Análise – Dolmen

A lista de jogos ao estilo de Dark Souls tem vindo a aumentar a cada ano que passa e se este ano tivemos a própria From Software a dar a sua contribuição com o massivo Elden Ring, outras equipas também querem um bocado do destaque.

Vindo directamente de um estúdio mais pequeno do Brasil pela Massive Work Studio, chega Dolmen, um Soulslike de ficção científica que parece um filho tido entre Dark Souls (ou The Surge) e o ambiente e estilo de Dead Space. O resultado é um jogo com boas intenções mas que sofre com vários problemas.

Para começar, o mundo de Dolmen é bastante interessante e tem uma premissa que se alimenta bem do seu estilo de ficção científica negra. Apesar disso, é um jogo que se percebe ter sido feito com um orçamento muito reduzido, o que mostra que a equipa de desenvolvimento estava a tentar fazer muito mais do que podia realmente.

Algo que um jogo deste género tem de ter é bom combate e jogabilidade, afinal estamos a falar de um jogo que lida bastante com o imediato. Apesar de funcionar bem no geral, Dolmen sofre muito com problemas relacionados com animações, detecção de colisão e picos de dificuldade irregulares que chegam a ser injustos.

Depois temos o problema das decisões de funcionalidades que deixam muito a desejar. Por um lado, Dolmen é um jogo que se sente lento e pesado. Parece na maior parte do tempo que estamos a jogar ou em câmara lenta, como as personagens de Dark Souls ou Skyrim quando temos demasiado peso em cima. A isto podem juntar um sistema de regeneração de Stamina que parece demorar “horas” a carregar, o que não nos dá grande margem em combate e levamos mais dano do que seria preciso nestes casos.

Falando de inimigos, temos uma grande repetição dos mesmos e alguns dos bosses acabam por ser versões maiores dos que já existiam. Até aqui tudo bem, mas parece que o jogo foi concebido para que todos os inimigos consigam dar-nos pelo menos um ataque e tirar um bocado de vida. Como o jogo recorre constantemente a efeitos ambientais como veneno, gelo e afins, não só ficamos sempre com “debuffs” na personagem, como ainda podemos levar dano extra. Estes efeitos ambientais dão um pouco de personalidade ao jogo, mas são tão recorrentes que se tornam cansativos.

Existe a possibilidade de equipar e personalizar a nossa personagem com vários tipos de armas de curto e longo alcance e ainda escudos. Aquilo que se sente de forma frequênte é que a maioria das armas parecem ter um desfazamento em relação ao contacto com o inimigo. Até aqui tudo bem, mas tive casos onde as espadas de maior estrutura falhavam o inimigo, mesmo passando dentro dele, o que é extremamente aborrecido num destes jogos. Além disso, o alcance das armas pode ser demasiado aleatório por vezes, havendo inimigos que nos conseguem acertar estando fora daquilo que seria o alcance normal. Juntem a isto alguns dos bosses feitos para serem apenas difíceis e não é complicado sentir que somos “traídos” de vez em quando.

Sendo inspirado em Souls, algo que Dolmen também podia ter feito melhor é a sua estrutura de níveis e o seu sistema de respawn. Como os níveis são compridos e ainda têm de passar por vários inimigos, os checkpoints parecem sempre demasiado distantes, quase ao nível de um Returnal em certos casos. Como o vosso corpo fica caído onde morreram e não existem atalhos muito bem conseguidos, o jogo parece ter muitas zonas mais vazias e demasiado longas entre pontos de interesse.

Passando então para o visual, tendo jogado na PS5, posso dizer que o jogo corre até bastante bem, embora tenha algumas quebras de fluídez, pop-ups e não seja um jogo tão espetacular no que toca a gráficos. Existem problemas de som ocasionais, a banda sonora é positiva mas nada que se destaque e as vozes não vão além de cumprir o seu propósito. Os loadings são rápidos graças ao SSD, mas tive pelo menos quatro vezes de reiniciar o jogo devido a loops de som e a imagem ter congelado.

Quero com isto dizer que Dolmen é um mau jogo? Não, Dolmen é exactamente aquilo que acontece quando temos uma equipa cheia de vontade, mas que devido a inexperiência e pouco orçamento, conseguiram mesmo assim fazer um jogo que é um bom primeiro passo e uma demonstração dedicação. Mesmo com uma série de problemas que podem ser melhorados com actualizações, Dolmen é totalmente jogável e se não o estiverem a jogar para análise (como eu), aposto que vão-se divertir muito mais.

Neste estado, Dolmen é um jogo de meio da tabela que tem compete contra muitas outras opções bem melhores, como The Surge no seu estilo, Nioh, todos os Souls e claro, o destaque do ano, Elden Ring.

Positivo:

  • Ambiente Sci-fi
  • Loadings rápidos em SSD

Negativo:

  • Jogabilidade demasiado pesada
  • Tudo parece lento
  • Problemas de colisão e contacto
  • Quase tudo tem efeitos ambientais
  • Glitches e problemas de som
  • Grandes distâncias entre pontos de respawn

 

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