Review – Ninja Gaiden 4

Apesar de ser apenas o quarto jogo, Ninja Gaiden e o seu personagem principal já fizeram aparições em outros jogos, especialmente Dead or Alive. Ninja Gaiden 4 é o regresso da aclamada franquia de hack and slash ao seu estado normal, e o resultado de uma colaboração de peso entre a Team Ninja e a Platinum Games. Este novo jogo procura modernizar o combate ninja de alta velocidade, apresentando um novo protagonista que se estreia agora, Yakumo, cujo destino se cruza com o lendário Ryu Hayabusa. O jogo foi criado com o objetivo de equilibrar o rigor rápido e exigente dos clássicos Ninja Gaiden com a fluidez e o estilo exuberante pelos quais a Platinum Games é conhecida nos seus jogos.

A essência de Ninja Gaiden 4 reside no seu sistema de combate, que é o ponto alto do jogo. A jogabilidade é uma de muita qualidade de acção e aventura da Team Ninja com o todo o estilo e precisão da Platinum. O combate é extremamente rápido e fluído, exigindo reflexos apurados e uma gestão de ataques e combos. Quer se use o arsenal brutal e mais pesado de Ryu ou as técnicas ágeis de Yakumo, cada cenário é um teste de perícia onde a agressividade, misturada com a defesa, são recompensados.

A narrativa de Ninja Gaiden 4 foca-se na ascensão de Yakumo, um novo prodígio do clã Raven, enquanto o Dark Dragon lança o caos sobre uma Tóquio futurista. Embora a história principal seja funcional e sirva como pano de fundo para a ação, é bastante simples e básica. A secção de Ryu Hayabusa, embora jogável e crucial para a ligação à história original, por vezes parece um pouco inconsequente ou recheada de repetições de momentos chave. Também não ajuda que grande parte das personagens secundárias não sejam grande coisa, sendo mais pano de fundo.

Um dos aspetos mais bem-vindos desta nova edição é a notável melhoria na gestão da câmara. Historicamente, a câmara tem sido um dos maiores problemas neste tipo de jogos, mas o toque da Platinum Games trouxe uma perspetiva mais dinâmica e pensada que raramente interfere com a ação, claro que nem sempre funciona a 100%, mas é aqui eliminada uma das grandes frustrações de ângulos mortos.

O jogo introduz a mecânica Berserk Meter, um medidor que adiciona um elemento de gestão de habilidade com de risco e recompensa. Ao encher este medidor através de ataques agressivos, o jogador pode desencadear ataques com muito mais dano e área de ataque, mas fá-lo em criando maior vulnerabilidade para ataques que os inimigos façam. Esta mecânica incentiva uma jogabilidade arriscada e adiciona uma dimensão tática a cada confronto. O design do jogo também se distingue por introduzir uma série de opções de acessibilidade para tornar o título mais convidativo para novos jogadores. Embora o nível de dificuldade “Masochistic” esteja lá para os veteranos que procuram um desafio muito mais doloroso, os novos modos e as opções de assistência permitem que os recém-chegados ajustem a dificuldade e dominem as mecânicas sem a punição extremamente severa.

Apesar da excelência do combate, o design dos níveis é um dos pontos mais fracos da experiência. A exploração de uma Tóquio feita neste mundo pós-apocalíptico e o Submundo é bastante linear e um pouco genérica, faltando a inspiração e variedade de outros jogos da série e até mesmo outros jogos da Platinum Games. Os cenários servem como meros corredores para o combate, e elementos bastante clássicos parecem saídos de uma geração de consolas anterior.

Em termos de desempenho, como seria de esperar, a versão PC é bastante boa em termos visuais e em fluídez, especialmente se tiverem uma boa máquina. Os nossos testes foram feitos numa máquina bastante boa, com uma 4080 Super e o resultado foi bom. O detalhe das personagens é muito bem trabalhado e as animações também. Caso pretendam jogar na Steam Deck, o jogo está dado como Verificado. No entanto, para a melhor experiência, é recomendável jogar no “Steam Deck Mode” integrado, que bloqueia a framerate a 30 FPS. Embora o jogo seja jogável a 60 FPS com algumas alterações avançadas (como aumentar a frequência do GPU Clock para 1600MHz). Para um jogo de reação tão rápida, o mais seguro é manter-se nos 30 FPS estáveis ou experimentar 45 FPS caso tenham a versão OLED da consola.

A versão PC pode ser considerada tecnicamente, a edição definitiva do jogo, desde que o a máquina do utilizador o permita. Com suporte para resoluções de até 4K, framerate desbloqueado e total personalização das opções gráficas, a experiência para obter o melhor equilíbrio entre fidelidade visual e performance pode ser personalizada. Curiosamente o modo DLSS é limitado apenas a desligado ou ligado, o que obriga a que tenham de sair do jogo e mexer no Geforce Experience para o alterar. Bastante estranho.

No global, Ninja Gaiden 4 é um triunfo no que toca ao combate e acção, sendo rápido, divertido e viciante. É  hack and slash implacável, com uma ação que é ao mesmo tempo brutal e elegante. A versão para PC oferece o melhor desempenho técnico e é a forma definitiva de de o jogar caso tenham máquina para ele. Embora o design de níveis e o enredo sejam dois pilares bastante menos sólidos, a jogabilidade central é tão recompensadora que os fãs do género vão ignorar estes pontos menos conseguidos. Ninja Gaiden 4 podia ter sido ainda melhor do que é, mas dentro que pretende fazer, é bastante bom.

Daniel Silvestre
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