Pragmata foi um daqueles jogos que deu sinal desde o início desta geração. Uma espécie de Deep Down da Capcom (mais um), que na verdade e ao contrário da triste sina do anterior, acabou por ver a luz do dia (por falar nisso, podem ler o mais recente artigo do Mathias Marques sobre o defunto Deep Down aqui). Por seu lado, Pragmata é bastante parecido e muito diferente ao mesmo tempo do que foi mostrado inicialmente e teria sido muito engraçado perceber a evolução deste projeto.
Em 2o26, Pragmata chega-nos como um híbrido bastante icomum. Aqui, temos um jogo de acção com um pequeno misto de plataformas, mas com uma grande adição de puzzles, os quais não são resolvidos em momentos de exploração, mas sim de combate. É um misto muito estranho sem dúvida, mas que acaba por se transformar num dos pontos altos do jogo e aquele que lhe dá uma sensação de novidade.
Pragmata conta a história de Hugh, o membro de uma equipa de manutenção de uma estação construída na lua, onde uma nova tecnologia permite que a inteligência artifícial construa praticamente todo o estilo de estruturas e objetos de forma livre e contínua. Claro que isto é um jogo e tal como nos filmes, alguma coisa corre muito mal, Hugh vê a sua equipa morrer e é o único sobrevivente. Quem é o vilão? claro que é a super IA que controla a estação e a forma de a combater é com…mais IA! Pois bem, para supresa de ninguém neste momento, sendo que Diana foi sempre uma das figuras “cartaz” da história, esta é a nossa grande ajuda contra os seus “irmãos”.
Apesar de ser um jogo e se comportar como um jogo, Pragmata tenta colocar a nova relação de pai-filha entre Hugh e Diana no centro das atenções, conseguindo até criar momentos de interação entre os dois verdadeiramente reconfortantes e divertidos. Diana está a aprender e a conhecer o mundo em seu redor, tendo todo o poder e ao mesmo tempo todas as limitações de ser um Robô. As experiências humanas, as interações curiosas e a própria atitude mais infantil de Diana conseguem fazer desta interacção algo mais próximo de um cenário real e fazer com que o jogador crie empatia com as personagens muito depressa.
Como a Diana não serve apenas de companhia falante e indefesa, é ela que sobe às costas de Hugh durante a exploração de cenários para usar as suas habilidades de Hacking. É aqui que entram então os puzzles de Pragmata. Em alguns momentos mais pontuais de exploração e com bastante intensidade durante o combate, ativamos os poderes da Diana para inciar uma grelha onde usamos os botões direitos para mover o cursor nestas especies de labirintos. Cada hacking bem feito, faz com que os inimigos sofram dano e fiquem expostos, para assim os disparos de Hugh serem mais eficazes. Existem vários módulos que podem ser equipados que aumentam os efeitos do Hacking e isto pode ir do aumento do tempo em que os imimigos ficam expostos, até atordoar ou expandir o hack para outros inimigos próximos.
Embora os inimigos não tenham uma variedade colossal, eles seguem o típico estereótipo do robô androide que caminha na nossa direcção. Todos eles têm os seus pontos fracos e coisas com que nos devemos preocupar primeiro. A quantidade de inimigos por zona vai aumentando e começa a ser mais complexo gerir vários inimigos distintos ao mesmo tempo, especialmente quando aparecem robôs voadores que lançam misséis. Os combates podem ficar caóticos bastante depressa e conseguir gerir o tempo de carregamento da pistola, munições das armas secundárias e os timmings do hacking criam grandes momentos de stress (do bom claro).
Como o jogo usa uma espéice de sistema Metroidvania de exploração dos cenários e como existem muitos cantos para explorar, Pragmata usa igualmente um sistema de progressão onde vamos usando recursos encontrados ou gánhos para evoluir as personagens, pois podem melhorar as capacidades de Hugh no seu fato e armas, mas também de Diana, ampliando as suas capacidades de hacking. Tudo isto é muito importante, pois exsitem todos os inimigos mais comuns, mas acima deles, todos os super poderosos e gigantescos bosses. Todos eles são grandes, pesados e com padrões específicos para serem derrotados. Os combates contra estes bosses são bastante empolgantes e divertidos de derrotar, não parecendo impossíveis.
Outro ponto central de Pragmata é o Hub que visitam entre as várias zonas, este ponto central serve como a base de operações, ligação de história, área de “brindes” e coleccionáveis e mais importante de tudo, a nova casa de Diana. Aqui, Diana tem a sua sala de coisas humanas, brinquedos e paredes para colocar os seus belos desenhos que oferece a Hugh. Este espaço é um dos mais importantes do jogo, pois não é apenas o motor da história e melhoria das personagens, é aqui que vemos muitas das interacções entre Hugh e Diana que nos ajudam a ligar às personagens e a fazer com que ambos pareçam mais humanos.
Mesmo tendo áreas mais abertas e sendo possível voltar aos mesmos cenários com novas habilidades para progredir, Pragmata é um jogo singleplayer que não tenta aborrecer. Conseguem acabar a campanha em cerca de 10 a 12 horas com foco apenas na história, mas invistam mais algumas horas a interagir com Diana e apanhar a maioria dos coleccionáveis. Vão ver que vale a pena.
Quanto à componente visual, os nossos testes foram realizados na Nintendo Switch 2, mas tive também acesso a uma versão de PC através da STEAM para poder olhar para as duas lado a lado. É claro que a versão de PC é vastamente superior em termos visuais e na fluídez geral do jogo. A correr no meu PC com uma Geforce 4080 Super, colocar a versão Nintendo Switch 2 lado a lado faz com que o modo portátil pareça esborratado e com pouca definição. Safa-se melhor o modo TV, já que a resolução aumenta e existe mais poder à disponibilidade da consola. Claro que, como jogo Nintendo Switch 2, caso só tenham essa hipótese, cumpre as as expetativas e já vimos muito pior. Por seu lado, a banda sonora é bastante positiva, sem ser fantástica, assim como a maioria dos elementos sonoros. Quanto às vozes, joguei em inglês e adoro tanto as vozes de Hugh e Diana, que me pareceram mais genéricas na primeira hora de jogo, mas que foram vencendo o seu espaço.
Pragmata é uma bela surpresa. A maioria já sabe que o jogo é bom, mas existe aqui um condimento adicional que faz dele especial. Num universo de tantos jogos pensados no multijogador ou focados no que vende, a Capcom teve a coragem de lançar um jogo singleplayer sem qualquer nome estabelecido, com uma jogabilidade bastante diferente da norma. Se estes fossem todos os motivos para Pragmata brilhar, já era digno de um louvor, mas com a mistura sólida feita com um bom jogo, boas personagens e uma jogabilidade muito boa, Pragmata é um dos jogos mais importantes deste ano. A Capcom está de parabéns.
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