Análise – Dragon Quest Builders 2

  • Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Quando o primeiro Dragon Quest Builders foi anunciado grande parte dos jogadores olhou com desconfiança para o jogo, mas alguns dos fãs e também curiosos que nunca tocaram na série decidiram experimentar e deram de caras com um jogo bastante bom e que foi muito bem recebido. Algo que ninguém estava à espera era de uma sequela ser anunciada já que parecia ser uma ideia que seria executada uma vez só.

No que toca à minha pessoa apenas cheguei a experimentar a demo de Dragon Quest Builders que se focava na introdução do jogo. A combinação entre o elemento de Minecraft com a série Dragon Quest foi algo interessante e bem feito, mas na altura não achei que fosse um jogo para mim mas sim algo mais virado para os velhos fãs da série ou aqueles que queriam experimentar algo novo. Já os primeiros minutos de Dragon Quest Builders 2 foram o suficiente para me conquistar. A grande diferença era que o início do primeiro jogo era rápido na sua introdução e atirava imediatamente os jogadores para este novo mundo de construção onde era necessário como herói, reconstruir vilas e ajudar quem necessitava, enquanto que Dragon Quest Builder 2 atira com o novo protagonista numa situação completamente diferente.

Dragon Quest Builders 2 tem lugar alguns anos após os eventos do jogo anterior que era uma continuação de um final alternativo do Dragon Quest original, por consequência, Dragon Quest Builders 2 também é uma continuação de Dragon Quest 2 mas para todos os efeitos é apenas Dragon Quest Builders que importa e nem este é assim tão importante para a história caso não o tenham jogado. No final do primeiro jogo o vilão é derrotado e devido a isso o exército de monstros ficou mais fraco, com alguns a separarem-se e até a criarem as suas próprias facções; tudo o que o herói de Dragon Quest Builders construiu está em ruínas e a profissão de “Builder” (construtor) é considerada ilegal, com os humanos a serem reinados pelos monstros. O novo herói, um Builder tal como os outros, está a bordo de um navio controlado por monstros, sendo um prisioneiro dos mesmos até ao momento em que o navio se afunda e o protagonista acaba numa ilha onde encontra Malroth, uma pessoa com amnésia mas que na realidade é o Deus da Destruição.

A razão pela qual fiquei conquistado deve-se aos monstros e Malroth. Apesar de o jogador ser um prisioneiro este é forçado a criar coisas naquilo que basicamente é um tutorial, mas este pequeno tutorial é o suficiente para mostrar que uma relação começa a formar-se entre estes monstros e o novo protagonista. A ligação com os monstros não está apenas presente no tutorial, com outros monstros amigáveis também a aparecer durante a aventura e a interagir com o jogador. A presença de monstros inimigos continua a fazer-se sentir, mas estas pequenas interacções tornam o mundo bastante melhor pois estes são bem mais interessantes que os simples humanos. Malroth por sua vez está num patamar completamente diferente, onde de cada vez que este vê alguém a primeira sugestão que faz é o de eliminar essa pessoa ou monstro, e está sempre pronto para aniquilar quem quer que seja ou que esteja a criar problemas para o protagonista. Mesmo que Malroth queira eliminar tudo e todos, existe apenas uma pessoa na qual ele confia e esta pessoa é o jogador, criando uma relação diferente das outras ao ponto de ver o mesmo a começar a mudar um pouco e a tomar interesse em novas coisas.

A história foca-se então um pouco por todos esses temas, Malroth e a sua amnésia, a convivência com monstros, a reconstrução de tudo o que o herói do jogo anterior havia feito e mais. Vão encontrar várias interrupções durante as vossas construções para o diálogo ter lugar e avançar a história, que dependendo da forma como jogam poderá ainda durar um bom tempo.

Quanto aos elementos técnicos do jogo, Dragon Quest Builders 2 conta com uma boa apresentação que combina os elementos cúbicos inspirados em Minecraft com os temas da série Dragon Quest, oferecendo até capacidade para criar grandes obras de arte. A música tem um tom calmo que acompanha as várias horas que passam a construir edifícios ou outro tipo de construções que queiram realizar, mas talvez podia oferecer algo mais ou até a possibilidade de mudar de tema. Caso desejam podem também jogar num modo em primeira pessoa que muda um pouco a perspectiva das coisas, em especial quando estão a entrar em edifícios ou outros locais que tenham construído.

Passando então para a jogabilidade, esta sofreu algumas mudanças quando comparado com o jogo anterior. Algo que irá agradar imenso a quem jogou Dragon Quest Builders é o facto de a mochila agora ter um espaço ilimitado e também de o vosso equipamento não ter uma duração, ou seja, coisas como espadas e semelhante podem ser usados durante o jogo todo sem nunca partir e obrigar o jogador a criar uma cópia nova. Agora caso queiram podem nadar ou até voar (após chegarem a certa altura no jogo), algo que não estava presente no jogo anterior, incluindo até um sistema de fast travel, algo desejado por muitos fãs. No entanto um elemento que mantém-se e que não adiciona nada ao jogo é o sistema de fome que obriga o jogador a procurar comida ou cozinhar algo para manter a sua fome fora do zero.

Em termos de exploração de terreno, este continua igual; o jogador colecciona materiais como terra, madeira, pedra, e pode usar os mesmos para construir edifícios ou então criar equipamento ou objectos que sejam necessários para a construção de edifícios. Malroth vai acompanhar sempre o jogador e começar a atacar os alvos do jogador, se for um monstro inimigo Malroth irá enfrentar esse monstro ou outros que estejam a atacar o grupo, se for algo como árvores então Malroth começará automaticamente a derrubar árvores e coleccionar madeira até o jogador focar-se em algo novo ou afastar-se da zona. Para progredir na história é necessário completar missões que na sua maioria requerem a construção de qualquer coisa, algo que não muda quando comparado com o primeiro Dragon Quest Builders, incluindo o facto de um quest log continuar ausente, complicando por vezes a vida ao jogador quando este quer ver o que é necessário fazer e obrigando o mesmo a voltar atrás e procurar pelo NPC que deu a missão para ouvir novamente os detalhes.

Um dos problemas durante as sessões de construção para completarem as missões ou simplesmente melhorar a cidade é de os limites de esta serem um pouco pequenos. Várias vezes tinha algo em mente, ou já havia construído algo, quando um NPC aproxima-se e pede algo novo que vem descarrilar os meus planos e obrigar-me a pensar em algo novo. Por fim ao invés de expandir a cidade para os lados acabei por construir mais andares superiores e subterrâneos, em especial para as minhas colheitas pois a invasão dos monstros para destruir as mesmas é sempre chata. Falando em monstros, acaba por ser um pouco irritante a rapidez com que estes fazem respawn, em especial os que utilizam ataques de logo alcance, pois o jogador elimina os inimigos na zona para poder explorar ou construir algo e em menos de um minuto estes estão de regresso e a incomodar novamente o jogador.

A novidade final que irá agradar aos fãs é a adição de um modo online que permite até um total de quatro jogadores na mesma aventura para assim poderem explorar e construir em conjunto, embora o melhor seja combinar com amigos e terem uma forma de comunicação disponível para poderem ordenar melhor o que querem fazer. Ainda no tema de construções, uma vez que este é o foco principal do jogo, podem partilhar as vossas criações com outras pessoas através de fotografias que tiram durante o jogo, sendo bastante interessante ver o que muitos andam a fazer ou até os que colocam várias fotos com os seus projectos em andamento.

Dragon Quest Builders foi um jogo que ninguém pediu mas que impressionou muitos, Dragon Quest Builders 2 é uma sequela que também ninguém pediu mas que mais uma vez excedeu todas as expectativas. As novidades integradas no jogo apenas melhoraram o que o primeiro já havia apresentado, a história e as personagens tem o seu charme e a adição de um modo online torna as coisas ainda melhor. A este ponto não é de todo descabido que os fãs começam a pedir por mais inovações para o jogo ou uma suposta terceira edição para este spin-off, ou então por novos spin-offs para a série Dragon Quest uma vez que Dragon Quest Builders teve um sucesso enorme por duas vezes seguidas.

Positivo:

  • Malroth é uma personagem interessante
  • Convivência com monstros
  • Mochila com espaço ilimitado
  • Equipamento sem duração
  • Possibilidade de jogar com outras pessoas
  • Adição de novos elementos como fast travel e mais

Negativo:

  • Monstros inimigos fazem respawn demasiado depressa
  • Limites da cidade podiam ser maiores
  • Sistema de fome não adiciona nada ao jogo
  • Quest Log continua a estar em falta

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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