Review – To Be Hero X

  • Episódios: 24
  • Temporada: Primavera 2025
  • Produtores: Bilibilie, Aniplex, BeDream
  • Géneros: Acção, Super Poderes, Heróis
  • Idades: +17
  • Adaptação: Original

A onda de heróis já viu dias melhores, tendo chegado ao auge de popularidade à alguns anos atrás, hoje em dia grande parte do público começa a ficar cansado do tema. Grande parte da razão deve-se ao facto de as produtoras sentirem-se demasiado confortáveis uma vez que não existe grande competição, e de basicamente a maioria dos produtos de heróis serem a mesma coisa com a maior culpada a ser a Hollywood e a MCU. Isto faz com que a maioria esteja apreensiva em introduzir-se nesta batalha com uma história nova e original, e devido a isso o tema de heróis não tem recebido a originalidade que tanto necessita. To Be Hero X é uma onda de ar fresco para o tema.

To Be Hero X é a terceira entrada na série “To Be Hero” que conta com To Be Hero e To Be Heroine (e para todos os efeitos, Link Click que inicialmente estava planeado para fazer parte do mesmo universo), onde cada série explora temas de heróis em diversos settings e situações macabras. No entanto To Be Hero X não está relacionado com as outras duas, tendo lugar no seu próprio mundo, contando com as suas regras únicas e uma visão completamente diferente do habitual. No mundo de To Be Hero X heróis são criados pelas pessoas, e qualquer pessoa pode-se tornar num herói. Isto é devido ao sistema de fé que existe neste mundo, se uma pessoa possui fãs que acreditam e suportam alguém, essa pessoa irá ganhar poderes. Pondo de uma forma mais simples, é bastante semelhante ao sistema de “followers” que as redes sociais utilizam, uma pessoa sem seguidores não tem poderes, enquanto que uma pessoa que tenha nem que seja um seguidor recebe poderes e é considerada herói.

Uma regra extra para este sistema é que os poderes, e por vezes estilo de vida, são definidos pela impressão que os fãs tem destes heróis. E da mesma maneira que alguém pode receber poderes quando ganha fãs, o oposto também pode acontecer. De qualquer maneira, a maioria destes heróis acaba por juntar-se a uma de várias companhias que gerem heróis, e todos trabalham dia após dia com a intenção de subir no ranking oficial de heróis. Os dez heróis com mais seguidores terão a possibilidade de participar no torneio que irá ditar quem é o melhor herói de todos, também conhecido como X.

Antes de continuar devo dizer que To Be Hero X é um trabalho que vai contar com duas temporadas, com a primeira temporada a introduzir o elenco de heróis que serão o foco da história. Neste caso a premissa inicial de um torneio para selecionar X é algo que apenas irá acontecer na segunda temporada que ainda está por estrear, com a primeira temporada a focar-se nas origens e motivações de dez heróis; Nice ; E-Soul ; Lucky Cyan ; Queen ; Loli ; Ghostblade ; The Johnnys ; Dragon Boy ; Ahu e o corrente herói com o ranking de X. Cada personagem recebe alguns episódios de destaque, com uns a terem a sorte de contarem com mais episódios que outros, mas ao longo desta primeira temporada a história explora as origens destes heróis, como tornaram-se heróis ou a razão pela qual decidiram dedicar-se a este papel, quais as motivações que eles possuem para juntar-se ao torneio e também as relações que estes possuem com cada um.

Com dez personagens principais e umas quantas secundárias, é óbvio que a audiência irá gostar mais de umas que outras, em especial quando certas personagens tem problemas em estabelecer-se nas suas histórias. Uma vez que algumas destas histórias são bastante sensíveis a spoilers, o melhor é evitar falar muito sobre elas para não ruinar a surpresa. No entanto posso dizer que dentro de cada história e tema que estas personagens tiveram, gostei imenso do que foi feito com Nice, E-Soul, Lucky Cyan, Ghost Blade e X. Por outro lado, Ahu necessitava de mais um ou dois episódios para estabelecer a personagem e a sua relação com os outros. E Queen apesar de ser uma das personagens mais fortes, tem provavelmente a arc mais fraca de todas, não executando o seu tema tão bem como os outros.

Um dos aspectos interessantes de To Be Hero X é o facto de cada personagem contar não só com a sua história e passado pessoais, mas também um tema. Estes temas reflectem vários aspectos da vida de cada personagem e por vezes estão ligados às suas motivações para continuarem o seu trabalho de herói. Por exemplo o tema de Ghostblade pode ser interpretado como isolação e o desejo de quebrar essa mesma barreira, explorando uma personagem que procurou isolamento desde pequeno, mas no momento em que quer ligar-se a outros não consegue devido ao seu estatuto de herói. Enquanto que o tema de E-Soul pode ser considerado “velhos ideais vs novos ideais” ou “velha era contra a nova era”, seguindo uma ideologia que mudou à medida que o tempo passou e reflectindo a maneira em como a corrente sociedade muda de opinião facilmente e apenas quer saber da grande novidade, facilmente descartando um legado como se este fosse lixo.

Embora o foco caia mais sobre as histórias pessoais de cada herói, a primeira temporada também vai dando informação sobre o estado actual do mundo. Para ser mais preciso, recebemos alguma informação sobre um evento que aconteceu no passado com um dos antigos heróis que recebeu o ranking de X a tornar-se num vilão. Isto em conjunto com os esquemas que as grandes agências de heróis estão a planear para alcançar os seus objectivos pessoais, independentemente daquilo que os heróis pensem da situação. Esta história adicional acaba por dar uma idea do que o confronto principal da segunda temporada será, no entanto a maneira como toda esta informação é entregue à última da hora pode confundir um pouco a audiência.

Falando do aspecto técnico, uma das razões pela qual To Be Hero X recebeu bastante hype foi devido à sua animação. Baseado nos trailers promocionais e destaques de cada personagem o público ficou a saber que To Be Hero X planeava em usar múltiplos estilos de arte e animação para o anime, indo de um estilo 3D como Arcane para um estilo mais habitual 2D de anime e até um aspecto mais “cartoonesco”. O uso de diferentes estilos oferece um ar original à série, em princípio quando as transições de 2D para 3D e vice versa são feitas de uma maneira imaculada e incrível que apenas demonstra a qualidade do trabalho que a equipa pôs durante a produção. Em especial quando combinam as transições com o poder de X, criando algo único e que apenas é possível neste tipo de média, transformando algo simples numa das coisas mais impressionantes já vistas.

No entanto por mais impressionante que a animação e a arte possa ser, algumas das personagens não fazem uma boa transição do 2D para o 3D. Possuíndo um melhor visual quando o anime tem o seu aspecto habitual de anime 2D ao invés do estilo 3D CG, sendo uma opinião que poderá mudar à medida que o público fique mais habituado ao estilo 3D de algumas destas personagens mas a primeira impressão não é a melhor comparada com outras personagens como Nice, E-Soul, X ou Ahu que possuem um bom aspecto tanto em 2D como em 3D.

A direcção de arte não é o único aspecto forte da produção, com a banda sonora a contar com muitos nomes de peso como por exemplo Hiroyuki Sawano e DAIKI a dar a mão aos temas dos heróis e outras músicas que tem lugar durante o anime. O facto de cada herói possuir o seu tema pessoal dá mais valor à personagem e cria um maior impacto nos momentos importantes.

Num todo To Be Hero X conta com uma enorme produção com o objectivo de fazer uso da média onde é apresentado para criar algo único, trazendo a originalidade que o tema de heróis tanto necessitava. Usar a primeira temporada como uma introdução à origem de cada personagem ao invés de o fazer como flashbacks no meio de combates é uma óptima idea, pois não só demonstra as motivações que as personagens tem logo ao início como também liberta tempo para a história focar-se no futuro ao invés de interromper para oferecer um breve resumo da vida de cada uma. To Be Hero X é a prova que mesmo que um tema começa a estar gastado, desde que haja um plano e gosto que é possível criar algo de interesse para o público ao invés de continuar a depender de uma fórmula já estabelecida e repetitiva.

Mathias Marques
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