Review – Trails through Daybreak

  • Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, PC, Nintendo Switch
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens e capturas de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Após cinco jogos focados em Rean Schwarzer e ambas as Class VII nas suas aventuras em Erebonia, chegou a altura de mudar de local e protagonistas. The Legend of Heroes: Trails through Daybreak inicia então uma nova história que tem lugar na Républica de Calvard, o país que esteve em confronto com o Império de Erebonia nos jogos anteriores. O nosso novo protagonista é Van Arkride, um Spriggan, isto é, uma pessoa que aceita qualquer tipo de trabalho não convencional que seria normalmente ignorado pelas autoridades como a Bracer Guild ou a polícia. Se alguém necessita de ajuda para um trabalho de origens duvidosas, Van Arkride é a vossa pessoa. Certo dia Van é aproximado por um novo cliente, Agnès Claudel, uma estudante que está à procura de certos artifactos deixados pela sua bisavô, dando início a uma nova aventura inesperada.

Começando com Calvard, após todos os confrontos que o país teve contra Erebonia estava curioso em saber o estado deste e qual o tipo de vida que os cidadãos viviam. Entre um novo presidente que tem tomado algumas acções radicais e o incremento de imigrantes, o público tem estado um pouco agitado. Felizmente após ter perdido vezes sem conta contra Erebonia, Calvard está a beneficiar de um incremento monetário. Devido a isso temas como imigração, racismo ou assuntos mais adultos acabam por ser abordados em Trails through Daybreak, o que é algo um pouco diferente dos jogos anteriores como a série Trails of Cold Steel por exemplo que focava-se mais na divisão entre as classes sociais.

É uma mudança bem vinda e é bastante interessante ver como a série Trails lida com esses temas, em especial com Van a ser o protagonista mais velho da série até ao momento (embora apenas tenha 25 anos). Calvard destaca-se então como sendo um país mais moderno e mais vivo, possuindo um conjunto de culturas diferentes, sendo o líder de entretenimento com a nova indústria de cinema e até o novo desporto de fórmula 1. Se tivesse que adivinhar diria que a América do Norte tenha sido talvez a inspiração para Calvard ao contrário de Erebonia que tirou inspiração do continente Europeu, em especial a Alemanha.

Falando sobre o novo elenco, após cinco jogos com as mesmas personagens estava um pouco receoso de encontrar um novo grupo, no entanto a Falcom fez um bom trabalho com as novas personagens, em especial a dinâmica que estas possuem com o protagonista Van. Sendo uma personagem mais adulta, Van lida com os assuntos de uma maneira mais madura, oferecendo uma perspectiva mais interessante não só para a série Trails mas como RPGs e videojogos em geral uma vez que não existem imensas personagens que falem casualmente de temas mais maduros.

A jogabilidade continua a ser o tradicional RPG por turnos, excepto que desta vez a Falcom decidiu inovar e criar um híbrido entre “turns based” e “action rpg”. Tendo em conta que esta análise vem um pouco tarde pode não parecer uma grande novidade, mas se disser que Metaphor: ReFantazio tirou inspiração de Trails through Daybreak para o seu combate então talvez terão uma ideia do que possam esperar. Basicamente os combates por turnos ainda estão presentes mas agora também existe a opção para combater em tempo real sem a necessidade de turnos. Embora apenas acções básicas como ataque, dodge e heavy attack estejam presentes, o combate em tempo real acaba por ser mais rápido que o tradicional por turnos, enquanto que o combate por turno possui mais opções e estratégia tal como o típico RPG.

É uma boa opção tendo em conta o eterno debate de se uma série deva muda de um género para o outro, criando uma mistura entre ambos elimina essa disputa. Embora o combate em tempo real necessite de melhorar um pouco para deixar de ser tão simples quando comparado com o combate por turnos, que por sua vez recebeu algumas novidades como a introdução de combos e até várias adições e mudanças ao sistema orbment.

Para quem não se lembra, o sistema orbment funciona um pouco como as matérias de Final Fantasy VII, onde cada orb inclui uma ou mais habilidades e também incrementos para os stats de cada personagem. Neste caso cada personagem possui quatro linhas que podem receber vários tipos de combinações, sendo que cada linha oferece bónus únicos dependendo da quantidade de cada tipo de orbment presente. Por exemplo, se os jogadores colocarem orbs relacionadas com o elemento do fogo na linha de defesa então as personagens irão receber um bónus de defesa contra ataques de fogo e assim em diante.

Para além disso cada personagem pode equipar uma ou mais “drives” adicionais que servem como orbments extra caso não tenham equipado as habilidades que queriam para que pudessem obter os bónus extra, e por fim podem contar também com os “holo core” que oferecem boosts para cada personagem. É uma evolução interessante pois oferece um pouco mais de estratégia para além de apenas colocar orbs com os ataques mais poderosos sem prestar atenção ao que estão a fazer.

A história por si é um bom ponto de início para quem estiver curioso, a série Trails é bem conhecida e mais apreciado se for jogada desde o início, uma vez que cada nova entrada está ligada aos jogos anteriores, lentamente avançando com a vida de cada personagem. Obviamente que tal como é habitual, irão encontrar não só novas caras como também velhas personagens que já estiveram presentes nos jogos anteriores, algumas aparecendo pela primeira vez em 3D e outras estando mais crescidas e adultas. No entanto devo dizer que um ponto negativo entre as histórias interligadas e velhas personagens é o facto de Trails through Daybreak ter forçado demasiado Van em eventos que tiveram lugar nos jogos anteriores.

Durante a história houve várias vezes onde Van conta ter estado presente em grandes eventos importantes do universo Trails ao ponto de algumas dessas presenças não fazerem muito sentido. Isto dá a impressão que a Falcom não tinha grande confiança em criar uma nova personagem que não tivesse qualquer tipo de ligação ou fosse familiar com personagens importantes do universo de Trails, criando vários cenários que apenas fazem confusão devido à ordem de eventos e idades das personagens envolvidas.

Falando em história, tendo em conta a profissão de Van que o coloca em “zonas cinzentas”, existe um sistema de alinhamento que é dividido entre “Law”, “Gray” e “Chaos”. Em várias sidequests Van vai por vezes ter a opção de decidir o que fazer para resolver o problema, com alguns exemplos de opções a variar entre “entregar o culpado à polícia”, “entregar o culpado à Bracer Guild” ou “entregar o culpado à máfia”, com cada opção a oferecer um ou mais pontos numa certa direcção.

Apesar de esta mecânica ser apresentada como algo que afecta a história nada muda assim muito para além de qual personagem vai-se juntar à equipa durante um certo momento da história. No entanto sempre é interessante ter uma escolha que afecta o final de cada sidequest, oferecendo uma experiência um pouco única para cada jogador.

Tal como é habitual a banda sonora é uma recomendação mandatória, e a qualidade gráfica tem estado a ficar melhor a cada nova entrada na série não só os modelos das personagens mas também o cenário, iluminação e até pequenos detalhes como por exemplo a reflecção e transparência das janelas.

A versão de análise foi a versão PC que é um porte da versão original que foi inicialmente lançada na PlayStation 4. E tal como tem acontecido com os mais recentes portes da série Trails, a equipa por detrás deste porte não só optimizou o jogo para correr melhor nos vários tipos de hardware como também introduziram mais opções gráficas que tornam o porte ainda mais detalhado e potente que a sua versão original. Estando numa era onde as versões PC de cada jogo normalmente são as piores em termos de optimização, é bom ver que existe quem saiba o que está a fazer e a criar versões de alta qualidade para os fãs.

Trails through Daybreak é um bom início após a longa história que teve lugar em Erebónia. Van destaca-se como sendo possivelmente o melhor protagonista da série até ao momento e a história que está a tem lugar em Calvard facilmente pega o interesse do jogador. Os novos elementos de jogabilidade e a maneira em como temas mais maduros são abordados é uma onda de ar fresco para a série que bem necessitava.

Mathias Marques
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