Análise – The Last of Us Part 1

Com dois jogos vastamente galardoados e uma série com orçamento sério a caminho da HBO, The Last of Us é uma franquia que está já assumiu um estatuto de rerferência tanto dentro dos videojogos como fora deles. Isto coloca a saga num patamar de importância difícil de negar para a Playstation.

Por isso mesmo, mesmo tendo recebido um Remaster bastante positivo na PS4 da sua versão PS3, não é de estranhar que a Naughty Dog estivesse a trabalhar num Remake do primeiro The Last of Us. Foram prometidas várias melhorias que vão do visual até à jogabilidade, mas será que já passou tempo suficiente para justificar The Last of Us Part 1?

Sinceramente, não existe muito a dizer sobre o remake de The Last of Us que não possa ser encontrado na nossa análise original ou até do Remaster. Neste momento é muito improvável que nunca tenham ouvido falar dele ou o tenham experimentado sequer, a campanha de Joel e Ellie é já um clássico dos videojogos.

A melhor parte deste Remake é que deixa mesmo tudo intacto no que toca a personagens e história do jogo. Este é um remake fiel e ao contrário de Final Fantasy VII Remake que deita fogo ao guião original e ainda o pisa várias vezes, aqui a ideia é ser aquilo que sempre foi e contar a história de The Last of Us Part 1 tal como ele era. As personagens são as mesmas, os acontecimentos são os mesmos e o desenlace é igual, não corrompendo o que já foi feito e compromentendo a sequela.

Tenho pena no meio de toda a história que o DLC Left Behind não tenha sido encaixado na história original como segmentos que podiam ir surgindo à medida que a história o exigia, não era difícil, podia ser bem montado e ajudar a perceber melhor a história da Ellie dentro do padrão geral em vez de a jogar num segmento próprio.

As verdadeiras diferenças mais sentidas em The Last of Us Part 1 é claramente o visual e a forma como a inteligência artificial foi construída para este jogo. Das várias vezes que joguei The Last of Us, recordo que os inimigos tinham padrões bem mais simples de movimentação e também eram bastante “cegos” com as nossas movimentações, não vendo a personagem sair detrás de uma protecção mesmo com ela logo à frente. Não quer com isto dizer que não aconteçam coisas estranhas como a Tess ou a Ellie frente a frente com um inimigo e ninguém queira disparar primeiro ou personagens que ficam presos por estarem a tentar passar ao mesmo tempo por uma porta. A IA está melhor, mas não perfeita.

Visualmente, temos aqui também várias melhorias, sendo que os modelos das personagens foram construídos do zero com a nova tecnologia e não só estão ainda mais naturais como todos os detalhes nas suas faces, mãos, cabelos e roupas estão muito melhores e dentro daquilo que é a nova geração. Os cenários estão mais detalhados e com muitos mais pormenores, além de detalhes específicos nas salas ou divisões que têm agora ainda mais materiais presentes.

A nível técnico temos os elementos de que mais gosto a dar mais qualidade ao jogo. O HDR funciona com uma grande qualidade, a fluídez de jogo está muito melhor e a iluminação também. No global, The Last of Us Part 1 utiliza bem a PS5 e mesmo a nível do próprio Dualsense, mesmo que não seja tão espetacular como Astro Playroom, o comando cofere uma jogabilidade muito mais interessante e com reacções que alimentam a experiência. Não nos podemos esquecer também de que as vozes e banda sonora são de grande qualidade tal como já eram no original e conseguem manter os padrões dos dias de hoje.

Em termos de conteúdo em si, The Last of Us Part 1 surge apenas com o extra de ser possível fazer speedrun da história ou de segmentos da mesma. É um extra que pode vir a dar pano para mangas, mas que muitos jogadores não vão sequer experimentar. A longevidade é também inferior ou até nula para quem já o jogou várias vezes na PS3 e PS4. Por muito bom que o jogo seja, o preço final é bastante elevado para algo que pode ser jogado com qualidade também na PS5.

Muito se falou da necessidade de ter um The Last of Us Part 1 ao longo dos últimos meses e eu sou defensor de que é viável, mas não necessário. Com este jogo, a Sony dá-nos a hipótese de jogar o primeiro jogo com a melhor qualidade possível, mas existem outros jogos, mesmo da mesma geração que mereciam muito mais um Remake. Demon’s Souls é o perfeito exemplo de um jogo que merecia e ganhou nova vida, por isso outros como Uncharted: Drake’s Fortune, Infamous, Resistance, God of War (PS2), Killzone (PS2) ou Jak and Daxter deviam estar na lista das prioridades.

The Last of Us Part 1 é exactamente aquilo que um remake devia ser, o jogo mais fiel possível ao original, mantendo quase a papel químico aquilo que sempre foi e adicionando coisas que servem apenas para encher o olho, fazendo com que seja uma experiência mais actual possível. Neste ponto, The Last of Us Part 1 é irrepreensível e acaba por ser a forma perfeita de jogar The Last of Us, altamente recomendado se for a vossa primeira vez, pois é um remake perfeito.

Positivo:

  • Visualmente impresionante
  • Muito melhor fluídez
  • Opções de acessibilidade são bem-vindas
  • Modo Speedrun pode dar mais longevidade
  • Dualsense cria uma boa experiência

Negativo:

  • Não tem grandes extras
  • Preço alto para quem já o jogou
  • Left Behind podia ter sido incluído na campanha principal
  • The Last of Us ainda não precisava de um Remake

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