Review – Tomodachi Life: Living the Dream

A telenovela em formato videojogo continua. A minha forma favorita de jogar Tomodachi é muito provavelmente a mesma de muitos outros jogadores, adicionar Miis que representam os vossos amigos e ver toda a desgraça que se vai desenrolar. O jogo é inicialmente imprevisível com algum nível de controlo e isso torna-o bastante divertido.

A início temos um tutorial bastante longo que nos leva a criar a primeira meia dúzia de residentes da nossa ilha. Com estes vamos aprender as mecânicas base, como interagir e fazer os miis interagir entre eles, apesar do livre arbitrio cabe-nos a nós dar uma mãozinha ao destino, e ainda realizar construções na ilha. Conforme o jogo abre novas mecânicas vão sendo adicionados locais e funcionalidades que vão desde comprar comida e roupas a desbloquear novas capacidades para os vossos miis. A personalização é de extrema importânica e por vezes até encontramos coisas que nos fazem questionar a sanidade da equipa que fez o jogo.

Dependendo da quantidade de Miis as vossas sessões de jogo vão variar imenso. Com cerca de 10 Miis uma sessão de jogo pode levar entre 15 a 20 minutos até que fiquem quase sem ocorrências dos residentes, obviamente que uma ou outra irão aparecer durante este tempo, mas regra geral os residentes irão acalmar. Dado que o jogo utiliza a funcionalidade de relógio da Nintendo Switch a altura em que abrem o jogo irá ditar o que os Miis estarão a fazer, se decidirem jogar de madrugada provavelmente estarão todos a dormir e podem entrar em alguns dos sonhos ou até encontrar um par de “Miis morcego” que deambulam com insónias.

Na minha experiência esta mistura de sessões curtas funciona lindamente, este é um jogo perfeito para ir jogando ao longo dos dias, um bocadinho de cada vez, tal como a vida real, vai acontecendo.

Neste jogo existem sempre opções de criação leves para quem não quer perder muito tempo e se contenta com representações parecidas das vossas ideias e opções extremamente minunciosas para os perfecionistas. As duas mecânicas de criação funcionam bastante bem e permitem edições posteriores, desde atributos físicos a sociais, podem personalizar praticamente tudo sobre o vosso Mii, até à voz. A voz é um dos elementos mais engraçados do jogo que apesar de deixar personalizar, fica sempre com aquele tom de robot de Inteligência Artificial primordial, tem o seu charme. Isto permite que quando inserem termos, nomes, interesses etc. o jogo não se limite a uma pré seleção em diálogos e expanda radicalmente as opções sem os típicos silências em tudo o que é criado pelo jogador. Podem ainda ensinar os Miis a dizer corretamente uma palavra com ajuda de uma ferramenta que corrige pronuncia e sons.

É possível construir relações dentro do jogo, fazendo com que, por exemplo, uma relação da vida real seja transportada para o jogo. Algumas têm que ser colocadas na edição do vosso Mii, como graus de parentesco, outras podem ser desbloqueadas através dos relacionamentos entre os Miis. Todos começam como estranhos entre si mas conforme as interações desenrolam, estas também mudaram desde estranhos a rivais, amigos ou casamento.

O absurdo é mesmo a principal mecânica do jogo e existe um certo entusiasmo em querer descobrir como certas situações se vão desenrolar e qual a reação dos diferentes miis. Uma das que me fez rir foi uma proposta de casamento que me obrigou a jogar um “space invaders” na mente do Mii para limpar a mente de pensamentos intrusivos e não atrapalhar o pedido de casamento. Tal como este, existem tantos outros momentos interativos que são representações de diversas situações.

Apesar de não existir multijogador, não quer dizer que não existam interações com outros jogadores. É possível partilhar Miis ou itens personalizados através de uma ligação local, o que apesar de não se rideal, sempre permite que um pouco da loucura de cada um trespasse as limitações da vossa ilha digital.

Conforme interagem com os Miis e atendem aos diversos pedidos, eles vão acabar por evoluir. Com o passar de nível, podem sempre atribuir-lhes algo novo, um objecto, uma forma de falar entre outros. Com o tempo cada Mii acabará por se transformar numa versão completamente única. Vão ainda ganhar algum dinheiro com cada interação, partindo do príncipio que é positiva, e ainda ganham “warm fuzzies” que utilizam para evoluir a ilha e, tal como os Miis, cada nível vem acompanhado de um novo item que neste caso pode ser um novo tipo de terreno, objecto ou uma viagem para os vossos Miis.

Em termos de apresentação é um jogo bastante simples mas com um charme bastante acentuado e tipicamente “Nintendo” que desde a altura da Wii marcou completamente os nossos cérebros. O jogo corre bastante bem, e devo dizer que apesar de o jogo ser dedicado à Nintendo Switch, este foi jogado numa Nintendo Switch 2 e não encontrei qualquer problema. Quanto ao som, a palavra que me vem à cabeça é mesmo “pateta” todos os arranjos e músicas parecem sempre querer evidenciar as diferentes situações e na sua maioria proporcionar momentos cómicos, parece mesmo que estamos a viver uma sitcom, só falta o som de risos da plateia.

No final de contas este é um jogo que faz tudo aquilo que um jogo pateta quer, é viciante, extremamente personalizável e dá para jogar ao longo de meses, sendo possível adicionar novos Miis à vossa ilha conforme tudo se desenrola. Se querem descontrair e ver o que um universo paralelo do vosso grupo de amigos anda  afazer, têm que experimentar Tomodachi Life: Living the Dream.

Alexandre Barbosa
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