Análise – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II

Não é segredo para ninguém que eu sou um grande fã de RPGs, especialmente se formos falar em RPGs japoneses. Quando estes conseguem misturar elementos clássicos como combates por turnos com uma boa história, é o momento em que me sinto satisfeito por acompanhar este género há tantos anos.

Como alguém que já experimentou tantos jogos do género, já não é tão fácil descobrir séries ou mesmo jogos isolados que me consigam apanhar de surpresa. The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel não o conseguiu fazer da primeira vez (quando lançado na PS Vita), mas conseguiu à segunda quando o joguei na PS4. Agora esta conseguiu um lugar entre as minhas favoritas, o que me deixou ainda mais interessado no segundo jogo desta saga, que faz parte de um universo ainda maior.

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II começa pouco tempo depois do segundo jogo e continua a contar a história directamente, por isso, embora não seja obrigatório jogar o primeiro, é altamente recomendado que o façam, afinal muita da história e impacto criado pelas personagens depende bastante da vossa ligação a este universo.

Como a história é boa e o jogo está bastante bem localizado, os diálogos e exposição estão bem longe do comum RPG onde as coisas são atiradas para o vazio. Aqui, parece que quase todos os acontecimentos fazem parte do mundo e tudo está ligado ou acontece por um motivo, por isso nunca sentimos que estão a encher chouriços apenas porque sim. As personagens também continuam a evoluir e existem novos aliados e inimigos que vão surgindo durante a campanha.

Se o primeiro jogo era um pouco mais contido e linear por ter lugar dentro da academia de Thors, o segundo jogo muda completamente o ritmo, deixando a escola para trás e tendo como foco a exploração do mundo e a reunião de diversas personagens. Não vou dar spoilers sobre o enredo, mas quem seguiu o primeiro sabe exactamente como o primeiro termina e o cenário negro que se montou nos últimos momentos.

Apesar da mudança no progresso, muita coisa continua igual. O combate sofreu pouca evolução, continuando a ser tido numa área própria com um sistema por turnos onde o posicionamento das personagens e inimigos é afectado por certos ataques. Algumas mecânicas extra foram adicionadas, como o caso dos ataques em equipa que podem ser feitos ao longo de vários turnos, mas quase tudo o que foi feito de bom no primeiro, regressa agora neste segundo jogo. Além disso, algumas personagens mais icónicas acabam por se juntar à equipa em certas partes, o que é bastante empolgante.

O sistema de amizade continua a estar presente, por isso à medida que combatem com os colegas presentes ou realizam actividades com eles nos tempos livres, vão subir no nível de amizade e criar novas possibilidades de equipa durante o combate. Fora isso, vão surgindo mais alguns mini-jogos, como um de Snowboard que criam mais momentos de lazer durante a aventura.

Apesar de ser em si toda uma nova história, a única coisa que realmente me aborreceu um pouco em The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II foi o regresso a algumas zonas do primeiro jogo. O facto de regressar e rever certas áreas tem a sua piada, claro, mas ter de fazer algumas missões obrigatórias nestas zonas que me fizeram repetir os mesmos caminhos com alguma frequência acaba por ser aborrecido. Os “novos” combates entre Mechs embora não sejam ofensivos, nunca me fizeram sentir que são uma adição fantástica, por isso é quase apenas uma variação no conceito já existente que falha por vezes por questões de tentativa e erro.

Tal como o primeiro primeiro jogo, também The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II tem como base a PS Vita, por isso o visual deste jogo não é, como é óbvio, dos melhores que podem encontrar na PS4. É certo que foi feito algum trabalho para aumentar a resolução, a fluidez e a qualidade dos modelos das personagens, no entanto, continua a ser bastante simples e até vazio em algumas zonas. De qualquer forma, o modelo das personagens é bastante bom e a arte está dentro dos mesmos padrões.

Seguindo as pisadas do jogo anterior, temos uma banda sonora de alta qualidade, que pode estranhar a início, mas que se torna em algo único com o avançar das horas. Outro ponto alto é a componente vocal. Eu adoro as vozes em inglês de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II e não sinto necessidade de jogar em japonês, o que me faz recear a ausência de algumas personagens para The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III que irá sair ainda este ano na Europa. Vamos esperar que todos aceitem regressar aos seus papeis.

Como grande aficionado de JRPG que sou, não é fácil eu recomendar uma série com facilidade. Depois de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel e agora com The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II, não tenho problema nenhum em defender esta série da Falcom como uma das grandes referências dos JRPG modernos. Seja pela história, construção do mundo ou pelas personagens que vão crescendo à medida que jogamos, este segundo jogo leva esta saga para um caminho que vale a pena continuar a seguir.

Positivo:

  • Universo do jogo
  • Interacção entre as personagens
  • Combate
  • Banda sonora
  • Trabalho vocal e localização

Negativo:

  • Exploração repetitiva de zonas já visitadas
  • Combates com mechs pouco empolgantes

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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