apenas e só, se derem ao trabalho de as instalar, por isso lá fui eu novamente ao desktop e instalei o Steam. O processo foi simples, tal como num PC de secretária e quando puxei por um jogo, este passou a estar disponível no menu da XBOX, o que é fantástico e muito bem-vindo. Até aparece o logo da loja ou serviço de onde vai correr. Gosto muito! O menu XBOX, no geral, tem uma boa prestação, com acesso à loja, informações rápidas e um menu flutuante que cobre o jogo com as definições rápidas e acesso às vossas informações de conta XBOX. Ainda existem aqui arestas para limar, mas está num muito bom caminho.
Aquilo pelo qual dei falta no Layout da XBOX foi a ausência de ferramentas para personalizar a potência e funcionalidades da consola, foi ao tentar perceber isso que percebi porque é que o ASUS Armoury Crate estava em todo o lado nos menus. Ou seja, existe uma ferramenta própria que é o nosso canivete suiço de personalização do software da consola e até onde pode ir o Hardware. Embora perceba que a ASUS queira ter este menu, também é verdade que podemos mexer em algumas das definições mais básicas no menu rápido da consola, por isso não é assim tão intrusivo. Por outro lado, não deixa de ser estranho ter mais uma plataforma que vive por si própria dentro da consola.
Vamos então passar à experiência de jogo em si. O ponto principal e crítico e o ponto onde a consola ganha sem dúvida. Além de ser muito confortável de agarrar e jogar durante bastante tempo, ainda tem a grande vantagem de ser uma das portáteis do seu segmento que chega mais próximo do topo da montanha em performance. Tenho estado constantemente a gabar a Steam Deck ao longo desta análise, mas embora a consola da Valve seja muito capaz, a XBOX ROG ALLY X está bastante acima na experiência de jogo, correndo grande parte dos jogos mais exigentes com muito mais qualidade e fluídez. Se a ASUS tivesse colocado aqui um ecrã OLED, então seria simplesmente fantástico.
Experimentei jogos como Forza Horizon 6, DOOM Eternal, Trails in the Sky 1st Chaper, Ninja Gaiden 4, The Witcher 3: Wild Hunt, The Outer Worlds 2 e MARVEL Tōkon: Fighting Souls e em todos os casos, a consola conseguiu correr tudo em modos de qualidade entre muito elevado e médio, indo entre os 60fps e os 45fps. Sim, eu sei que a consola tem um ecrã de 120hz, mas eu prefiro ter 60 fps constantes e limpos e tentei que esse fosse sempre o target, mesmo usando qualquer tipo de AI para fazer upscale nos jogos que o tinham (FSR até tinha sido adicionado recentemente ao Trails in the Sky). A consola tem um desempenho bastante potente e ver estas bombas a correr tão bem é sem dúvida o momento em que alguns dos pontos menos positivos começam a parecer minúsculos. No que toca a jogar, que é o ponto principal, a XBOX ROG XBOX ALLY X é uma das melhores experiências em termos de poder dentro de um preço expectável para o que faz.
Depois temos a questão da portabilidade. Apesar do ecrã perder um pouco de luz se não estão a olhar para ele no ângulo certo (seria de esperar), estar no exterior é o momento em que o IPS e os 500 nits se notam. Como podem ver pelas imagens em baixo (se não tiverem aversão a ver cabeças com carecas), testei a consola várias vezes na rua e embora não consigam ver bem o ecrã por causa da inclinação da consola, a verdade é que com o posicionamento certo, mesmo com bastante sol, o utilizador consegue ver a imagem sem grande esforço e com bastante clareza. Claro que mesmo sendo portátil, não recomendo de todo que a levem para um sítio como a praia, pois a consola tem tantas entradas e ventilações que a coisa pode não correr lá muito bem.
Agora, vamos falar do som que podem esperar da consola e como se comportam estas colunas. Se são como eu e estão habituados a ter de colocar o som quase nos 50% a 60%, então vão ter aqui uma grande surpresa. Posso dizer-vos que aumentar o som além dos 20% vai começar a parecer que estão a ouvir umas colunas dedicadas. Não sei qual a magia que aqui fizeram, mas não só a XBOX ROG XBOX ALLY X tem um som claro e limpo, como são das colunas numa consola portátil mais altas que já experimentei. Acreditem quando vos digo que ir além dos 30% já começa a parecer muito alto. A jogar Trails in the Sky e a ouvir a versão orquestral da banda sonora, acima de 50%, parece que estão a usar uma coluna portátil de alta qualidade, capaz de dar som à casa inteira ou se quiserem ser más pessoas, chatear uma praia inteira com o som de tiros e motoserra no DOOM. Em relação à bateria, não tenho muito que me queixar. Claro que é pena que tenham de adquirir o transformador à parte, pois carregar apenas com o cabo, se não for num dispositivo que passe muitos Watts, vão demorar muitas horas a recarregar. Com a bateria cheia e tudo a funcionar normalmente, a bateria pode durar entre 10 horas com jogos pouco intensivos ou através de Streaming com o Steam ou usando o Moonlight. Já com jogos mais pesados, esperem que a bateria ande entre as 2 a 4 horas, tudo depende das afinações que fazem no ASUS Armoury Crate, em conjunto com as próprias definições do jogo. Podem aproveitar um pouco mais se ligarem os upscalers AI quando existem e diminuir a resolução. Num ecrã mais pequeno, os artefactos são sempre menos notórios. Sim, eu sei que a maioria diz que não gosta de usar FSR ou DLSS, mas todos sabemos que lá no fundo acabamos por usar se o visual não sofrer e os FPS começarem a subir na vida.
No que toca à resistência, a XBOX ROG XBOX ALLY X sente-se resistente nas mãos e o facto de encaixar igualmente bem, confere menos chances de a deixar escorregar por todo o lado ou deixar cair. Andei com ela dentro da mochila pouco menos de um mês, sem qualquer capa e tanto a carapaça como ecrã não mostram sinais de “esforço”. Como é natural, vão se acumulando as belas dedadas no ecrã e detritos nas ventilações e no interior dos analógicos, mas nada que não se resolva com alguma limpeza ocasional. Durante os testes a consola resistiu que nem uma campeã ao escorregar da mochila para a mesa de madeira onde bateu com um ruidoso “Klonk”, na pega direita, mas sem qualquer tipo de danos ou sequer uma marquinha. Também resistiu a conviver com outros aparelhos electrónicos durante as viagens e nem vale a pena falar da história da bola de berlim. A XBOX ROG XBOX ALLY X sobreviveu aos dia-a-dias reais que a fiz passar e passou em todos os testes. Por vezes podia ter puxado um bocado mais por ela, mas como vai ter de fazer o seu caminho de regresso à ASUS, penso que vão querer a consola inteira.
Um pequeno extra, mas que para mim faz toda a diferença, foi a utilização dos meus óculos XREAL AIR 2. Estes funcionam muito bem na consola e de forma imediata, a ligação é feita em tempo real e o resultado está dentro daquilo que já estou habituado, sendo que vai sempre ser um benfício ter uma consola mais poderosa para ter um visual mais nítido. Outra grande vantagem que a consola oferece, é a presença dos dois USB-C, o que evitou ter de andar com o Dongle VR pendurado à consola, para ter de carregar e ligar os óculos ao mesmo tempo. Desta forma, posso ter os XReal numa porta e o carregador ou Powerbank na outra, o que facilita imenso o processo e a consola não parece uma árvore de Natal. Isto deu-me ainda mais vontade de testar os novos ASUS XREAL R1, pois parece que a maioria das pessoas ainda não têm ideia do quão funcional e incrível é a experiência com este estilo de óculos.
Ao começar a terminar esta análise e como alguém que ficou cada vez mais ligado às consolas portáteis que são na verdade PCs, já começo a sentir saudades desta pequena companheira. Claro que a XBOX ROG XBOX ALLY X tem muito onde pode ser melhor. Gostaria que o todo o ecossistema fosse mais coeso, tendo mesmo uma máscara integral do sistema operativo a combinar o ecossistema com as ferramentas no geral. Com mais opções e afinações, poderia correr tudo dentro do Layout da XBOX, juntamente com o ASUS Armoury Crate e o jogador raramente teria de sair dele. Ter o Windows a aparecer quando a consola liga, ter de estar constantemente a ter de o visitar para instalar coisas da STEAM ou fazer Updates com tanta frequência é aborrecido e faz mazelas na imersão.
Depois temos o reverso da moeda e a consola brilha naquilo que mais importa, a experiência de jogo. A ergonomia é óptima, o ecrã é muito bom (mesmo não sendo OLED), a bateria aguenta bem mesmo com jogos mais intensivos, as colunas são simplesmente incríveis e o poder da consola faz com que seja possível jogar praticamente todos os jogos que existem nela sem compromissos demasiado grandes (com mais ou menos qualidade, claro). Os resultados deixaram-me impressionado e tendo em conta que estamos a analisar cada vez mais jogos em PC, temos de começar a pensar se não fará sentido adicionar uma XBOX ROG ALLY X (ou a sua possível sucessora?) às plataformas de testes do site, pois tem poder para realizar este trabalho na vertente Windows.
Passando o impacto inicial com a configurações e perceber o sistema da consola, a minha experiência com a XBOX ROG XBOX ALLY X foi mudando progressivamente e passei muito mais tempo com ela durante estes dias do que apenas por motivos de análise. Joguei muito Forza Horizon 6 que ainda não tinha tido oportunidade para o fazer e uma boa quantidade de Slay The Spire II e Trails Throught Daybreak 2 (que ainda estou a terminar para passar para o Horizon). Depois destes dias, a minha empatia e apreço pela consola foi crescendo e agora, tenho pena que tenha de se ir embora, não só por ser uma boa plataforma de testes para jogos de PC em modo portátil, como por me ter impressionado mais do que estava à espera.
Acabei por pedir até mais uns dias à ASUS para testar jogos do PC durante o Verão e não tenho vergonha em admitir que também queria mais umas horas de jogo pessoal nela. Acaba por ser um sinal muito positivo da experiência que tive com ela, certo? Infelizmente ainda não tive a oportunidade de experimentar a versão mais modesta que custa muito menos que esta, mas se têm o dinheiro para investir e querem poder comprar diretamente numa loja física em vez de estar a mandar vir algo pela internet, então a XBOX ROG XBOX ALLY X é um consola/PC onde vão sentir que o vosso investimento foi bem empregue.
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