Tendo em conta o sucesso do primeiro The Outer Worlds, era normal que o segundo RPG da série de ficção científica na primeira pessoa da Obsidian Entertainment gerasse algum entusiasmo, o regresso à sua sátira mordaz sobre o capitalismo e a sociedade corporativa, misturado com exploração de planetas distintos será sempre um grande chamariz. A nossa análise foi morosa, mas necessária para explorar o novo jogo, espreitar bem a ação para o novo sistema colonial de Arcadia, o novo elenco de personagens e o combate. Apesar de se apresentar como um blockbuster, The Outer Worlds 2 é menos do que podia ser.
A essência do jogo mantém-se fiel às raízes da Obsidian, ou seja, colocar a escolha do jogador no centro dos acontecimentos. Os jogadores assumem o papel do “Comandante”, um agente que deve desvendar a origem de perigosas anomalias espaciais enquanto se vê no meio de uma intensa guerra de fações. A narrativa de The Outer Worlds 2, embora comece de forma lenta, rapidamente salta para num complexo quebra-cabeças de intrigas políticas e dilemas morais, onde as decisões tomadas, por mais absurdas que sejam, têm algum impacto no desenrolar dos eventos e no final do jogo. A estrutura de missões e a progressão do jogo oferecem uma sensação de escala ampliada. Desde o momento em que os jogadores entram no novo sistema, percebe-se que a Obsidian fez por criar um RPG de longa duração, onde a complexidade das escolhas se intensifica à medida que se avança.
A jogabilidade recebeu vários aprimoramentos. O combate, que no primeiro jogo era considerado meramente funcional e pouco profundo, neste sequela é mais ágil e reativo. Foram introduzidas novas mecânicas de movimento, como o slide e o double jump, que tornam a exploração e os tiroteios mais dinâmicos e expansivos. O arsenal de armas de ficção científica é mais vasto e extravagante, onde não faltam pistolas e caçadeiras de grandes dimensões, complementados por um sistema de modificações que permite personalizar amplamente o estilo de combate e o que preferem usar na abordagem aos inimigos.
A versão PC é, tecnicamente, a plataforma que oferece melhores resultados experienciar a galáxia de Arcadia. O jogo utiliza o Unreal Engine 5 e suporta resolução até 4K com framerate desbloqueado. O suporte a tecnologias de upscaling modernas como DLSS, FSR e XeSS garante que os jogadores com diferentes configurações de hardware possam alcançar framrates mais elevados, mantendo uma boa qualidade de imagem. Além disso, a inclusão de Ray Tracing na versão PC adiciona profundidade com iluminação e reflexos avançados, dando mais vida aos ambientes alienígenas e às cidades cheias de Neons.
O sistema de Companheiros regressa, com um grupo de novas personagens maioritariamente carismáticas, que se alinham em pares de especialistas: curandeiros, atiradores de longo alcance e lutadores corpo a corpo. As suas missões de companheiro são destaques narrativos que permitem ao jogador moldar as suas personalidades e influenciar as suas ambições. Esta dinâmica de equipa é importante, pois os companheiros não só oferecem apoio tático no combate (incluindo o retorno da dilatação temporal tática, ou TTD), como também amplificam as capacidades de role-playing do jogador.
Uma das mecânicas mais elogiadas do original, o sistema Flaws (Defeitos), está ainda mais amplo. Em vez de escolher perks positivos, o jogo propõe a aquisição de “defeitos” em resposta a comportamentos consistentes (como ser atingido frequentemente por fogo amigo ou usar muitos medicamentos), por isso ganham um perk extra em troca de uma desvantagem permanente. Esta mecânica encoraja a improvisação e algumas das escolhas de role-playing mais arriscadas ou divertidas.
O universo do jogo está dividido em grandes zonas de hub em diferentes planetas que funcionam como áreas abertas à exploração, cada uma com as suas fações em conflito. A direção artística, com cores vibrantes e um design retro-futurista distinto, faz com que a exploração de Arcadia seja bastante interessante, contrastando de forma eficaz com a temática sombria da tirania corporativa.
Apesar de a Obsidian ter feito melhorias notórias na jogabilidade e na escala, a qualidade gráfica geral e as animações faciais dos NPCs não estão ao nível de alguns dos seus contemporâneos de 2025 que também utilizam o Unreal Engine 5. Embora o jogo pareça melhor que o seu antecessor, algumas localizações e os modelos de personagens ficam aquém do nível de detalhe e polimento esperado para um título AAA moderno.
Para jogadores de PC com dispositivos portáteis, como a Steam Deck, The Outer Worlds 2 pode ser visto como “jogável”, embora com compromissos notáveis. Devido aos requisitos de sistema elevados e ao uso do Unreal Engine 5, o jogo tem dificuldade em manter uma framerate sólida nas secções de mundo semi-aberto mais povoadas, com quebras frequentes abaixo dos 30 FPS. Para a melhor experiência, é recomendado o uso de definições gráficas no mínimo ou baixo, recorrendo ao upscaling TSR (Temporal Super Resolution) com uma escala de resolução conservadora para obter a melhor fidelidade visual possível e manter o alvo de 30 FPS. Se adicionarem Losseless Scaling, ainda conseguem ir buscar um pouco mais de performance.
A longevidade do título é reforçada pela enorme quantidade de diálogo, quests secundárias e a possibilidade de revisitar o jogo com builds de personagem totalmente diferentes para testemunhar as diversas ramificações narrativas. Como os Perks e decisões também alteram o rumo de segmentos da história e interação com outras personagens, podem ter a tentação de jogar a campanha mais do que uma vez.
Feitas as contas, The Outer Worlds 2 é um RPG sólido e expansivo, que é um passo em frente quando comparado com o seu antecessor em quase todos os aspetos. É uma experiência bastante positiva para quem procura um universo rico em lore e role-playing ao estilo da Obsidian, onde as escolhas tem algum impacto e a evolução da personagem é importante. A versão PC é o melhor palco para esta aventura satírica, oferecendo a melhor performance e fidelidade visual do título. Pode não ser o melhor RPG do ano, mas vale a pena para quem gostou do anterior ou jogos como Fallout New Vegas.
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