Review – Shin Megami Tensei V: Vengeance

 

Quando há 20 anos Shin Megami Tensei 3: Nocturne (Lucifer’s Call na Europa) foi lançado na PS2, ainda nem Persona era uma série conhecida ou Shin Megami Tensei era um nome que a maioria tivesse conhecimento e outros conseguissem sequer pronunciar. 20 anos depois e Shin Megami Tensei V: Vengeance revelou ser um dos jogos mais aguardados do ano. A sua passagem pela Nintendo Switch demonstrou valor, mas a sua chegada a outras plataformas foi mais aguardada do que até eu podia imaginar.

Claro que há que dar valor a Shin Megami Tensei V, apesar das limitações da Nintendo Switch e alguns problemas com o core do jogo em termos de narrative, este foi sem dúvida um dos melhores JRPG que joguei nos últimos anos e estes (felizmente), não têm sido desprovidos de bons lançamentos. Porém, o que também dá mais força a Shin Megami Tensei V é o seu novo conteúdo. Em vez da Atlus fazer um port para as outras plataformas e PC, adicionou uma série de melhorias, aumentou a acessibilidade sem prejudicar a dificuldade e colocou toda uma nova história tanto para os veteranos, como para os novatos.

De uma forma muito crua, Shin Megami Tensei V: Vengeance são dois jogos em um. Claro que muito material é reutilizado, mas na verdade temos aqui duas campanhas, com bastante conteúdo diferente e mais história distinta, o que aumenta imenso o valor do que aqui temos, especialmente se nunca jogaram o jogo base na Nintendo Switch. Estamos a falar algo que pode ir entre as 100 e as 200 horas de jogo no total, caso queiram explorer tudo até ao tutano.

Em si, o jogo continua a ser praticamente o mesmo. Existem várias zonas que vamos visitar que servem como mundos abertos de pequena escala. Nestes mundos vamos explorar, combater muito e realizar missões principais e alternativas. A história vai nos levar também a outras zonas, mas o centro do jogo é este. Embora os cenários possam parecer pequenos para o contexto recorrente de um mundo aberto, a verdade é que estes mundos estão muito bem conseguidos, com várias zonas interligadas, pequenos esconderijos e muita coisa para fazer.

O combate continua a ocorrer no sistema clássico de turnos, com utilização neste caso do Press System, que confere mais turnos à medida que usamos a fraqueza dos inimigos e perdemos turnos quando falhamos ataques ou o próprio inimigo abusa das nossas fraquezas. O sistema de combate e evolução continua a ser um dos melhores dos últimos anos e o sentimento de progresso e melhoria constante que os combates e evolução dos demónios, que podemos juntar à equipa, são tão recompensadores que até cheguei a escrever um artigo sobre isso em tempos passados.

Claro que embora a parte central do jogo não tenha sofrido grandes alterações, é através de pequenas coisas que Shin Megami Tensei V: Vengeance mostra que pequenas coisas fazem grandes diferenças. Desde a possibilidade de gravar o jogo em qualquer lado, passando pela introdução de linhas que nos transportam pelo mapa entre pontos até à introdução de vista área e combates consecutivos, estes são apenas a ponta do iceberg numa lista gigantesca de pequenas coisas que fazem a diferença nas contas finais. A isto juntamos mais demónios, mais habilidades, mais interacções entre humanos e a personagem principal e até um mundo extra onde visitamos os nossos demónios aliados para ter conversas estranhas e ganhar items.

A juntar a uma série de melhorias, outro grande salto foi o visual. Caso joguem na Nintendo Switch, não vão sentir uma grande diferença, mas jogar nas outras plataformas (especialmente no PC), libertam o jogo das correntes da tecnologia que o prendiam e passa assim para 4K a correr acima de 60FPS, o que é uma diferença do dia para noite. Tudo parece muito mais limpo e com menos nevoeiro, não existem quebras na fluídez quando existem vários inimigos no ecrã e as animações até parecem muito mais fluídas. É um salto bastante grande que mostra bem o poder entre gerações.

Fugindo também às limitações de tempo e dando mais conteúdo ainda, o novo caminho de história, além de ter muito conteúdo falado, com actores de voz com bastante qualidade, é ainda alvo de uma adição de quase quatro horas de música adicional, por isso nem é por isso que se vão sentir que estão a repetir algum conteúdo no Canon of Vengeance. De qualquer forma, como a banda sonora em si é simplesmente fantástica, é mais um rol de grandes músicas para juntar às originais, o que eleva a banda sonora de Shin Megami Tensei V: Vengeance até perto das 10 horas.

Normalmente, no que toca a este tipo de jogos, a conversa costuma ser quase sempre a mesma: “Se já jogaram o original, então não há aqui muito mais que justifique uma segunda passagem.” ou, “Este jogo é ideal para quem nunca jogou o original, pois pouco foi adicionado”. No caso de Shin Megami Tensei V: Vengeance a história é diferente, a Atlus fez aqui o mesmo que fez com Persona 5: Royal e mesmo que o jogo base seja o mesmo, foi adicionado conteúdo mais do que suficiente para justificar uma segunda investida, mesmo para quem o jogou na Nintendo Switch quando foi lançado originalmente.

Shin Megami Tensei V: Vengeance confirma a qualidade do produto original e mostra que a Atlus é exímia em expandir o seu conteúdo para o valorizar, sendo mais do que apenas uma conversão com meia dúzia de melhorias. Continua a ser uma boa proposta para quem o quer jogar novamente e acima de tudo, essencial para quem o vai jogar pela primeira vez.

Positivo:

  • Muito conteúdo para novatos e veteranos
  • Várias melhorias de jogabilidade
  • Upgrade elaborado de visual
  • Sistema de combate e evolução
  • Banda sonora

Negativo:

  • Picos de dificuldade
  • Primeira campanha parece básica comparada com a nova

Daniel Silvestre
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