Análise – Summer Pockets

  • Plataformas: PC
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Por esta altura já a maioria de vocês deve estar familiarizado com as obras mais velhas da Visual Arts/Key como Clannad, Little Busters e mais. Mas as mais recentes entradas da companhia não tem recebido grande atenção, muitos não ouviram falar de Harmonia, uma curta visual novel curta que foi lançada em 2016, enquanto que outros podem conhecer Summer Pockets mas não fazem ideia de que foi produzida pela companhia.

Summer Pockets é então a mais recente criação da Visual Arts/Key a chegar até ao Ocidente e que continua a emular o espírito da companhia mesmo após 20 anos de existência, apresentando uma nova história que apesar de não chegar a ter a longevidade habitual das suas outras entradas, fincado-se apenas entre 40 a 50 horas de jogo, consegue na mesma entregar aquilo que um fã esperaria.

A história tem lugar durante o Verão, com o protagonista Takahara Hairi a viajar até à ilha onde a sua recém-falecida avó morava sob o pretexto de ajudar organizar os pertences que esta deixou para trás. Na realidade Hairi apenas está a fugir aos seus problemas e à procura de uma desculpa para não os enfrentar, enquanto que durante a sua estadia Hairi acaba por criar novas amizades com os habitantes da ilha e começa a aperceber-se de algo que havia perdido há muito tempo atrás.

Esta mudança é acompanhada pela história das quatro heroínas deste jogo, Shiroha Naruse, uma introverta que afasta todos os que aproximam-se dela; Kamome Kushida, uma rapariga que está à procura do “segredo da ilha”; a pervertida Ao Sorakado que aparece sempre a dormir em qualquer lado e por fim Tsumugi Wenders e a sua misteriosa busca de si mesmo.

As quatro heroínas compõem então as quatro rotas que o jogador vai poder escolher no jogo. O processo de escolha não podia ser mas fácil, basicamente quando o prólogo estiver terminado e o jogador tiver acesso ao mapa onde as personagens estão presentes, aquilo que é necessário fazer é simplesmente seleccionar a personagem na qual o jogador está interessado sempre que esta estiver presente no mapa.

O jogo não conta com muitas escolhas, e as que estão presentes não mudam o caminho da história, não havendo múltiplos finais para cada rota e com estas escolhas simplesmente a mudarem uma ou duas linhas de diálogo. Após o jogador entrar na rota de uma heroína as escolhas deixam de existir, com a história a focar-se na drama já que as partes iniciais estão fora do caminho. Caso nenhuma rota seja seleccionada antes do final da primeira semana de Agosto então o jogador irá obter um “bad end” com a história a terminar mais cedo.

No que toca à sua história, estas rotas contam com os seus altos e baixos. Cada uma foca-se num tema diferente e devido a isso o interesse varia, com algumas a fazerem um bom trabalho e a impressionar enquanto que outras podiam ter desenvolvido algumas partes um pouco mais para melhor explorar e explicar a situação bem como desenvolver as personagens em questão.

Assim que as quatro rotas forem completadas duas novas são desbloqueadas, sendo estas o que é normalmente definido como “True Route“, onde um novo cenário é explorado e algumas questões são resolvidas. Ambas as True Routes funcionam da mesma maneira que as outras histórias normais, onde o jogador não encontra nenhuma decisão e apenas acompanha o desenrolar do enredo.

A primeira True Route pode ter-se alongado um pouco mais do que era necessário enquanto que a segunda poderia ter oferecido mais tempo à interacção entre as personagens envolvidas, mas no fim ambas conseguem cumprir o seu objectivo e oferecem a peça final do puzzle que encerram este enredo. Embora continue a haver uma ou duas perguntas sem resposta, mesmo que estas não sejam importantes, acabam por reforçar a ideia de que o jogo poderia ter explorado um pouco mais as personagens na sua história final ao invés de ir directamente para o seu objectivo.

Não é estranho visual novels contarem com mini-jogos hoje em dia, sendo algo que até já acontecia há dez anos atrás e em Summer Pockets irão encontrar dois tipos de mini-jogos diferentes. Um é basicamente ping-pong (também conhecido como ténis de mesa) onde o jogador necessita de carregar no local correcto no momento certo para mandar a bola de volta.

O outro mini-jogo está dividido em duas partes; primeiro é necessário coleccionar animais (maioritariamente insectos), e depois o jogador usa estes em lutas de cartas onde estes atacam por turno e activam habilidades especiais, ganhando aquele que derrubar os três animais da equipa adversária. Estes mini-jogos não são mandatários e podem ser ignorados à vontade, embora seja necessário notar que estes mini-jogos irão contar como uma escolha e que o tempo irá avançar, fazendo com que a oportunidade de escolher uma heroína para seguir a sua história seja perdida.

Alguns dos jogos anteriores da Visual Arts/Key contavam com uma opção extra no menu principal para jogar os mini-jogos, por isso é pena esse mesmo menu não estar presente em Summer Pockets. Mesmo que os mini-jogos não sejam algo por aí além, ainda acabei por passar um pouco de tempo neles entre cada rota e acabei por os apreciar um pouco mais.

Em termos técnicos muito provavelmente a maioria irá encontrar um erro logo a início onde o jogo afirma que não consegue abrir um tipo de letra em específico (MS Gothic JP), apenas necessitam de seleccionar outra fonte (MS Gothic normal funciona bastante bem) e o problema fica resolvido, caso tenham essa fonte instalada então não existe problema nenhum. Existe alguns erros ortográficos mas não são muitos e alguns passam despercebidos, excluindo aqueles em que em vez de Inglês o jogador leva com Japonês, embora seja apenas uma letra nas raras vezes que acontece e a frase continua a ser compreensível mesmo para quem não tem o básico dos básicos em Japonês.

A banda sonora tal como é habitual continua a ser um dos pontos fortes da companhia e Summer Pockets não desaponta nesse departamento, quer seja as faixas nos momentos de comédia, drama ou apenas momentos normais do dia-a-dia, vão poder contar com uma boa banda sonora durante toda a aventura.

Para os temas que quer apresentar, Summer Pockets faz o trabalho essencial, mas tal como as férias de Verão no fim a história parece curta e fica a impressão de que mais momentos deveriam ter sido aproveitados ao máximo para não haver qualquer tipo de remorso sobre algo que foi deixado de lado. As personagens são carismáticas o suficiente para agarrar o jogador e existem imensas situações a recordar, deixando a vontade de ver mais momentos com as mesmas nem que seja em material adicional.

Positivo:

  • Comédia e personagens
  • Banda sonora

Negativo:

  • Algumas histórias podiam prolongar-se um pouco mais

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