Análise – Nioh 2

Ainda me lembro bem da minha primeira experiência com Nioh. Fui a Espanha experimentar o jogo em primeira mão e ainda foi possível falar com o director do projecto. Na altura Nioh não parecia mais do que um clone de Dark Souls, mas ficou provado na nossa análise que era uma boa alternativa. Nioh 2 aproveita o sucesso do original para continuar a franquia, fazendo o que já fazia bem e expandindo o que já existia com algumas ideias novas. Apesar de parecer um jogo ainda mais sólido e carregado de boas ideias, também me pareceu um pouco mais vazio de história e contexto.

A história de Nioh 2 é bem diferente da do primeiro jogo, não só por se tratar de uma prequela, mas também por não nos fazer viver a história de uma personagem pré-definida, o que o faz sofrer bastante em termos de composição do mundo e das personagens que nos acompanham. A personalização é boa e cheia de possibilidades, mas atribui à nossa personagem uma ausência de personalidade. Grande parte dos eventos são contados em cinemáticas curtas ou através de paredes de texto que aparecem antes de cada missão. Isto faz com que pareça que o jogo utiliza a história apenas como pretexto para nos fazer atravessar cenários cheios de mercenários, soldados e Yokais.

Como a personagem já não é William, a Team Ninja resolveu introduzir a possibilidade da personagem poder utilizar o poder de um Yokai e habilidades dos mesmos. Para isso existem várias hipóteses de recolher esferas de poder de Yokais derrotados e usar os seus poderes em combate. Curiosamente, este sistema parece mais complicado do que mostra à primeira vista, assim como todos os sistemas e menus do jogo.

Nioh 2 continua a ser um verdadeiro RPG de acção no real sentido da sigla. Existem aqui tantos menus e formas de personalizar a personagem que os novatos vão acabar por se sentir perdidos. Existe forma de personalizar os atributos, ataques, habilidades de Yo-Kai e ainda evoluir as estatísticas da personagem através da Amrita que vão apanhando. Juntem a tudo isto um sistema de progresso por altares com mais uma série de ferramentas e depressa vão ver que não é só a jogabilidade que se mostra opressiva.

Sendo um bom jogo ao estilo Souls, Nioh 2 também mantem o seu estilo de jogo visceral com tentativa erro. É preciso perceber as mecânicas, como as aplicar dentro do que nos é concedido e como sobreviver a coisas que parecem impossíveis. Curiosamente, não sei se foi por culpa de ter escolhido a lança como minha arma principal, o jogo pareceu bem mais acessível, mas podem ir por outros caminhos e usar armas como machados, martelos, tonfa ou até mesmo os punhos.

Os combates usam um sistema de gato e rato onde é preciso não só tirar vida ao inimigo, como também aproveitar a sua barra de Stamina para o apanhar em desvantagem. Isto é especialmente útil em bosses e é essencial perceber os seus padrões para conseguir usar os melhores ataques nas alturas certas e invocar os poderes de Yokai para fazer a diferença. Se não jogarem com cuidado, até os inimigos mais normais conseguem ser uma ameaça e roubar a vossa vida em menos de nada.

Um elemento que regressa são as Bloody Graves, túmulos que representam outros jogadores controlados pelo computador que podemos desafiar em combate. Estes são bons para ganhar mais equipamento e também mais Amrita para evoluir. A grande novidade são também túmulos de jogadores que podemos invocar para a nossa partida. Ao contrário do que podem pensar, o computador faz um trabalho bem decente com estas personagens e posso-me queixar mais vezes de ter invocado jogadores trapalhões do que me ver em apuros por causa destes NPC. Como seria de esperar, estas ajudas acabam por tornar o jogo bem mais fácil e posso dizer que houve cenários que passei praticamente sem morrer uma única vez por ter estas ajudas. Claro que podem sempre ignorar caso queiram.

Além dos NPC que representam outros jogadores, podem sempre recrutar até dois amigos ou estranhos para vos ajudar nestas aventuras. A qualidade e ajuda que estes prestam, depende sempre de jogador para jogar e posso dizer que apanhei pessoas que claramente não eram as maiores especialistas neste estilo de jogo. É fácil desculpar no entanto por ter jogado antes do lançamento oficial, onde muitos jornalistas que o estavam a analisar, estavam apenas a testar as funcionalidades.

Algo que adoro no primeiro Nioh e continuo a gostar neste é a quantidade de equipamento que estamos sempre a apanhar. É nestes momentos e no facto dos cenários serem divididos por zonas ao estilo de masmorras que Nioh 2 faz lembrar jogos como Diablo. Cada cenário que visitamos está cheio de coisas para apanhar e caso não seja útil, podem sempre vender para ganhar ainda mais Amrita e desenvolver a personagem. Com este sistema, é complicado sentir que estamos a perder o nosso tempo, por muito que acabem por morrer e perder alguma da Amrita acumulada.

Nioh 2 ainda é um jogo longo, especialmente tendo em conta que existem várias missões alternativas que obrigam a visitar os mesmos cenários já feitos. Este ponto só acaba por ser menos positivo nesta edição pois alguns dos cenários não estão tão bem construídos como deviam. Maior parte destes jogos precisam de atalhos e caminhos que se ligam e embora eles estejam aqui presentes, parecem mais forçados do que propriamente construções brilhantes.

Mesmo que tenha pena que Nioh 2 não tenha tentado o mundo aberto, não há como negar que existem aqui uma série de cenários bastante bonitos e trabalhados. Os gráficos são bastante bons e existe uma direcção artística fantástica. Os modelos das personagens são igualmente bons, sem esquecer a nossa personagem que pode ser personalizada com o excelente editor de personagem. A banda sonora e ambiente são pontos altos, conseguindo englobar músicas que vão do heróico ao tenebroso e uma série de sons para armas, monstros e todo o estilo de cenários que encaixam muito bem. Por fim, há que dizer que as vozes em japonês também estão bastante boas.

Embora tenha uma história bastante “okay” que demora a arrancar, cenários com ligações menos geniais e nos atire com alguns menus mais confusos, Nioh 2 não fica a dever nada ao seu antecessor, aliás, até sinto que fiquei mais satisfeito com este segundo jogo do que com o primeiro. A jornada de William era bem mais interessante e forte (tanto que faz parte do nosso universo de Blood Souls da Gertrudes) e isso consegue notar-se no segundo jogo que troca personalidade por silêncio.

Nioh 2 é bem mais focado na acção, exploração e jogabilidade, o que é na verdade exactamente aquilo que os fãs deste género gostam. Por isso se são fãs do primeiro ou gostam de Dark Souls/Bloodborne, então Nioh 2 é altamente recomendado.

Positivo:

  • Personalização de personagem
  • Sistemas de evolução
  • Combate rápido e gratificante
  • Presença das graves
  • Direcção artística

Negativo:

  • Cenários com ligações menos inspiradas
  • História simples que demora a arrancar

 

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