Sendo um grande fã de Arknights desde os dias da beta, e com o lançamento de Arknights: Endfield (já venho um pouco tarde) eu pensei “porque não fazer um PN Jukebox dedicado ao jogo? Afinal de contas todos conhecem Hypergryph como sendo uma companhia de música”.
E também porque Arknights conta com uma banda sonora de grande qualidade, incluindo os EPs dedicados às suas personagens que vão buscar vários géneros, fazendo com que cada música seja única e especial.
Porque não começar com algo que certamente irá marcar uma grande impressão. Apesar de “The After” ser um tema para um dos eventos do jogo e não da história principal isto não quer dizer que seja de qualidade inferior, pois tal como podem ouvir, The After continua com a boa tradição da Hypergryph em pegar num tema musical e criar algo único com esse mesmo tema. Neste caso, com a história a ser inspirada em “The Phantom of the Opera” e uma continuação de um evento anterior com o mesmo tema, a idea foi a de criar uma música que normalmente seria ouvida num musical, e porque não inserir uma parte com rap no meio? Ainda mais interessante é o facto de a companhia convidar Chris Mann como artista principal para o tema, não sendo só um cantor mas também um actor que já interpretou o papel de “Phantom” numa outra interpretação de Phantom of the Opera.
The After é um bom exemplo em como a Hypergryph explora vários estilos musicais e gosta de experimentar com os mesmos, adaptando-os para as personagens e temas que querem contar. E posso dizer que fiquei com vontade de ver musicais todas as vezes que repetia a música.
Apesar de “Doctor” ser a personagem que os jogadores controlam, é óbvio que Amiya é a personagem principal desta história. Doctor pode ter alguns elementos de história que estão relacionados com o mesmo e que vão tendo lugar durante o percurso do jogo, por vezes estando relacionado com a história de Amiya, mas grande parte da história principal de Arknights foca-se em Amiya, mesmo quando Doctor está presente. Echosim é um bom exemplo da jornada de Amiya em Terra. É interessante avançar na história e vir a conhecer mais sobre o passado destas personagens, tanto Amiya como Doctor apesar de serem as peças principais e mais importantes da história existem muitas outras que tem um papel igualmente importante. Em especial quando Theresa e Kal’tsit possuem um papel absolutamente necessário para as vidas de Amiya e Doctor. Echoism acaba por reflectir a ligação entre Amiya e Theresa (que foi assassinada antes dos eventos do jogo), como se fosse a típica cena com a personagem a falar para uma sepultura.
Echoism também conta com o regresso de Casey Lee Williams (sendo mais conhecida pela música de RWBY) a Arknights após vários anos de ausência. Pode ser uma música mais calma comparado com o que a maioria possa esperar da cantora, mas acaba por ter um maior impacto e de mostrar a sua capacidade como cantora.
Arsonist é a prova que Wis’adel (também conhecida como W) é a filha favorita da Hypergryph pois é a primeira personagem com dois temas, algo que Arsonist decide lembrar ao incluir uma pequena parte de Renegade. Ambas as canções reflectem bem a jornada e história de W, com Arsonist a mostrar um pouco mais o que vai dentro da cabeça de W. Wis’adel é certamente uma das personagens mais interessantes do jogo, começando pelo seu passado que foi apresentado em “Dark Knight Memoir“, passando pela sua presença como antagonista durante o confronto entre Reunion e Rhodes Island, e concluindo com os eventos que tomam lugar em Victória. A jornada de W é bem feita, e Arsonist é a prova disso.
E como um bónus especial, tenho de mencionar a curta metragem “The Daggers’ Inheritors“, sendo a primeira vez que a Hypergryph criou um mini filme para uma das suas personagens (se excluirmos o teaser de Near Light) e que nem necessita de muito diálogo para revelar o que as personagens estão a sentir. Sendo o fanboy que sou, digo que a curta é algo que qualquer pessoa devia ver mesmo que não conheçam o jogo e as suas personagens devido à qualidade de produção que esta possui.
E com isto já faz quatro músicas, cada uma tendo um género diferente e representando bem a dedicação que a Hypergryph possui no que toca ao aspecto musical. É verdade que estou apenas a focar-me nas minhas cinco favoritas músicas, enquanto que podia destacar outras que são cantadas em línguas diferentes ou possuem uma mistura de géneros que nunca imaginei ser possível. Mas mesmo que não as ponha em destaque penso que pelo menos uma do meu top 5 tenha atraído o interesse de alguém, e sempre podem ouvir todas as músicas através da playlist oficial (com 139 músicas neste momento).
Acreditam se disser que uma das músicas parece sair de um filme da Disney? Ou que uma é simplesmente rap Chinês? Ou que outra é cantada completamente em Russo (duas, não, três até)? O que existe uma que faz uma mistura de música clássica e eletrónica? Canto náutico? Reminiscente dos anos 80? Notaram como mencionei mais de 10 músicas até agora e todas possuem um género e tema diferente? Isto pode ser um PN Jukebox dedicado aos EPs do jogo ao invés da banda sonora que encontram no jogo, mas não pensem que o jogo em si não conta com uma banda sonora de qualidade.
Sim, posso ser um fã de Arknights devido à história, personagens, visuais, jogabilidade, apresentação, música, etc, mas também posso dizer que respeito imenso a maneira em como a Hypergryph adapta múltiplas culturas para criar regiões, personagens, histórias e os temas músicais. O respeito e qualidade que uma “mera companhia de um jogo gacha” põe ao inspirar-se em outros cantos do planeta para dar vida ao seu próprio mundo é algo que daria vergonha a muitas companhias de jogos AAA que apenas querem vender “representações”. Enquanto as outras companhias estão a falar em representações para ganhar uns trocos a mais, Hypergryph decide demonstrar o seu amor e carinho de cada cultura que utiliza para os seus jogos.
Skeletal Wings acabou por conquistar o lugar de número um no meu coração.
Não é uma música grandiosa, não é uma música emocional, não é uma mistura inesperada de géneros, não é uma língua diferente do habitual. Não. É uma música com um ar nostálgico e por mais estranho que pareça, calmo, que tornou-se na minha música favorita do jogo. Pode-se dizer que Skeletal Wings é a música que dá início ao terceiro acto da história principal de Arknights, e por muito que gostaria de falar desses eventos ou até de outros assuntos muito importantes, seria um spoiler bem grande, ainda maior daquilo que estão a imaginar. Acreditem quando digo que Arknights tem um dos melhores world buldings de sempre.
O mais engraçado é que se prestarem atenção aos teasers de quando Arknights foi anunciado à seis anos atrás (quase sete), os eventos que decorrem no capítulo 15 da história principal estão presentes nesses teasers, o que quer dizer que tudo estava planeado desde o início e que os devs estiveram à espera todo este tempo para entregar esta bomba. Não só isso mas como muitos outros eventos que decorreram na história principal e secundária, incluindo personagens. Faz sentido que se uma companhia estiver a planear um jogo de longo serviço que tenha pelo menos os primeiros anos de desenvolvimento planeados, algo que algumas companhias Americanas deviam de aprender.
Acho que por agora é óbvio que Arknights tem um grande lugar no meu coração, é um jogo que amei desde o momento em que experimentei a beta e que mencionei umas quantas vezes aqui no site, tendo até obtido o terceiro lugar na minha lista de jogos do ano de 2020. Obviamente que nenhum jogo é perfeito, mas algo que é ainda mais óbvio é o amor e carinho que a Hypergryph coloca em Arknights. A equipa tem uma visão e segue em frente com a mesma, oferecendo-nos uma mistura de excelentes personagens, história, visuais, jogabilidade e banda sonora. Devo dizer que da minha parte eles tem todo o meu respeito não só pelo óptimo trabalho que fazem mas também pela maneira em como utilizam outras culturas.
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