É comum dizer-se que fora do Japão a PS Vita é uma plataforma morta. No entanto há vários jogos que fazem furor fora de portas nipónicas como é o caso da série Danganronpa. O jogo original e a sua sequela foram dos jogos mais bem recebidos em consolas portáteis e agora surge Danganronpa Another Episode: Ultra Despair Girls.
Danganronpa Another Episode: Ultra Despair Girls (Danganronpa: Ultra Despair Girls) é um spin off das visual novels previamente lançadas que decorre um ano e meio depois dos acontecimentos do primeiro jogo e antes do segundo. Este jogo tem toda uma nova vertente de jogabilidade direccionada à exploração e acção. Ao contrário da série mãe onde acabamos por ter mais um trabalho de investigação, aqui vamos andar aos tiros electromagnéticos por Towa City .
Durante o jogo controlamos duas personagens: Komaru Naegi, a protagonista desta história, e Toko Fukawa, também conhecida por Genocide Jill, que esteve presente no primeiro jogo. Enquanto jogamos com Naegi utilizamos um megafone especial que dispara balas electromagnéticas que servem para completarmos puzzles e derrotarmos os vários tipos de Monokumas que foram especialmente destacados para nos matar. Já Toko funciona como o nosso Fever Mode, invulneráveis e com alta quantidade de dano mas só a podemos utilizar durante um tempo limitado.
Os puzzles estão bem construídos, mas fora isso a jogabilidade parece demasiado presa. O sistema de disparo é pouco responsivo e as várias formas de balas podem causar alguma confusão ao início, mas depois de nos habituarmos darão para planearmos de maneira a que eliminamos vários inimigos de uma só vez. Além disso podemos explorar as várias áreas em busca de melhoramentos das nossas armas e balas mas quase sempre irão apanhar com uma cinemática que não adianta nada ao enredo.
Sendo a série mãe deste jogo uma visual novel, a história apresenta-se como o ponto mais forte do jogo. Cheio do seu humor negro característico, personagens de todos os feitios e um enredo que de normal pouco ou nada tem. Seria de esperar então que para acompanhar esta qualidade narrativa as personagens seriam memoráveis ou pelo menos toleráveis, mas infelizmente isso não é verdade. A personagem principal é tão ingénua quanto irritante, os NPC’s não possuem qualquer tipo de emoção mesmo estando no meio de um genocídio e dos 5 vilões apenas Jataro tem uma personalidade que não faz querer enviar a nossa cabeça em alta velocidade na direcção da parede mais próxima.
Há uma notória diferença entre as cutscenes e o motor de jogo no que diz respeito aos gráficos. As cinemáticas estão bastante polidas e a mistura entre o cartoonesco e o realista apresenta um estilo visual muito próprio que é faz lembrar e muito o estilo visual novel da série mãe. Já fora das cinemáticas a componente visual não apresenta nenhuma particularidade positiva ou negativa. Não é que estejam particularmente maus ou que o jogo sofra quebras notórias, mas sente-se a falta daqueles pequenos momentos em que ficamos a olhar para alguma coisa realmente bem feita.
Como disse, a maioria das personagens são bastante irritantes e os actores vocais fizeram um exímio trabalho em denotar essa característica em algumas personagens. A voz das duas personagens jogáveis apresentam-se como o ponto alto do departamento sonoro e os actores dos principais vilões conseguiram fazer também um bom trabalho apesar da qualidade das personagens que lhes foram atribuídos.
Já a banda sonora possui alguns temas que ficam no ouvido e as músicas de batalha contra os bosses são bastante boas e energéticas, dando-nos um sentido de crescendo com o decorrer da batalha. Fora essas situações, passam bastante despercebidas assim como muitos sons ambiente.
Danganronpa: Ultra Despair Girls manteve a qualidade narrativa da série mãe mas desiludiu em todos os aspectos em que pretendia destacar-se ou implementar. Não é um jogo obrigatório como é a série mãe mas merece uma oportunidade nem que seja no mais fácil para apreciarem a história.
Positivo
- Narrativa
- Cinemáticas
- Humor negro característico da série
- Puzzles bem construídos
Negativo
- Jogabilidade pouco intuitiva
- Personagens pouco memoráveis
- Momentos de fantasia de Toko provocam um grande sentimento de vergonha alheia
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