Review – Sonic Racing: Crossworlds

Era um um rapaz novito quando o mundo de Sonic me pregou uma rasteira. Já todos sabíamos que Sonic era sinónimo de velocidade, mas foi com Sonic R da Sega Saturn que o ouriço e companhia começaram a competir em termos de velocidade. Por algum motivo e por modas, esta malta trocou a corrida pela condução e assim nasceu a série Sonic Racing.

Sonic Racing: CrossWorlds é o mais recente título de corrida com Karts da SEGA, desenvolvido pela Sonic Team, com ambições elevadas, especialmente por ser o priemeiro a ir bem além dos mundos de Sonic. O jogo não se limita a seguir a tradição do género, ele vai à procura de  revolucioná-lo ao introduzir uma mescla alargada de personagens icónicas da SEGA (como Joker de Persona 5 e Hatsune Miku, com DLCs de Minecraft e SpongeBob, Pac-Man e Megaman) e uma mecânica de jogo que desafia a previsibilidade comum deste género. Surge então o sistema CrossWorlds, onde as pistas são invadidas por novas secções de corrida em mundos diferentes.

Os modos de jogo incluem o tradicional Grand Prix, o modo Race Park (que introduz objetivos de equipa) e serve para criar atividades de competição com objetivos extra, Time Trials para testar a velocidade dos carros e desbloquear mais coisas, e um World Match online para até 12 jogadores. A funcionalidade multiplayer online é robusta e funcionou bem ao longo dos testes, surgindo alguns picos ocasionais de lag, mas sem grande prevalência. Podem contar com cross-play que aumenta o número de partidas online, para ser rápido e constante. O modo online é bastante simples e direto, sem grandes possibilidades de personalizar a quantidade de pistas ou as regras de participação.

O centro da jogabilidade é o sistema CrossWorlds. A meio de cada corrida, o jogador que está na liderança tem a opção de escolher um Travel Ring, transportando todos os rivais para um circuito completamente novo, de um universo diferente, que muda o tema e, por vezes, até o modo de condução (estrada, ar ou água). Esta mecânica é a maior inovação do jogo, injetando uma camada de imprevisibilidade e estratégia; desafia os pilotos a jogar com mudanças inesperadas, ou perturbem o ritmo dos adversários.

A jogabilidade de condução também foi trabalhada para ser precisa e responsiva. Sonic Racing: CrossWorlds baseia-se em quatro ações principais: acelerar, derrapar (drift), travar, fazer acrobacias e usar itens. O drift é especialmente gratificante e necessário, permitindo que os jogadores dominem as curvas e acumulem boosts para ganhar velocidade. Misturando o drift, o cone de ar dos adversários, passar pelas placas de aceleração e fazer truques de forma eficiente, é um conjunto de estratégias que vão recompensar os melhores jogadores.

No entanto, esta complexidade também é uma faca de dois gumes. O jogo é notoriamente caótico, mesmo para os padrões do género. A quantidade de itens de ataque e o seu constante uso pelos vários pilotos, tornam algumas partidas penosas, onde a sorte pode prevalecer sobre a habilidade. Além do mais, existe a hipótese de programar uma série de ajudas com gadgets que podem dar items logo no início da corrida, ou ter espaço para apanhar mais items nas pistas, por isso, mal estão a arrancar, já estão a acontecer várias coisas ao mesmo tempo.

A profundidade vai ainda mais além com a possibilidade de personalizar a viatura. Cada personagem pertence a um estilo de condução: uns são mais rápidos, outros mais brutos e ainda há os que se aguentam melhor nas curvas. Tudo isto representa estatísticas para a vossa condução. Ao mudar o carro e as peças do mesmo, estas estatísticas mudam também, por isso, caso personalizem este ponto com frequência, vão perceber que existem opções quase ilimitadas de jogabilidade com base na placa de items que escolhem, a personagem e o estilo de carro.

Tendo em conta que a nossa análise foi feita na PS5, é normal falar do háptico do Dualsense e como é ajustado para simular o terreno da pista, o impacto dos power-ups e a força dos drifts. Os gatilhos adaptativos também são usados para a aceleração e travagem, trazendo uma camada de imersão tátil que não está presente noutras plataformas. Embora não mude a jogabilidade, é sempre um adicional bem-vindo.

Como já devem ter percebido, o conteúdo de Sonic Racing: CrossWorlds é vasto. Com 23 personagens base, mais as adições de crossover por DLC, e a maior seleção de pistas de qualquer jogo de corrida Sonic (totalizando 39 com os CrossWorlds), o jogo oferece uma longevidade positiva. O extenso sistema de personalização permite que ajustem 45 veículos únicos e 70 gadgets, havendo a hipótese de desbloquear fatos e autocolantes para os carros com os bilhetes que vão acumulando.

O jogo corre bastante estável a 60 FPS, o que é crucial para um jogo de corrida de alta velocidade e precisão, surgindo apenas uns pequenos soluços quando estão a ser tansportados para outra dimensão. Os visuais são muito nítidos e bastante vivos, explorando de boa forma a capacidade da máquina onde o jogarem (a versão de análise chegou para PS5).  Os 24 circuitos principais e os 15 circuitos CrossWorld são bastante detalhados e cheios de referências a outros jogos da SEGA. O tempo de carregamento bastante rápido graças ao SSD da consola. Infelizmente não tive a oportunidade de verificar em máquinas sem SSD. A banda sonora também é bastante boa, com muita música divertida e clássicos que aparecem de origem, ou podem ser desbloqueados.

Sonic Racing: CrossWorlds é um título ambicioso que se distingue pela sua introdução de novos conceitos, um conteúdo impressionante e uma mecânica CrossWorlds inovadora que não se encontra em mais nenhum jogo do género. É o melhor jogo de corrida kart da SEGA até à data e para mim, uma aposta mais divertida e vasta que Mario Kart World, também lançado este ano. Se Sonic é a vossa “cena” e se gostam de jogos de corrida, não há como enganar, esta é um dos melhores jogos de corridas deste ano.

Daniel Silvestre
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