Depois de ter jogado uma das campanhas mais aterradoras dos últimos anos, a minha opinião sobre Devil’s Third mantém-se no que diz respeito ao modo história.
A história de Devil’s Third começa com o nosso protagonista, Ivan, numa cadeia, onde durante algo que se parece com um motim, temos a oportunidade de fugir, ou melhor dizendo sermos abordados pelos militares dos E.U.A. para fazermos parte de uma equipa especial para derrubar o nosso antigo gangue. A partir daqui desenrola-se uma das histórias mais aborrecidas de sempre mais por culpa do tratamento das personagens do que a história.
Durante o primeiro nível a maior causa de morte que experiênciei foram morcegos. Quem quer saber se existem prisioneiros a meio de um motim quando existe uma praga de morcegos em alguns túneis que nos matam se ficarmos demasiado tempo em contacto com um bando destes bichos?
Felizmente os inimigos vão ficando mais diversificados com a progressão do jogo e também mais perigosos. Desde ninjas a soldados com bazookas e fatos dignos do nome “Iron Man“.
Ainda assim estes inimigos têm uma I.A. bastante diversificada algo que vai de uma banana a um super-computador do futuro, existem alguns inimigos que só nos tentam atacar quando já é tarde de mais para eles e outros que nos conseguem detectar através de paredes.
A jogabilidade base de Devil’s Third é razoável sendo já algo arcaica para o tempo em que estamos mas funcional, o que lhe confere algo único é o facto de trocarmos a visão na terceira pessoa para uma visão em primeira pessoa sempre que fazemos pontaria com uma arma. É uma mecânica que acaba por funcionar mas nem sempre é a mais eficaz.
A visão em primeira pessoa é bastante imprecisa e acabamos por dar graças pelo auto-aim, pois sem ele o mais certo é ao fim de alguns segundos a tentar apontar ficarmos parecidos com um queijo suíço. Felizmente o combate corpo-a-corpo é funcional e dada a quantidade de armas de curto alcance que podemos apanhar até se torna uma mecânica agradável.
Se se sentirem apertados em algumas situações podem sempre utilizar uma habildade especial de Ivan que faz com que as tatuagens brilhem, fiquem mais poderosos e regenerem vida.
No entanto Devil’s Third sofre de problemas de performance bastante graves, o jogo corre quase sempre bem abaixo dos 30 fps, algumas texturas não carregam como deve ser e 90% das vezes aquele headshot que fazemos transforma-se num tiro no pé do inimigo.
Lembram-se quando disse que a jogabilidade era arcaica? Bem podem juntar a isso o facto de não conseguirmos interagir com quase nada no meio ambiente, os poucos objectos que existem com que se consegue interagir são algumas barricas que vão sendo destruídas.
Os Boss do jogo são imaginativos mas a sua execução deixa muito a desejar, as mecânicas disponíveis para Ivan fazem com que estas lutas se transformem numa repetição de movimentos que variam entre o corre e dispara, o defende e contra-ataca e ainda o reza para que não ocorra um bug que te mate.
O final do jogo é mau, não tenho como o descrever de outra forma, nem o último Boss salva Devil’s Third.
Se depois de concluir a campanha quiserem mais, Devil’s Third ainda tem mais conteúdo para o modo a solo. Um modo de Score Atack onde poderão competir pela melhor pontuação em quadros de classificação online.
É uma campanha fraca onde nada brilha, e quase tudo se torna uma tarefa. Mas esta é a parte má de Devil’s Third. Sim, existe uma parte boa, o online, quem diria.
Para começar o GamePad funciona como um tablet nos menus do modo online. É lá que podem aceder a várias “apps” para comunicarem com os vossos amigos, e aceder a várias estatísticas e informações. Se por acaso utilizarem um pro controller, preparem-se para uma confusão enquanto acedem a estes.
O online de Devil’s Third é bom. É construído sobre um conceito de facções de um mundo pós apocalíptico. Ao começar o modo online fazemos o nosso mercenário. Logo aqui existe uma quantidade razoável de opções que aumentarão consoante vão evoluindo a vossa personagem.
Depois de fazer a personagem é altura de a equipar. Por defeito, estamos equipados com uma metralhadora, bastante fraca, e por isso é aconselhado a que comprem uma arma mais poderosa, assim como uma arma corpo-a-corpo. No entanto como é o início do modo online não temos Dosh, moeda utilizada em Devil’s Third, bem se foram corajosos para terminar a campanha terão algum Dosh e Golden Eggs à vossa espera.
Os Golden Eggs são uma espécie de moeda mais valiosa que conseguem ganhar ao completar certas metas ou através da Eshop com dinheiro real. Estes ovos podem ser trocados por 100.000 Dosh cada ou por alguns items mais “Fashion” ou armas mais poderosas.
Entramos então na primeira fase, para começar estão disponíveis 5 modos de jogo, Battle Royale que coloca até 16 jogadores uns contra os outros. Team Deathmatch o mesmo que Battle Royale mas com duas equipas. Cargo Capture onde terão que apanhar caixas com vários conteúdos antes da outra equipa. Chickens onde terão que apanhar galinhas. E Close Quarters que consiste em lutas corpo a corpo de equipas.
Existem mais 5 modos para desbloquear. Quando chegam a nível 5 é que o jogo realmente começa. Chegando a nível 5 podem escolher juntar-se a uma facção ou permanecer um mercenário.
Já no que toca à jogabilidade esta é muito parecida há que podemos encontrar na campanha com uma diferença. Existem algumas armas como lança-granadas ou Bazookas que são consideradas Super-Armas e para poderem ser utilizadas e seleccionadas têm que encher uma barra primeiro. Encher estas barras é fácil bastando causar algum dano a inimigos. Ainda dentro do domínio da jogabilidade quero fazer menção a um erro que já me custou bastante caro nos combates online. Quando nos encontramos num edifício a nossa sombra pode ser vista no andar de baixo… excusado será dizer qual o resultado se não estivermos sempre em movimento.
Estes modos podem ser jogados para classificação geral ou só por diversão. A FDRA (organização que dá o mote para o multiplayer e não só) espera pelos vossos resultados e até distribuí alguns prémios.
Enquanto mercenário podem construir a vossa base numa área geográfica e caso decidam juntar-se a um clã/facção posteriormente poderão adicionar a mesma à base do clã. Ao juntarem-se a um clã terão direito a um salário em adição às recompensas normais. Este Dosh extra dá bastante jeito, não só para comprar mais equipamento mas também para reparar os danos causados à nossa base durante invasões de outros clãs.
Devil’s Third acaba por criar um ambiente de entreajuda e a qualquer momento pode surgir uma mensagem em como estamos a ser atacados e temos X tempo para formar um grupo de jogadores de entre o clã ou mercenários.
Apesar de tudo isto e contrariamente ao que acontece na maioria dos jogos, o online é muito mais estável em relação à campanha, pois não assisti a nenhuma quebra de Frame Rate ou texturas que não carregam.
No fundo parece ter havido mais cuidado aqui do que na campanha e para mim foi uma surpresa. Ainda assim e apesar do multijogador ser bom, Devil’s Third não é um jogo para todos, e não recomendo pelo preço total uma vez que metade do jogo é quase intragável, e a outra metade ficará disponível para PC numa data ainda por anunciar em formato Free To Play.
Com uma fraca campanha que é jogável mas longe de apreciável e um modo online que consegue ser bastante divertido Devil’s Third é um jogo bastante estranho onde só o tempo ditará o sucesso do multiplayer e como consequência se esta foi uma boa aposta.
Positivo
- Muitos conteúdos online
- Clãs e bases
Negativo
- Toda a campanha é desinspirada
- Fraca performance do jogo com texturas que não carregam e FPS bastante baixos
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