Review – Trails through Daybreak II

  • Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, PC, Nintendo Switch
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens e capturas de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Com uma franquia tão grande como The Legend of Heroes que conta com mais de uma dezena de jogos na série Trails, é normal que algumas das entradas não sejam as melhores. Infelizmente Trails through Daybreak II é uma dessas entradas onde deixou a desejar mais do que prometia, de facto este é o jogo considerado por todos como o jogo mais fraco da série, e por várias razões.

Começando do início, Trails through Daybreak II tem lugar meros meses após o jogo anterior, desta vez Van Arkride, o nosso protagonista, é aproximado por Elaine Auclair, uma das Bracers mais populares de Calvard, que pede ajuda para investigar uma recente onda de assassinatos que tem estado a ocorrer no mundo criminal. Durante a investigação inicial ambos encontram uma criatura bastante semelhante à forma Grendel de Van e um fenómeno estranho acaba por ocorrer, trazendo as nossas personagens umas poucas horas atrás no tempo.

Esta é a principal razão pela qual Trails through Daybreak II é considerado o pior jogo da série. O uso do fenómeno que faz as personagens voltar atrás no tempo é o foco da história mas também o seu ponto mais fraco. Seria de esperar que uma série deste tamanho soubesse como fazer uso do tema na sua história e como mecânica de jogabilidade, em especial por já ter usado algo semelhante no passado, no entanto não só não souberam como utilizar a mecânica como também decidiram inserir a qualquer momento possível e da pior maneira possível.

Basicamente, o sistema de voltar atrás no tempo é usado tantas vezes como elemento da história que muitos eventos que desenvolvem várias personagens personagens são desfeitos porque afinal de contas “nunca aconteceram”, já para não dizer que tanto é desfeito que no final do jogo a história quase que não avançou desde o jogo anterior, tornando este num jogo que pode ser quase ignorado que os fãs não vão perder muito do que aconteceu para além da introdução de umas novas personagens e um ou dois eventos importantes. Para uma série tão grande como Trails onde tudo está interligado e cujo forte é a sua longa história que decorre ao longo de múltiplos jogos (neste momento 13 jogos principais), a existência de um jogo onde o elemento mais forte da série é na realidade o seu ponto mais fraco é o pior que podia acontecer.

É ainda pior quando várias personagens na série são conhecidas por possuírem um sexto sentido que consegue detectar tudo e mais alguma coisa, mas que por alguma razão não funciona em momentos bastante óbvios apenas para a história fazer uso da sua mecânica de voltar atrás no tempo. Personagens inteligentes tornarem-se estúpidas apenas para conveniência da história não é novidade em literatura, como também o facto de imensos desastres acontecerem a partir do momento em que as personagens descobrem uma maneira de os desfazer (neste caso, voltar atrás no tempo). Mas vendo ambas as situações repetirem-se vezes sem conta apenas porque sim acaba por cansar ao fim de algum tempo.

Colocando a história de lado, existem umas quantas novidades que são bastante familiares. Caso ainda não se tenham esquecido de Trails into Reverie (ou até Trails in the Sky the Third) então vão achar Marchen Garten bastante familiar. Marchen Garden funciona de maneira semelhante ao Reverie Corridor, sendo uma dungeon adicional semi mandatária cuja função principal é a de treinar as personagens. Isto devido ao jogo possuir múltiplos grupos diferentes que estão a progredir pela história ao mesmo tempo tal como aconteceu em Trails into Reverie.

Não existem grandes mudanças entre o Reverie Corridor e a Marchen Garten, os jogadores podem criar uma equipa que inclui todas as personagens presentes, mesmo que estas estejam em locais diferentes na história principal, funcionando também como loja global para equipamento e orbments. A única coisa que está em falta são os mini episódios sobre a vida das personagens tal como aconteceu em Trails in the Sky the Third e Trails into Reverie.

Uma outra pequena novidade é a introdução de um novo minijogo de cartas chamado “Seven Hearts“. Este é um pouco semelhante aos outros minijogos de cartas que estiveram presentes na saga Cold Steel, “Blade” e “Vantage Masters” mas com umas mudanças às regras e tornando-o também num jogo de equipas de dois. Posso dizer que tanto Blade em Trails of Cold Steel 1 e 2 como Vantage Masters em Trails of Cold Steel 3 e 4 e também Trails into Reverie foram dois dos meus minijogos favoritos de sempre, fazendo lembrar o quanto amado o Triple Triad de Final Fantasy VII era. Ambos eram minijogos bastante interessantes e a presença de Seven Hearts é bem vinda, oferecendo algo novo ao tornar o jogo numa competição de duos.

O combate activo que foi introduzido no jogo anterior recebeu umas adições, começando pela adição de combos no modo “Field Battle” que usa o formato de action rpg. Anteriormente o combate em Field Battle consistia de ataques normais, ataques pesados e magia, sendo agora possível fazer um contra ataque duplo com outra personagem. Para isto acontecer o jogador necessita de esquivar dos ataques inimigos no momento correcto para poder activar o pequeno contra ataque. O modo Field Battle não é o único modo que conta com ataques combo, com o modo por turnos a incluir “EX Chains” que podem ser utilizados após os adversários entrarem no modo break, oferecendo uma combinação de ataques que fazem mais dano aos adversários.

Quanto ao resto não existe muito a dizer que não tenha já sido dito na análise do jogo anterior. Tanto a banda sonora como os gráfico mantém a sua qualidade e a versão PC continua a ser a versão definitiva devido a todas a opções de optimização e adições gráficas.

Trails through Daybreak pode ter sido um bom início de um novo capítulo da série mas este segundo jogo não alcança o mesmo objectivo. Normalmente o segundo jogo de cada entrada, isto é, Trails in the Sky 2nd Chapter, Trails to Azure, Trails of Cold Steel II, são lembrados como sendo os melhores de cada saga em termos de história, no entanto Trails through Daybreak II é o oposto. Devido ao formato em como a história foi gerida o jogo deixa muito a desejar naquilo que devia ser o seu elemento mais forte, tendo mais ar de ser um spin-off do que algo que pertence à história principal.

Mathias Marques
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