Análise – Persona 5 Royal

Parece que nem foi assim há tanto tempo mas já faz três anos que Persona 5 foi lançado e assim, foram roubados os nossos corações para sempre. Quando Persona 5 Royal foi anunciado, estava à espera de ter problemas a analisar esta versão, pois o jogo ainda está bastante presente na minha memória e havia sempre o risco de poderem estragar algo que não valia a pena mexer.

Pois bem, tenho a dizer que Persona 5 Royal foi um dos jogos mais fáceis de analisar este ano, não só porque já o joguei antes e conheço bem as suas mecânicas, como é um jogo que depressa percebemos que embora seja muito familiar, existe aqui muito mais do que o conteúdo extra que estamos habituados a encontrar em Remasters. Por isso mesmo, se Persona 5 já era brilhante, Persona 5 Royal é bem capaz de ser o melhor jogo desta geração, especialmente se estiverem a conhecer esta história pela primeira vez.

Não adianta dizer com precisão tudo aquilo que foi adicionado a Persona 5 Royal, pois por muito importante que as novidades sejam, não só não me ia conseguir lembrar de tudo, como é muito mais interessante que descubram por vocês, sejam novatos ou mesmo alguém que já conhece a aventura dos Phantom Thieves.

Para começar, recomendo que leiam a nossa análise original de Persona 5. Mas de forma a resumir a trama, são um grupo de estudantes que dadas as circunstancias, são forçados a viver uma vida alternativa como Phantom Thieves, vigilantes que conseguem entrar no subconsciente de pessoas maldosas e mudar a sua personalidade para que confessem os seus pecados e sejam punidos por isso. A narrativa faz com que tenham de viver uma vida dupla, ir às aulas e fazer amizades numa parte dela e na outra, entrar nos mundos distrocidos dos vilões para mudar a sua cognição.

Sem grande surpresa, Persona 5 Royal não muda o conteúdo base, continuam a ter de fazer amizades e sair com amigos para estabelecer laços que vos dão poder para ser mais fácil depois, invadir os palácios dos inimigos. A história está muito bem escrita e as personagens são extremamente carismáticas, fugindo do típico JRPG, por muitas semelhanças que possa ter com estes.

Os combates são feitos por turnos e com várias mecânicas que os transformam em verdadeiros jogos de estratégia e gestão das vossas habilidades, magia e também de organização. Cada palácio dos inimigos está recheado de puzzles e finalizar cada um, abre caminho para avançar na história, descobrir mais sobre os nossos amigos e explorar os Mementos, uma mega dungeon com vários níveis e carradas de Personas.

Tudo aquilo que falei até agora faz parte do Persona 5 original e até aqui, nada de muito diferente foi dito, mas não é ao mudar que Persona 5 Royal faz a diferença, mas sim ao adicionar. A partir do momento em que passamos as primeiras horas de jogo, começa a ser cada vez mais notório, caso tenham jogado o original, que estão sempre a aparecer coisas, ferramentas e habilidades que não estavam no original.

Ao contrário de muitas companhias que pouco mudam nas suas versões definitivas, Persona 5 Royal parece um Director’s Cut alargado em vários DVD’s, com ideias e conteúdos novos, como se a equipa de desenvolvimento tivesse como objectivo meter o máximo possível nesta versão. Por incrível que pareça, isto faz com tudo encaixe e pareça natural.

Existem novos confidentes para conhecer e falar, novas áreas dentro dos palácios, novas ferramentas que nos deixam visitar espaços inéditos, muito mais cinemáticas e até o Mementos acaba por ficar muito melhor com a introdução de Jose, uma personagem que nos faz procurar por flores e selos dentro da masmorra. Com isto, a zona mais aborrecida do jogo ganha uma nova vida e fica ainda melhor. A arte utilizada em tudo continua a ser soberba e as transições entre menus e selecções é um autêntico case study em arte, interacção e fluídez.

Claro que o destaque vai para os novos confidentes e em especial, Kasumi, a nova Phantom Thief. Todas as personagens que vão aparecendo abrem também áreas novas que trazem ainda mais actividades extra e coisas para comprar. É possível jogar às Setas, visitar oceanários, ir a um clube nocturno, entre tantas outras actividades. O melhor disto tudo é que agora é possível fazer sempre coisas em qualquer um dos períodos, por isso o Morgana já não nos chateia tanto e mesmo quando nos obriga a ficar no Leblanc, podemos fazer actividades que melhoram as nossas aptidões. Já estava à espera que acontecesse, mas sim, fiquei grande fã de Kasumi e a sua adição é muito bem-vinda.

Continuo a escrever e a falar das novidades e parece que não existe fim para todas as pequenas e grandes coisas que foram adicionadas em Persona 5 Royal quando comparado com o original. Talvez a parte que fiquei menos fã foi o novo Thieves Den, uma área indepenente onde podemos rever cinemáticas, ouvir a banda sonora, jogar às cartas, personalizar a sala a nosso gosto, entre outras coisas. Confesso que meti lá os pés muito poucas vezes, porque não fez muito para me cativar. No entanto sei que o Alexandre Barbosa passou bastante tempo nesta área a jogar às cartas.

Temos de ter em conta que Persona 5 já não era um jogo curto, mas Persona 5 Royal estica ainda mais o conteúdo com todas as novidades, actividades extra, confidentes e um novo palácio completo. Se não soubesse exactamente o que fazer, iria demorar muito mais tempo, mas de qualquer forma, quando me apercebi que já ia quase nas 50 horas de jogo, consegui verificar que estava tão longe aqui como no Persona 5 com 40, por isso imagino como será para um novo jogador.

Algo de menos positivo que notei também, talvez por já o ter jogado antes, é que Persona 5 é um jogo que parece que continua infinitamente e aqui ainda se sente mais. Existem tantas coisas para fazer, conversas para ter e opções para fazer que as horas passam a voar e mesmo com estas a acumular, sentimos que estamos a avançar, mas que a aventura nunca mais acaba. De qualquer forma, deve ser algo que os novos jogadores e aqueles que jogaram o jogo no lançamento vão sentir muito menos.

E com isto, não falei exactamente de como o Grapling Hook abre caminhos para umas novas caveiras coleccionáveis, os novos ataques especiais em equipa super exagerados e já agora, sabem que existem inimigos que explodem e dão dano aos outros? A lista continua de forma interminável, havendo até mais músicas novas que, como seria de esperar, são tão boas como aquilo a que Shoji Meguro já nos habitou ao longo de cada jogo. Os actores japoneses e ingleses voltaram para dar as suas vozes e acreditem que tiveram que gravar muito mais falas para este jogo.

Claro que alguns dos problemas patentes no original ainda aqui estão, como é o caso dos problemas de colisão no que toca a usar as coberturas para esconder, o que se pode tornar confuso e andar para trás e para a frente no Mementos, mesmo que as novidades trazidas pelo Jose ajudem a dar mais sentido a estas viagens. De qualquer forma, parece que estas pequenas frustrações se sentem muito menos agora, tanto que só me lembrei delas porque reli a análise do jogo original e sim, faz o seu sentido.

Como disse antes, depois de ter sido lançado, parece que a equipa de Persona 5 olhou para o original e pensaram o quanto poderiam ter feito o jogo ainda melhor. O resultado é um dos jogos mais completos, brilhantes, empolgantes e completos que podem jogar em qualquer plataforma. Persona 5 Royal é um verdadeiro Director’s Cut do mundo dos videojogos e que mostra como é possível dar vida nova à mesma história. Todo o dinheiro que gastam nele é vastamente recompensado com mais de uma centena de horas de jogo de qualidade e ainda alguns extras que podem ampliar esse tempo de jogo.

Mesmo que não seja um jogo indicado para todos, recomendo Persona 5 Royal a qualquer pessoa. Se há que fazer uma versão definitiva de qualquer jogo e se vão cobrar um preço completo, então todos esses jogos terão agora Persona 5 Royal como referência. Este é um dos grandes jogos desta geração e um trabalho perto da perfeição.

Positivo:

  • Muito conteúdo novo
  • Boas personagens inéditas
  • Mais músicas é sempre bom
  • Mais mecânicas de combate inteligentes
  • Direcção artística soberba
  • Boa prestação dos actores de voz

Negativo:

  • História mais longa do que devia?
  • Detecção de colisão de cobertura nos palácios?
  • É complicado arranjar pontos negativos para este jogo…

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