- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series, PC
- Versão de Análise: PC
- Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.
Sempre fui do tipo que apreciava jogos de corrida/desporto pela diversão. Infelizmente hoje em dia a maioria das companhias prefer oferecer experiências de simulação e realísticas, tirando o factor de entretenimento. Não quendo dizer que realismo e simulação não possam ser uma forma de entretenimento, mas por vezes o que os jogadores querem é apenas corridas a alta velocidade e possivelmente com uma ou duas ideias malucas, com o mesmo a aplicar-se a jogos de desporto. Infelizmente hoje em dia é pouco complicado encontrar jogos que sirvam esse particular desejo, com as maiores produtoras do género a focarem-se em simulação e realismo.
É aí que o género “Arcade Racer” tornou-se popular. Atirando o aspecto de simulação e realismo pela janela fora e focando-se apenas naquilo que a maioria dos jogadores querem, corridas a alta velocidade e com umas maluquices pelo caminho. Screamer não é diferente, oferecendo uma competição de velocidade juntamente com umas mecânicas que tornam as corridas mais interessantes.
Screamer inicia com uma recomendação de começar pelo modo de história, que não só oferece uma vista das personagens e mundo onde toma lugar como também funciona como tutorial para as várias mecânicas que vão encontrar no jogo. Para além do modo de história vão encontrar múltiplos modos de jogabilidade incluindo split-screen para até quatro jogadores e também online até dezasseis jogadores. Pessoalmente gostei do número de opções que o jogo oferece quando estava a selecionar as minhas corridas, podendo activar ou desactivar várias opções e mecânicas de jogo. Quero uma corrida normal onde estou a competir para ver quem é o mais rápido? Posso selecionar isso. Quero um estilo mais a Burnout 3 Takedown onde é possível coludir com outros carros para os rebentar? Posso selecionar isso. Quero incluir todas as mecânicas do jogo e também meter o número máximo de dezasseis competidores? É possível.
Tal como disse anteriormente, o modo de história também funciona como tutorial para o que o jogo apresenta-nos. A história foca-se na perspectiva de múltiplas equipas que ganham a possibilidade de participar num torneio que está a ser patrocinado por um individual misterioso. Ao percurso do jogo vamos conhecendo as equipas e as suas ambições, juntamente com a razão pela qual estas querem participar no torneio. Embora as personagens e a história não sejam as mais impressionantes de sempre, a maneira em como são apresentadas com um mixo de cutscenes ao estilo anime e diálogo com o formato de visual novel, juntamente com o voice acting onde cada personagem fala na sua língua de origem oferece um estilo único para Screamer que o destaca até dos jogos de simulação mais populares. Já para não falar que os design dos carros é bastante criativo e apelativo.
Passando então à jogabilidade, Screamer é um “twin stick drifter”, e se forem familiares com Inertial Drift então já sabem o que significa, e caso não sejam então o que isto quer dizer é que os jogadores utilizam ambos os joystick para controlar o carro. Um para o virar e o outro para controlar o drift sem ser necessário utilizar qualquer outro botão. Para além disso existem outras mecânicas presente durante as corridas, turbo tal como é habitual, “Strike” que é o que os jogadores vão utilizar para ir contra carros adversários para os destruir, bem como um escudo que é possível activar para evitar essa mesma situação.
Cada personagem conta com uma habilidade única, como por exemplo Hiroshi sendo o líder da sua equipa não só possui um carro mais rápido mas também a habilidade que prolonga o turbo, enquanto que outras personagens possuem as suas próprias habilidade que são activadas entre certas circunstâncias e também com os seus carros que possuem estatísticas diferentes um dos outros. Ao início a maioria estará bloqueada, juntamente com vários mapas, mas ao final de cada corrida algo novo será desbloqueado, não requerendo muito tempo até que tudo esteja disponível.
O modo história faz um bom trabalho ao lentamente introduzir cada mecânica e personagem para familiarizarmo-nos com o jogo, mas alguns dos níveis tem uma dificuldade um pouco elevada, levando a alguns momentos de frustração. Quanto ao resto, é possível modificar um pouco cada máquina mas a maioria destas mudanças é apenas as cores, não oferecendo muitas opções para modificar os carros quando comparado com outros jogos mais populares.
Screamer tem uma boa apresentação, a decisão de utilizar um estilo anime destaca o jogo entre outros do mesmo género, e as várias opções disponíveis ao criar cada corrida são bem vindas pois permite aos jogadores de criar qualquer tipo de cenário que desejam caso estes queiram algo mais tradicional como uma corrida de alta velocidade ou até confronto 1v1.
É óbvio que a Milestone deu-se ao trabalho de inovar e criar algo que fosse único dentro do género, e certamente o fez bem pois destaca-se da competição que tem estado um pouco desaparecida nestes últimos anos. No entanto ainda existem algumas arestas a limar, um melhor balanço na dificuldade, melhorar as suas várias mecânicas e criar algo que funcione mais em simbiose, e permitir até mais modificações para os corros seria uma boa iniciativa. Embora no estado que está, Screamer faz um bom trabalho como Arcade Racer e até entrega mais que o habitual.
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