Análise – Devil May Cry 5

A Capcom parece estar a remar numa maré de revivalismo e aceitação. Depois de uma primeira fase estranha nesta geração e algumas práticas estranhas na anterior, foi com jogos como Resident Evil 7, Monster Hunter World e Resident Evil 2 que a companhia parece ter percebido o que os jogadores realmente esperam deles.

Depois de lançamentos tão bem sucedidos e aplaudidos pela crítica e fãs, um Devil May Cry a sério dentro da sua linhagem de jogos é o claro exemplo de que a corrente está cá para ser mantida. É melhor ainda quando o resultado deste risco resulta num jogo que é exactamente aquilo que devia ser e ainda mais.

Quem me conhece sabe bem que gosto bastante de Devil May Cry, mas está longe de ser o meu estilo favorito de jogo ou série (ainda para mais devo ser dos poucos que até gostou de Devil May Cry 2). No entanto é impossível resistir à acção de alto gabarito, humor e personagens desta série. Devil May Cry 5 consegue juntar todos os jogos num só (até com pitadas de DMC) e fazer um dos melhores (se não mesmo o melhor) jogo da série.

Em Devil May Cry 5 jogamos com mais do que uma personagem, já que temos Dante, Nero e V, um novato nestas andanças que é tudo menos isso no combate e ligação ao mundo dos demónios. A história não é fantástica, nem muito menos tenta ser, dando mais ênfase às situações exageradas e personagens fanfarronas, mas gostei até bastante do mistério que cria em redor das intenções dos vilões e o véu que continua a manter sobre a entidade de V. Claro que os diálogos são a melhor parte, já que a vasta maioria passa apenas por conversas entre personagens que tentam ser mais badass que as outras que estão no ecrã.

Um dos piores defeitos de Devil May Cry 5 é a vontade suprema que tem de fazer parar a acção para nos mostrar coisas que podiam ser apresentadas durante a jogabilidade. Isto é algo que acontece imenso durante a primeira hora de jogo, mas que acaba por desvanecer à medida que jogamos. É uma bênção, pois algumas destas cinemáticas mostram acrobacias e ataques soberbos que nunca conseguimos replicar exactamente em combate a sério. Mesmo que assim seja, não quero com isto dizer que o combate deste jogo é mau, mesmo que também demore um bocado a ficar realmente bom.

Com a presença de três personagens, existem três estilos de combate distintos. Nero usa um misto de espada, arma de fogo e um braço (Devil Breaker) que pode ter várias utilidades. Estes braços vão sendo desbloqueados e chegam em todo o estilo de formatos. Uns servem para puxar inimigos, outros para os empurrar para longe e até um que podemos usar como uma prancha-foguete. Dante usa o formato mais clássico, embora tenha vários tipos de armas disponíveis e a capacidade de se transformar em demónio. Por fim, temos V, que é capaz de ser a personagem mais interessante mas menos divertida na minha opinião. Como lutam com os três demónios que consegue invocar, todo o combate é tido à distância até haver espaço para desferir o golpe final.

Como disse, o combate também começa limitado, mas a utilização das Red Orbs abrem um bom número de possibilidades e novas acções. Depressa estava a voar pelos cenários em direcção aos inimigos e a fazer combos que me deixavam orgulhoso. Nem todas as evoluções valem mesmo as Red Orbs que gastam nelas, mas todas as personagens ficam bem melhores com algumas das habilidades. Curiosamente, é possível comprar barras de vida com as Orbs e senti que fiquei bastante resistente muito mais cedo do que devia, por isso o desafio parecia sempre muito menor. Eu sei que existem dificuldades mais elevadas, mas mesmo em normal não deveria sentir tão impermeável. As Orbs também podem ser usadas para comprar novos braços para Nero ou cristais amarelos que funcionam como vidas.

A história acaba bastante depressa, consegue ser menos de 12 horas se não ligarem muito a coisas extra, mas existem sempre localizações secretas com desafios para descobrir e possibilidade de repetir as missões para receber todos os SSS disponíveis. O facto de parecer que passa depressa é bom sinal, pois demonstra que o jogo segue a bom ritmo e está focado em ser uma boa experiência. Quem quiser (embora não apoie), existe sempre a hipótese dos mais apressados poderem comprar Red Orbs através da Store para acelerar o ritmo a que desbloqueiam as habilidades.

Visualmente Devil May Cry 5 é bastante forte. A versão que recebemos de análise estava bastante optimizada e correu a 60fps na minha máquina (quebras de fluidez raras). Mesmo não tendo um PC de topo, consegui puxar o visual até ao máximo e ter uma experiência fantástica de jogo (até mesmo a gravar com o OBS ao mesmo tempo. Os gráficos estão muito bons e o motor RE consegue dar um detalhe realista às personagens e cenários muito bons. O visual nunca tenta saltar o Uncanny Valley, por isso o resultado é bastante coerente.

A banda sonora é muito boa e com um ritmo frenético. Existem algumas músicas cantadas que são positivamente estranhas à primeira e que fazem sentido neste jogo. Joguei com as vozes em inglês e posso dizer que o trabalho vai do espectacular ao incomodativo. Nero está perfeito e V fica muito bem. A voz do Dante está diferente mas bastante aceitável, mas não consigo gostar do sotaque da Nico, mesmo que encaixe na personagem, a personalidade aliada à voz fazem com que pareça exagerado. É uma pena, pois a Nico tem momentos bastante bons ao longo do jogo.

A parte mais interessante de toda esta análise é que nem era eu que estava mais entusiasmado com o jogo e acabo por analisar aquele que é provavelmente um dos melhores jogos deste início de ano. A Capcom parece ter percebido que o caminho é exactamente agradar aos fãs e expandir aquilo que já faziam bem. Assim sendo, Devil May Cry 5 é o jogo ideal tanto para os fãs da série, como todos aqueles que querem um bom jogo de acção exagerada e verdadeiramente divertida.

Positivo:

  • Bom regresso à fórmula original
  • Situações “over-the-top”
  • Interacção entre as personagens
  • Combate bem construído
  • Visual impressionante

Negativo:

  • Fio narrativo básico
  • Combate com V é um pouco desajeitado
  • Algumas vozes mais irritantes
  • Não podemos jogar com Trish ou Lady

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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