Yakuza Kiwami 3 é o remake de Yakuza 3, originalmente lançado em 2009 para a PS3. Como os anteriores Kiwami, esta é uma edição melhorada e ainda incluído neste pacote encontra-se Dark Ties uma nova história que utiliza personagens, cenários e jogabilidade de Kiwami 3 para contar uma nova narrativa no universo de Yakuza, no fundo um jogo extra mais curto.
Desta feita os locais que servem como pano de fundo são a nossa habitual Kamurocho e Ryukyu. Ambas as cidades estão repletas de vida e apesar de representarem ambientes diferentes não me senti um peixe fora de água em nenhuma, tendo em conta aquilo que Yakuza nos habituou. Falando em coisas do costume, sim, Yakuza Kiwami 3 continua a não se levar muito a sério, variando entre segmentos sérios e absurdos com uma velocidade estonteante. As primeiras horas vão ser um autentico pesadelo para qualquer jogador que goste de jogar de forma organizada, Karaoke, combate, tutoriais, um flip phone, ringtones, caça ao tesouro, cuidar de crianças, fazer os trabalhos de casa, costurar, tomar conta de uma horta e ajudar um gangue a tornar as ruas mais seguras à noite, tudo na primeira meia dúzia de horas, com um pausa para jogar nas arcadas, claro. A variedade de atividades é gigante e a história principal desaparece por entre tantos estímulos, quero lá eu saber dos dramas imobiliários dos Yakuza, quero é criar peças costuradas para as vender, fazer dinheiro e plantar batatas.
O quê? Mas vocês querem saber do resto do jogo? Pronto está bem, mas por mim ficava entre plantar batatas e esmurrar gangues rivais enquanto olho para as barras de experiência a subir. Aquilo que mais me atrai em Yakuza é o quão absurdo consegue ser, esse é o principal charme da série, movimentos absurdos por entre temas sérios são o prato do dia. O jogo guia-nos na sua narrativa principal mas a qualquer momentos podemos entrar numa das muitas distrações providenciadas, a quantidade de conteúdo é tanta que não me admirava que me tivesse escapado alguma coisa.
O ponto de partida é um pedido de ajuda a Goro Majima para que este apoie o mais recente líder do Tojo clan enquanto nós vamos dedicar-nos a desenvolver o orfanato. Como seria de esperar os problemas vão-se adensando e existem muitas mais linhas narrativas que se vão entrelaçar.
A exploração é bastante simples e o facto de ambas as cidades serem sandboxes relativamente contidas faz com que seja rápido percorrer as ruas até aos nossos objetivos. A certo ponto o jogo oferece-nos um meio de transporte o street surfer, que faz estas viagens ainda mais rápidas, e garantidamente funciona, pelo menos o npc que mo deu assim o disse. O combate começa por ser o clássico combate em tempo real com socos pontapés e agarrar em objetos da rua para atacar, mais tarde vamos aprender um novo estilo de luta onde Kiryu desenvolve a habilidade de desenho animado de retirar armas de algum lado e desde um remo a uma kusarigama existe um pouco de tudo. Existe a necessidade de defender ou desviar de golpes em certas situações mas na sua maioria o combate é bastante simples e quase desprovido de atenção, a maioria das vezes senti-me a jogar um button masher ou a recorrer a 2 ou 3 combos dos imensos disponíveis. Podem ainda utilizar itens durante o combate através do menu de pausa, por isso não deverá existir dificuldade em superar os combates.
Kiryu vai ganhar dinheiro e pontos com cada combate. Com o dinheiro podem comprar itens, refeições ou aumentar a vida/força e com os pontos adquirir novas técnicas de combate. A sequência de aprendizagem das técnicas pode ser feita a vosso gosto, exigindo apenas alguns dos pontos da árvore para se ir desenvolvendo, não é muito extensa e isso é algo positivo.
Um elemento que me atirou de cabeça na nostalgia é a quantidade de traquitanas para o nosso flip-phone da Lalala, até tem ringtones e autocolantes! A personalização não está apenas no telemóvel mas também nas roupas e penteados. Poderão facilmente adquirir indumentárias ou novos estilos de penteado para jogar à vossa maneira.
Não creio que estejam a perceber o quão a narrativa principal ficou esquecida por largas horas enquanto tentava colecionar e aproveitar tudo aquilo que Yakuza Kiwami 3 oferece. Está repleto de conteúdo e charme.
Agora nem tudo são rosas, os espinhos estão presentes e não são muito agradáveis. Os gráficos parecem perdidos entre as duas passadas gerações mas felizmente a fluídez compensa. Se forem jogar em inglês preparem-se para os clássicos momentos em que as vozes não condizem com os movimentos, algo que por vezes parece estar corrigido e outras nem por isso, é bastante estranho ao longo de todo o jogo. O áudio do jogo cria um ambiente muito bom, os momentos em que a banda sonora se apresenta acentuam sempre o sentimento pretendido e quer seja um mini jogo que não se leva a sério ou algo mais tenso, Yakuza Kiwami 3 entrega uma forte experiência sonora.
Passemos então para Dark Ties, como já referi é um jogo à parte, Mine é o personagem principal e serve como uma espécie de prequela a Yakuza 3. A partir desta permissa é mais do mesmo, não reinventa a roda ou faz algo totalmente novo, mesmo modos secundários são o clássico “copia o TPC mas usa outras palavras para não parecer que copiaste”. Para quem quer mais meia dúzia de horas de jogo, tem aqui algum conteúdo que apesar de não espantar não ofende.
Falando do pacote total, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é uma experiência incrível se deixarem o absurdo tomar conta da vossa vida por umas horas. Façam um favor a vocês próprios e entrem neste mundo repleto de ação e “parvalheira” que não se vão arrepender.
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