Análise – Dragon Ball Z: Extreme Butoden

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Descobri com o Dragon Ball que por vezes só nos apercebemos que gostamos muito de determinada coisa quando ouvimos outra pessoa a falar mal dela, surgindo dentro de nós um sentimento protector que nos obriga a defender essa coisa a todo o custo. Isto aconteceu comigo no secundário quando a minha professora de português nos obrigou a escrever uma série de parágrafos sobre as “razões porque o Dragon Ball é mau para as crianças”. E não, o intuito não era incentivar um debate mas sim arrastar a série pela lama.

Recebi de braços abertos o regresso do DBZ aos fighters 2D, pois sou grande fã da série Super Butoden na SNES e fui um orgulhoso dono do Dragon Ball Z japonês para a Mega Drive, que precisava de um adaptador para a versão europeia da consola.

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Mas vamos voltar à análise que deu nome a este artigo. Em termos de apresentação, o jogo está muito bom. Os gráficos são bastante coloridos e fazem lembrar as séries de televisão. As animações são fluídas e detalhadas e as personagens são grandes, com lutadores como o Buu Buu a ocupar boa parte do ecrã. Em termos de som, a banda sonora é competente e insere-se bem no universo Dragon Ball, sem haver alguma música que se destaque. Felizmente foi mantido o áudio original japonês com as caixas de texto traduzidas para inglês.

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A jogabilidade é muito boa, mas menos não se esperava da equipa de produção, a Arc System Works. Quem está habituado a outros jogos desta produtora como BlazBlue e Persona Arena vai sentir-se em casa ao experimentar Extreme Butoden. Devido ao sistema de combate é fácil pegar na consola e começar a jogar (o combo principal implica carregar apenas no Y) mas é também um sistema que recompensa aqueles que o entenderem e praticarem a fundo. Consoante o modo de jogo escolhido, lutamos em equipas de 1, 2 ou 3 lutadores, alternando entre cada personagem com um toque no ecrã inferior, o que se revela fácil e prático.

Quanto ao roster, este deixa um pouco a desejar. Começamos com cerca de 20 personagens, o que até seria aceitável se metade deste número não consistisse em versões diferentes do Son Goku, Son Gohan e Vegeta (normal, super saiyan 1, super saiyan 2, etc). Infelizmente este factor é acentuado pelo facto de todas as personagens basicamente, lutarem da mesma maneira. Os golpes e os combos são iguais para todos os personagens quer estejamos a jogar com o Krillin ou com o Cell.

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Ao começarmos o jogo, só temos acesso ao modo Z Story, onde vamos percorrer de um modo geral os principais eventos da série Dragon Ball Z (a chegada de Raditz à Terra, a luta com Freeza em Namek, etc). Enfim, nada que não se tenha já feito em todos os outros jogos do Dragon Ball.

Findo este modo, desbloqueamos o Adventure Mode, uma história original onde todos os vilões da série estão de volta e cabe a Son Goku vencê-los de novo. Parece que estou a simplificar demasiado mas a história é basicamente esta. É neste modo que começamos a usar os Z Assist: da mesma forma que alternamos entre personagens (tocando no ecrã inferior) podemos invocar aliados e inimigos para nos dar uma ajuda momentânea. Estes são imensos, ao contrário das personagens jogáveis, e incluem Bulma, Tartaruga Genial e até o anunciador do grande torneio de artes marciais. Neste modo é-nos atribuída uma nota no final de cada combate (B, A ou S) e quando recebemos a nota S conseguimos desbloquear uma ou mais personagens para o Z Assist.

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Mas à medida que vamos jogando, vamos também notando o primeiro grande problema deste jogo: a dificuldade. Ou a falta dela. É ridiculamente fácil obliterar os adversários. Rapidamente mudei a dificuldade do jogo para Hard mas nem isso ajudou. A meio do Adventure Mode passei a consola para a mão de um conhecido e disse-lhe: ” é só carregares no Y” e ele venceu quase sem sofrer dano. Passei a consola a outra pessoa e aconteceu o mesmo.

O último modo a desbloquear é o Extreme World Tournament e antes de entrar neste modo, somos avisados que é um “Difficult challenge mode”. Uma luz de esperança acendeu-se na minha alma, mas depressa se apagou. É verdade que neste modo a dificuldade é acrescida mas muito pouco, e é também verdade que foi aqui que vi pela primeira vez o continue screen mas na tentativa imediatamente seguinte acabei o modo (desbloqueando o Beerus).

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Mas acabei por perceber o porquê desta dificuldade baixa: o grande incentivo neste jogo é desbloquear todos os Z Assist. Para o fazer, temos de atingir a tal nota máxima S, que está sempre associada a cumprir uma determinada missão durante o combate, missão a qual pode ser simplesmente acabar o combate com um ultimate ou algo mais difícil como derrotar o adversário sem sofrer qualquer dano, algo completamente impossível de fazer caso a dificuldade fosse maior. Por isso, em vez de colocarem missões mais acessíveis, a Arc Systems preferiu colocar o jogo ridiculamente fácil de modo a certificar que toda a gente, com a devida paciência similar à que usamos em jogos como Pokémon Shuffle, consegue desbloquear todos os Z Assist.

Isto demonstra que o jogo está principalmente direccionado para o jogador casual, o qual pega na consola para 1 ou 2 combates rápidos enquanto espera pelo comboio ou algo assim. Os jogadores mais veteranos ficarão desiludidos, mas isto seria evitado se o jogo tivesse algum modo de multiplayer online. A completa ausência de um modo online é o segundo grande problema. Existe o rumor que está para sair um patch que supostamente adicionará o modo online, mas por enquanto não é uma informação oficial.

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Dragon Ball Z: Extreme Butoden tinha tudo para ser um grande jogo com o comprovado sistema de combate da Arc System aliado a uma das franchises mais populares do mundo mas deita tudo a perder com a dupla ausência de uma dificuldade desafiante e de um modo online.

Positivo:

  • Gráficos fiéis ao material original
  • Sistema de combate viciante
  • Muitos Z Assist para desbloquear…

Negativo:

  • …em contraste com a falta de personagens jogáveis
  • Pouca diversidade nas personagens existentes
  • Demasiado fácil
  • Falta de componente online

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