Jogos do Ano 2019 – As escolhas do Mathias Marques

Mais um ano mais uma seleção de jogos do ano. Como é habitual as minhas escolhas abordam o factor de “entretenimento” e “satisfação” ao invés dos aspectos técnicos que costumam tomar prioridade neste tipo de seleções (embora possam ser um factor).

Devido a isso esta lista pode nem contar com 10 jogos, e também porque eu não cheguei a meter a mão a muitos dos jogos que saíram este ano, alguns deles muito esperados por mim e outros desejados pelo público. Mas tal como é habitual cheguei a meter as mãos em bons jogos que saíram em anos anteriores, e devido a isso sinto-me obrigado a fazer uma recomendação rápida a Portal 2 ; Final Fantasy XIV: A Realm Reborn ; 100% Orange Juice ; South Park: The Stick of Truth ; SCP: Secret Laboratory ; The World Ends With You Final Remix ; Mario Tennis Aces ; Watch_Dogs ; The Legend of Heroes: Trails in the Sky.

Pondo a introdução de lado, vamos passar às minhas escolhas deste ano.

 

6 – Mary Skelter 2 (Nintendo Switch)

Tal como disse durante a minha análise, fiquei impressionado com o primeiro jogo devido a ser algo fora do comum daquilo que a companhia costumava fazer mas de ao mesmo tempo ter feito tudo funcionar e sem grandes problemas. E tendo em conta que o primeiro jogo havia terminado a sua história estava então curioso para ver o que esta nova entrada iria oferecer em termos de narrativa e qualidade.

O que eu mais receava não tornou-se realidade, embora alguns problemas que eu tive com o primeiro jogo continuassem presentes neste, mas Mary Skelter 2 tornou-se noutro aventura interessante. Gosto da ideia de explorar um cenário alternativo com o conhecimento do jogo anterior, sabendo alguns segredos mas ao mesmo tempo ver novas personagens e situações e também uma nova história que está a fugir às garras do jogo anterior, e é isto que Mary Skelter 2 acaba por oferecer (por detrás várias horas de dungeon crawling).

Como bónus o jogo até conta com um remake do primeiro jogo.

 

5 – Apex Legends (PS4, Xbox One, PC)

Free-For-All, Team Deatmatch, Battle Royale, etc… no fundo são todos o mesmo tipo de jogo, apenas muda a dimensão do mapa e se o jogador ressuscita ou não. Por alguma razão agora é “cool” odiar o género quando que existem vários outros géneros que lançam jogos todos os anos, mas a razão é simples, Battle Royale está popular neste momento e então como é normal o pessoal tem de odiar o que é popular. Dentro disto obviamente que várias produtoras vão tentar a sua ideia e criar algo original, algumas dessas ideias não são as melhores enquanto que outras acertaram em cheio e oferecem variedade ao novo género.

O sucesso de Apex Legends deve-se a vários elementos, mas o foco principal, e a ideia por detrás do jogo, é o ponto mais forte do mesmo. Os jogadores são obrigados a jogar em equipas de três, mas para combater aqueles momentos em que ninguém fala ou por não possuir um microfone ou simplesmente porque não gosta, o jogo decide incluir a ideia brilhante de marcadores. Através do carregar de um simples botão é possível avisar os nossos companheiros da localização de inimigos, onde queremos ir, armas e outro equipamento que eles podem vir apanhar, etc. É algo que funciona bastante bem e que até pode servir de introdução a jogos online e convivência com outras pessoas para quem é mais reservado ou simplesmente nunca gostou de juntar-se a outras pessoas online.

Também gosto do aspecto do mapa, as cores utilizadas e até a sensação de quando estamos a disparar uma arma. O som que é criado quando o jogador atinge um adversário e até as indicações visuais são bastante satisfatórias e nem me lembro da última vez que um FPS/TPS fez-me sentir assim, sendo que normalmente apenas existe o barulho da pistola e mais nada. E o jogo é grátis por isso não custa nada (literalmente) experimentar.

Apenas gostaria de ter mais tempo para o poder jogar.

 

4 – Tetris 99 (Switch)

Falando em inovações, e que tal pegar num jogo popular e inserir um género que ninguém esperava que iria combinar bem? E é assim que Tetris 99 vê a luz do dia.

Algo que a início deixou muitos apreensivos acabou por conquistar os fãs de Tetris, enquanto que os novatos acabavam por cair em ambos os lados da moeda. Alguns não gostam da maneira como o jogo é (é Tetris não existe muito a dizer), enquanto que outros gostaram da ideia do online (agora também com uma versão offline) e da simplicidade deste “novo” jogo que acabaram de descobrir.

Tetris 99 é um daqueles jogos onde todas as partidas são rápidas e o jogador continua a fazer mais uma e ainda mais outra até um bom par de horas ter passado.

 

3 – Dragon Quest Builders 2 (PS4, Xbox One, Switch, PC)

Tal como referi na minha análise ao jogo, apenas peguei na demo do primeiro e apesar de achar que era algo bem feito senti que não era para mim, no entanto Dragon Quest Builders 2 é outra história (literalmente).

A ideia de um spin off colocar o jogador a criar amizades com os típicos inimigos da série é interessante, e Dragon Quest Builders 2 apresentou logo de imediato melhores mecânicas que simplificam a vida aos jogadores quando comparado com o primeiro. Sim, o jogo é basicamente Minecraft com skins de Dragon Quest, mas não só, existe um jogo inteiro com as suas próprias mecânicas e ideias que o tornam diferente de Minecraft e ao mesmo tempo faz lembrar Dragon Quest, afinal um spin off digno do seu nome adapta o jogo original um novo género ao invés de apenas inserir skins.

Passei um bom tempo com Dragon Quest Builders 2 e gostei imenso de estar a construir e reconstruir tanto a aldeia como outros locais ou até simples abrigos de emergência que ou tinham lugar dentro de montanhas ou debaixo do chão ou até em cima de árvores (desde que me lembrasse de não as meter a baixo). Ainda para mais, podem convidar três amigos online para vos ajudar nas vossas construções, e caso ainda não estejam convencidos existe até uma demo que podem experimentar. Dragon Quest Builders 2 é um bom jogo para passar o tempo e dar asas à imaginação com as vossas criações, desde que não façam por acidente a casa de banho no topo de uma colina que é apenas acessível por escadas de corda, algo bastante inconveniente.

 

2 – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel I / TLoH: ToCS II (PS Vita, PS3, PS4, PC)

A série Trails of Cold Steel da franquia The Legend of Heroes é uma que há já vários anos tinha na cabeça mas que sempre recusei a tocar por uma simples razão, estava à espera que os remasters fossem lançados no Ocidente. Podia ter tocado nos jogos na PlayStation Vita ou até PlayStation 3, mas por duas simples razões nunca o fiz: 1 – Os gráficos seriam um pouco mais datados ; 2 – Ouvi dizer que não dava para controlar a câmara nestas versões (algo que foi desmentido mais tarde), sendo que então esperei e esperei, sempre atento a novidades em relação à série mesmo sem realmente saber sobre o que se tratava, ora, estava basicamente a fazer hype para mim próprio sobre algo que não conhecia, havia de tudo para correr mal e eu odiar a série no primeiro momento em que lhe tocasse, mas no final isso não aconteceu e tal como foi o caso do Daniel Silvestre, esta é agora uma das minhas séries JRPG favoritas quando os remasters do primeiro e segundo jogo saíram este ano (o terceiro também saiu pela primeira vez no Ocidente durante este ano mas não tive oportunidade de lhe pegar).

Existe uma razão por detrás disso, Falcom, a produtora da série. A Falcom tem um estilo único que tem vindo a usar há já algum tempo com alguns dos seus jogos e em especial na série Trails no que toca às suas personagens, e por personagens refiro-me a todas que encontram durante a vossa aventura e não apenas os protagonistas desta história. Cada NPC tem a sua própria narrativa que vai-se desenrolando à medida que o jogo avança (ou basicamente em todos os momentos em que a hora muda), e por vezes algumas dessas narrativas tornam-se em missões secundárias onde o jogador possui o contexto da situação e acaba por melhor apreciar esta pequena tarefa extra se dispensou um pouco do seu tempo para ver o que estas personagens ofereciam. É interessante ver como ao longo do jogo algumas destas personagens secundárias e que em todos os outros jogos os jogadores apenas interagem uma vez apenas para as ignorar durante o resto da história, acabam por ter algo interessante a acontecer por detrás da drama principal que está a chamar toda a atenção. Mas não é tudo.

As personagens principais, isto é, o grupo o qual o protagonista faz parte, vem todos de situações familiares e vida diferentes, alguns deles com os seus segredos até, mas o jogo sabe em que altura deve abordar estes temas e que também não necessita de fazer um grande mistério sobre coisas que os jogadores já deduziram, revelando até certas coisas para os jogadores mas não às personagens, fazendo com que a situação torne-se numa onde as personagens necessitam de ganhar coragem e terem confiança nestas novas amizades que fizeram para partilharem os seus segredos. Algo que muitos outros jogos iriam guardar até ao fim para ser uma grande revelação ou um plot twist é lidado de uma melhor forma nesta série e nem sequer é um terço daquilo que a história tem para oferecer. Já para não falar que se existir alguém que não seja muito bom neste tipo de jogos, a série conta com uma pequena opção para voltar a tentar o combate mas com os inimigos mais fracos, o que me leva ainda mais a convidar todos a experimentar a série se querem aquela sensação de um “anime sem fillers”.

Isto tudo sem eu referir a boa jogabilidade e banda sonora, ou o facto de Fie (a pequenita de cabelo branco) ser a best girl e uma das melhores personagens de sempre, e vocês irão saber logo de imediato porquê.

 

1 – Devil May Cry 5 (PS4, Xbox One, PC)

Em 2008 saiu um jogo sob o nome de Devil May Cry 4. Ao contrário do que muitos esperavam, este jogo não contava com Dante como protagonista (isto até chegarem a meio do jogo) mas sim um novo rapazote que tinha de mostrar aos fãs aquilo que valia. Chegando ao fim do jogo Nero havia conquistado pelo menos metade como personagem favorita para jogar, e no fundo ninguém o odiava realmente (em especial com todas aquelas pistas que indicavam que ele poderia ser filho de Vergil), a personagem foi então aceitada como a nova cara de Devil May Cry e os fãs apenas perguntavam-se o que iria acontecer no próximo jogo… e eis que o reboot aconteceu.

Tempos negros onde uma franquia fora entregada a uma produtora que não entendia aquilo que os fãs queriam e gostavam da série, apenas gozando com a série e os fãs. Mas naquilo que parecia ser um horrível pesadelo sem eis que a Capcom decide lançar Devil May Cry 4: Special Edition no ano de 2015. Esta versão continha novas personagens jogáveis e até uma história adicional que finalmente confirmava aquilo que muitos já sabiam sobre a relação entre Nero e Vergil, mas foi aqui que a questão foi colocada. Estará a Capcom a tratar de pontas soltas porque nunca mais iremos ver nada relacionado com a série original, ou será…

No ano passado, basicamente 10 anos desde o lançamento da versão original de DMC 4, o desejo dos fãs foi finalmente concretizado e com a garantia de Hideaki Itsuno de que este jogo iria superar todas as nossas expectativas. Muitas produtoras dizem sempre “este vai ser o melhor jogo” mas não é todos os dias que alguém diz que o jogo será ainda melhor que aquilo que os fãs esperam, e não é todos os dias que essa promessa é cumprida. Devil May Cry 5 é um dos jogos da geração, é um jogo que tem tudo em conta para os fãs, incluindo os fãs de Devil May Cry 2 e do reboot DmC: Devil May Cry, entrega a história que os fãs queriam mas nem sequer haviam pedido, as personagens continuam fieis ao estilo da série em termo de humor e a jogabilidade é simplesmente fenomenal.

A série Devil May Cry sempre foi uma onde o objectivo é o de combater com estilo ao mudar entre vários combos e armas e fazendo taunts durante as batalhas, e as possibilidades que Devil May Cry 5 oferece são imensas, não só com Dante como já era habitual na série, mas também com Nero e até com a nova personagem V que a início parece fora de sítio devido à sua jogabilidade mas que rapidamente sente-se em casa. E o mais importante é que nem é necessário fazer todos os combos e etc, mas o jogo convida todos a experimentar incluindo os novatos e no final do dia todos estão a ter um bom momento quer a jogar ou a ver as personagens a interagir umas com as outras. O género hack-and-slash não tem tido grande presença mas Devil May Cry 5 relembra o porquê de ser uma das melhores franquias dentro do género e que todos deviam experimentar (existe uma demo por isso aproveitem).

Ainda me custa a acreditar que a Capcom conseguiu guardar este enorme segredo tão bem e de em menos de um ano após ter sido revelado de o jogo estar disponível para todos e sem a enorme quantidade de bugs e updates que se vê hoje em dia, um trabalho muito bem feito por parte de toda a equipa.

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