Análise: Nirvana – O Filme

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PróximoNível aguarda sempre com entusiasmo por produções portuguesas, tanto no Cinema, como nos Videojogos. Em 2013, o cinema português deu sinais de vida, não só pela receita de 7 Pecados Rurais, mas pela combinação internacional bem-sucedida na Gaiola Dourada e Comboio Nocturno para Lisboa. Os filmes deixaram de apelar exclusivamente aos nichos, e emergiram elementos que agradam a um público maior. Portanto, fazemos figas para que 2014 seja ainda melhor.

Talvez enquadrar o cinema português no “cinema de massas” seja esticar a corda, embora, até ao momento, já tenham estreado filmes com matriz Hollywoodesca, nomeadamente, um romance/drama/comédia intitulado Sei Lá, e um drama/comédia negra, influenciado por Tarantino (que se ramificou em Robert Rodriguez e Guy Ritchie), o Nirvana de Tiago P. Carvalho.

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Nirvana narra a história de Vega (interpretado por Ian Velloza), um gangster gabarolas com um complexo de informidade que poderia ser explicado por um psicanalista, que se vê numa embrulhada potenciada por dois gangs rivais. De um lado o Pandarilha (Carlos Areia), do outro Barbas (Daniel Martinho).

Nirvana reúne um leque de actores interessante, claramente motivados pela possibilidade de explorar um estilo de cinema pioneiro em Portugal. O elenco conta com Frederico Barata, Sónia CláudiaCarla Garcia, Miguel Meneses, Catarina Urbani e Nuno Vinagre. Destaque para Paulo Azevedo (Zé Tolas), apesar das características especificas do actor, consegue oferecer alguma comicidade à tragédia e à vingança do personagem; Marta Faial, que desfruta da personagem mais misteriosa e bem concebida no filme; a serenidade de Miguel Meneses; e Sabri Lucas, que demonstra uma tremenda versatilidade perante os desafios propostos na carreira.

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A realização de Tiago P. Carvalho refresca o cinema nacional. O realizador português prescinde de planos com tripé, e conjuga a exigência corrosiva do texto com uma narrativa visual estonteante. Mérito muito grande pelos planos em continuidade e a coragem para enfrentar a contraluz.

Do ponto de vista técnico, há que realçar a inteligência da produção (guarda-roupa carismático, ao estilo da banda-desenhada); direcção de fotografia sensível aos elementos presentes no local de rodagem; banda-sonora desconcertante; e edição dinâmica na sequência dos eventos. A captação de som padece de alguns problemas.

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Nirvana – O Filme órbita numa realidade diferente do estilo cinematográfico nacional, o enredo é ácido e duro, e os personagens adquirem uma dimensão que contraria o estilo clássico. A própria narrativa circula por diferentes personagens e somos surpreendidos por saltos cronológicos. Nirvana é um filme com alma, no qual sentimos a entrega dos actores, do realizador e da equipa técnica, valorizado, ainda mais, pela produção “a custo zero”.

No entanto, o baixo-orçamento não desculpa algumas insuficiências. Nirvana ganhava com mais acção e menos conversa – esperemos que o DVD tenha a funcionalidade de eliminar os monólogos de Vega sobre sexo (é muito mais interessante acompanhar o que o personagem faz, do que o que o personagem diz) -, o clímax que não acontece defrauda as expectativas e faltam momentos/decisões que revelam a verdadeira dimensão dos personagens.

 

Positivopn-recomendado-ana

  • Personagem de Marta Faial
  • Realização de Tiago P. Carvalho
  • Estilo pioneiro em Portugal
  • Avanço na produção apesar das limitações orçamentais

 

Negativo

  • O investimento nos personagens não é recompensado com backstory (de onde vêm e para onde vão)
  • Interpretações over the top
  • Pontas soltas que ficaram por resolver

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