Análise – StarCraft 2: Heart of the Swarm

Se não conhecem Starcraft, então é bem provável que tenham vivido por baixo de uma pedra durante esta última década. Falo certamente de uma das séries mais importantes e conhecidas de estratégia. Em 1998 a Blizzard lançou a primeira edição do jogo e até hoje é conhecido como um dos jogos mais vendidos de sempre no PC. Starcraft tornou-se num modelo para os futuros jogos de estratégia e num enorme fenómeno de competições mundiais entre jogadores.

Foram precisos mais de dez anos para podermos voltar a ver um novo Starcraft ser lançado, e esse dia chegou no Verão de 2010 com o lançamento de Starcraft 2: Wings of Liberty, outro enorme sucesso. Enquanto o primeiro Starcraft possuía três campanhas para as três facções do jogo, em Starcraft 2 a Blizzard irá lançar uma expansão para cada facção. Enquanto Wings of Liberty centra-se na facção dos Terran, a nova expansão de nome Heart of the Swarm está focada nos Zerg. Uma terceira expansão de nome Legacy of the Void já foi anunciada, sendo que essa irá focar-se nos Protoss. Vamos ter que esperar uns poucos anos por ela também.

Os Zerg são criaturas semelhantes a insectos e aparentemente fracos. Ao contrário dos Terran e Protoss, os Zerg possuem um estilo de combate que se baseia nos combates em larga escala – daí surgiu o termo muito conhecido pela internet de Zerg Rush – e na rápida produção de unidades. O enredo centra-se na rainha dos Zerg, a Queen of Blades ou Sarah Kerrigan, depois de ser derrotada e restaurada para a sua forma humana por Jim Raynor e os Terrans.

Kerrigan é poupada e mantida numa nave, mas nem todos os Terrans estão de acordo com esta oportunidade. Uma facção de nome Dominion quer certificar-se de que a rainha dos Zerg morre então ataca a nave onde esta está. Kerrigan e Jim Raynor tentam fugir mas acabam por se separar forçosamente no meio deste conflicto. Depois de escapar com vida do ataque, Kerrigan descobre através das notícias que Raynor foi capturado e executado. Cega de raiva, ela jura vingança à Dominion.

O que vamos testemunhar em seguida é um enredo muito interessante. Dum lado vamos testemunhar a sede de vingança de uma pessoa que irá fazer de tudo para recuperar a pessoa que ama, mesmo que isso signifique recorrer a extremismos e acções menos positivas, enquanto que noutro lado vamos tomar as rédeas de uma viagem que irá dar-nos uma enorme aula sobre os Zerg e os seus costumes. Apesar de parecer uma facção pouco cerebral, os Zerg possuem uma enorme cultura e uma história rica, que irão deixar os jogadores agarrados até ao final desta expansão para querer saber tudo o que se irá passar.

No que toca a jogabilidade, os Zerg são um raça com elementos de combate diferentes dos Terran. Para a criação de todo o tipo de unidades, vamos usar pequenas larvas que temos ao nosso dispor. Essas unidades poderão basear-se em pequenos zerglings, drones que recolhem recursos até outro tipo de combatentes. Em combate, os Zerg movimentam-se rapidamente por entre o cenário, são bastante resistentes a químicos e conseguem recuperar energia ao soterrar. Com a produção rápida de – algumas – unidades conseguimos fazer ataques consecutivos e por vezes suicidas que poderão dar bastante tempo e por vezes até a vitória.

Sarah Kerrigan estará presente em praticamente todos os confrontos que iremos desempenhar neste jogo, funcionando como uma unidade líder e bastante poderosa. O mais engraçado é o facto desta possibilidade inserir elementos de acção, onde grande parte das vezes iremos estar sempre a movimentá-la de um lado para o outro e a executar algumas das suas habilidades especiais, e para além de este sistema encaixar bem, vem equilibrar algumas das fraquezas que os Zerg possam demonstrar. Não é um RPG, mas podia ser, e isto graças ao sistema de níveis que Kerrigan tem. Com o subir de níveis vamos poder desbloquear novas habilidades que poderão ajudá-la não só em combate, mas na gestão e consumo de recursos do cenário.

Sempre que não estamos a combater, estamos na nossa nave a comunicar com os nossos conselheiros sobre a situação actual e o que fazer a seguir. Por mais incrível que pareça, grande parte destes NPCs são bastante interessantes e com personalidade própria. É também possível evoluir as nossas unidades numa zona específica e em pequenas missões que põem à prova estas novas unidades.

Se desconhecem a vertente multiplayer de Starcraft, então fiquem sabendo que continua a ser uma das experiências mais punitivas para novatos e recompensadoras para os mais experientes. Existe uma certa complexidade e sabedoria que é necessário estarmos cientes antes de ingressarmos neste mundo. Apesar de algumas adições no que toca a unidades, existem agora novos modos que poderão ajudar o jogadores menos experientes. Infelizmente, ainda não é desta que a Blizzard adiciona suporte para LAN no Multiplayer.

Quando comparado com Wings of Liberty, não vemos melhorias significativas na apresentação em geral. Mesmo assim não deixa de ser um jogo com atenção ao detalhe, com um uso bastante variado no que toca às cores e um conjunto de animações ainda maiores nesta expansão. As cinemáticas continuam soberbas como já tem sido apanágio por parte da Blizzard. As actuações de voz estão excelentes e as linhas de texto estão muito bem escritas. A banda sonora é um mimo para os ouvidos, e isto graças ao cruzamento entre música e electrónica que encaixa que nem uma luva neste jogo.

Starcraft 2: Heart of the Swarm é bem capaz de ser a melhor expansão deste ano graças aos argumentos que oferece. A qualidade da narrativa que cola completamente o jogador à sua cadeira juntamente com a jogabilidade que oferece pequenos elementos de acção, formam uma dupla espectacular. É difícil chamar a Heart of the Swarm uma expansão, é quase um jogo só por si.

Positivo:

  • Campanha interessante
  • Narrativa cativante
  • Elementos de acção
  • Multiplayer noob-friendly
  • Lore interessante sobre os Zerg
  • Variedade nas missões

Negativo:

  • Loadings

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