Depois de Destiny, a Bungie volta a presentear-nos com um novo jogo no espaço de Games as a Service que tem estado a ficar cada vez mais competitivo. Marathon é então a nova aposta da Sony, que tem estado a tentar desesperadamente entrar no espaço dos GaaS, sendo que brevemente teremos um novo jogo do género dentro da franquia de Horizon. Posso começar por dizer que Marathon não é para todos e nem o tenta esconder. Marathon é um jogo feito para os amantes de extraction shooters que utiliza a vasta experiência da Bungie com armas como o seu ponto mais forte e tenta assim cativar os jogadores para o seu mundo.
Assim que começam, o jogo tenta explicar o que se passa neste universo, e fá-lo de forma convoluta. Resumidamente, sejam bem-vindos a uma distopia algures em 2893 no planeta Tau Ceti IV, onde alguns humanos trocam o seu corpo por uma existência digital para poderem utilizar Shells e concluir contratos para certos grupos. Toda a narrativa é contada entre cinemáticas, e conversas dentro de menus. Tudo é exposto como se se tratasse de um jogo single player diretamente para o jogador mas num ambiente multijogador. É quase impossível falar da narrativa sem falar nos menus e o aspecto dos mesmos, dado que estão bastante interconectados. As cinemáticas usam uma mistura de realidade e videojogo com bastantes efeitos de cores base bastante carregadas, estas cores passam para os menus e criam um cenário dantesco, pois são muito confusos e berrantes. O simples selecionar de um contrato implica navegar por menus e submenus, e não seria má ideia termos alguns atalhos dada a quantidade de vezes que é utilizado, e o mesmo se aplica a outras ações que passarei a explicar.
Para progredir em Marathon vão precisar de concluir contratos, recolher recompensas e preparar o vosso inventário para a próxima missão, não esquecendo os upgrades. Tudo isto é feito em diversos menus dedicados que seguem as mesmas regras mas com diferentes formas de interação que colocam todo o tipo de recompensas pagas em destaque, por exemplo resgatar uma recompensa do Battlepass que não seja premium é quase uma acção de pedir esmola, de relembrar que estamos a falar de um jogo pago e não um F2P. Existe ainda bastante conteúdo extra à venda na loja, sobretudo skins para serem adquiridas Conforme vão jogando a navegação vai ficando mais simples, mas tal como o jogo em si existe uma curva de aprendizagem bastante íngreme.
No que diz respeito a upgrades estes fazem parte das facções que vão encontrar e estão conectados às temporadas do jogo. No entanto existem alguns melhoramentos que são completamente absurdos, como o quão rápido conseguem apanhar um item depois de interagir com ele no jogo e outros um pouco menos questionáveis como aumentar a capacidade do vosso inventário. Cada jogador de certo poderá tomar a sua decisão sobre este tema mas a meu ver há certas coisas que deveriam estar na base de um jogo, como este exemplo.
Permitam-me uma questão: Jogaram Destiny? É exatamente isso que podem esperar da jogabilidade de Marathon, aquela satisfação que vem do disparar de diferentes armas, o peso, o som, está todo aqui. Dependendo da Shell que escolherem vão ter diferentes habilidades, mas o restante será praticamente igual entre as diferentes Shells. Classes mais dedicadas ao suporte têm vantagem nas curas, outras em proteger, movimentação, etc. Sendo um Extraction Shooter o objetivo é sempre realizar X números de ações e extrair do mapa para terminar, caso não consigam, digam adeus a todo o inventário que colecionaram e, de certa forma, que levaram para esta missão.
Em Marathon a jogabildiade é muito rápida e desequilibrada, os inimigos que vão encontrar conseguem ser letais muito rapidamente. O tempo para matar um jogador é bastante curto o que faz com que o posicionamento dite uma grande parte do sucesso. Em menos de nada estão no chão a rastejar, isto transforma o jogo em algo mais tático mas onde a jogabilidade não acompanha este cuidado extra necessário. Enquanto estão a rastejar podem ser salvos pelos vossos companheiros, mas existe um tempo limitado para o fazer, se falecerem podem optar por ver os outros dois jogadores a jogar e, quem sabe, ressuscitar mais tarde se os outros jogadores decidirem fazê-lo em certos locais, ou simplesmente abandonar a partida e deixar tudo para trás. Mas Marathon vai mais longe, e muitas vezes estes inimigos, se a oportunidade surgir, vão mesmo executar-vos enquanto rastejam no chão.
A vertente PvPvE do jogo faz com que exista uma mistura de inimigos controlados por IA e humanos e mantém o jogo com um nível de dificuldade elevado.
Mas o que fazemos realmente em Marathon? A jogabilidade é um loop de chegar a um mapa, encontrar itens enquanto procuramos os objetivos, gerir o nosso inventário limitado, sobreviver e extrair. Uma vez fora de uma Run, vão então poder utilizar os recursos que apanharam para preparar as próximas Runs. Isto inclui itens que ficam no nosso inventário e terão que levar convosco numa próxima run, a arma, munições, recuperadores de vida e escudo. Existem outros tipos de itens que são vendido a troco de créditos ou utilizados em melhoramentos.
Como já devem ter percebido não estarão sozinhos, pelo menos espero que consigam encontrar outras duas pessoas para vos acompanhar em cada run, no meu caso esperei no lobby diversas vezes por outros jogadores entre 2 a 5 minutos de cada vez. Cada run dura em média 15 minutos com um tempo máximo de 25 minutos. É bastante fácil de comunicar através do jogo e existem diversas ferramentas que vos ajudam, desde pings a voice chat, emotes etc. O jogo conta também com cross platform, o que me deixou ainda mais perplexo tendo em conta os tempos de espera no lobby.
Tendo em conta a facilidade com que se morre neste jogo o tempo de preparação e de espera entre runs é o grande inimigo, não é raro passar 5 minutos a jogar e cerca de 10 minutos em menus. Se por acaso já tiverem tudo preparado conseguem voltar ao jogo mais rápido mas ainda terão sempre os tempos de matchmaking pela frente que nos momentos em que joguei superaram sempre os dois minutos no mínimo, sendo o mais comum aguardar cerca de 5.
O jogo foi analisado numa PS5 base, e não espanta visualmente. Os visuais são o esperado, apesar de existir uma fluidez bastante boa, os ambientes naturais (rochas, erva etc) são desprovidos de vida e as componentes tecnológicas causam um grande contraste de cor e estrutura no ambiente. Tal como os menus, também estas estruturas utilizam cores garridas como forma de se identificar facilmente diversas zonas do mapa, algo que seria quase impossível sem essa ajuda visual, uma vez que em cada mapa as suas zonas parecem fundir-se.
Na sua componente sonora, existe uma quase ausência musical em Marathon, tendo que dar um destaque para os sons das armas que são muito satisfatórios.
Após diversas horas com Marathon, existe um jogo mecanicamente funcional, que poderá agradar aos fãs do género mas que não conta com nenhum factor que o torne verdadeiramente único. Se gostarem do lore e da jogabilidade provavelmente irão passar diversas horas aqui, mas tudo irá depender da forma como o jogo irá ser suportado daqui para a frente. Existe uma base minimamente sólida para construir um colosso, mas o futuro ainda está em aberto pois no fim de contas não nos podemos esquecer que Marathon é um GaaS e como tal pode sofrer alterações ao longo do tempo.
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