Domingo Nostálgico #5 – Consola com Mil Jogos incluídos?!

O nosso país não ficou imune aos métodos menos convencionais de jogar videojogos, fossem eles modchips ou boot-cds que permitiam correr os famosíssimos jogos pirateados. Estes métodos até são dos mais recentes, mas e quando temos clones e versões não oficiais de consolas que muito adoramos? Neste caso iremos falar de uma das consolas que mais sofreu (ou não) com isso, a velhinha NES/Famicom.

Nos anos 90 existiam várias alternativas da consola de nome Famiclones e que se baseavam em réplicas que possuíam hardware igual à NES. Os jogos também teriam de ser adaptados e ligeiramente modificados para se evitar problemas legais, mas estas modificações eram praticamente mínimas, havendo ligeiras alterações nas músicas, logos oficiais dos estúdios responsáveis seriam removidos, etc.

Em Portugal tivemos um fenómeno dessas consolas de uma gama chamada Family Game. A verdade é que existiam várias vertentes semelhantes à original Famicom, mas o nome acima descrito foi o que ficou. A carroçaria das consolas replica outras plataformas, pelo que temos versões hilariantes como caixas de PlayStation, Wii, etc. Tal como o título deste artigo também menciona, algumas vinham munidas de umas centenas ou até milhares de jogos…mais ou menos.

Os responsáveis por estas réplicas tinham em mãos quem lhes produzisse e modificasse jogos oficiais, logo um cartucho ou consola que aparentava ter mil jogos, na verdade teria cerca de dez ou vinte jogos com mais umas centenas de variações do mesmo jogo. Isto quer dizer que podíamos escolher, por exemplo, uma versão de Mega Man com vidas infinitas, ou com alguns bosses já derrotados. Todo o tipo de modificações estavam incluídas e que até tornavam a jogabilidade interessante.

Eu tive uma destas réplicas com vários clássicos como Super Mario Bros, Wrecking Crew, Mega Man, e no meu caso tinha milhares de versões do clássico Contra. O jogo da Konami é bem conhecido por ser extremamente difícil, mas ter uma chance de poder acabar o jogo sem que ficasse frustrado sempre foi uma proposta aliciante.

Os jogos também eram bastante fáceis de arranjar, sendo possível comprá-los em feiras e lojas parecidas ou pedir emprestado a amigos, sendo que tinham por norma a denominação de “1000 in 1”. Por norma a arte e o texto que estava na capa destes jogos estava também ligeiramente modificada para evitar problemas legais com as companhias mãe. Algumas das descrições eram bastante cómicas e muitas dessas alterações percorrem a internet.

Com esta moda, e através da facilidade que alguns developers mais modestos teriam para produzir e modificar jogos, surgiram várias versões de marcas conhecidas como é o caso dos ports não oficiais ou até os demakes. Lembro-me de jogar títulos como Street Fighter ou Mortal Kombat numa consola que oficialmente nunca recebeu o jogo, e os resultados eram hilariantes, pois haveria um sacrifício no que toca a elementos fundamentais dos jogos devido ao fraco hardware em prol do divertimento e jogabilidade.

A NES/Famicom não foi a única vítima deste tipo de transformações ou apropriação, isto porque até o próprio GameBoy teve a sua dose de cartuchos com uma quantidades de jogos e que se denominavam como “20 in 1” ou “50 in 1”, onde para muitos foi a oportunidade para testar jogos como Pokémon e afins. A minha primeira Atari 2600 também era uma consola desse género, sendo possível alternar entre os vários jogos pelo premir de um botão.

Esta foi uma moda que dificilmente será esquecida e que deu a muitos a chance de experimentar vários jogos de uma muito adorada consola sem ter de gastar demasiado dinheiro.

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