Análise: Horrible Bosses 2 – Chefes Intragáveis 2

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Está escrito nas estrelas que a sequela de uma comédia nunca supera o filme antecessor. É uma maldição Hollywoodesca que tramou várias franchises, nomeadamente: A Ressaca, A Máscara e Os Caça-Fantasmas. Evidentemente que existem sequelas que podem ser desfrutadas, mesmo sem o efeito surpresa – caso de Gremlins 2 -, mas no modo geral, se o primeiro capítulo foi bem-sucedido, a sequela necessita de pernas fortes e robustas para aguentar-se à “bomboca”.

Continuado nas tradições Hollywoodesca, Horrible Bosses enquadrou-se na categoria de comédia para maiores de 18 que surpreende o box-office de Verão, um fenómeno recorrente no panorama cinematográfico norte-americano (Ted, A Ressaca e We are the Millers). Horrible Bosses atingiu um resultado interessante em 2011, oferecendo inúmeras personagens carismáticas à cultura pop, bem como um grupo de trabalho com relação bastante saudável. Portanto, tornou-se apenas lógica uma sequela.

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Horrible Bosses 2 narra a história de Nick, Kurt e Dale, três amigos que decidem avançar para um projecto em nome individual, em resposta à má experiência profissional do passado, que resultou num plano diabólico para assassinar os patrões (primeiro filme). No segundo filme criam um produto, cuja patente está em vias de parar nas mãos do poderoso Bert Hanson, o que origina uma nova aventura.

O elenco conta com os regressos de Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Jennifer Aniston, Kevin Spacey e Jamie Foxx, bem como a estreia de Chris Pine e Christoph Waltz.

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Na cadeira de realizador esteve sentado Sean Anders. O cineasta tem uma filmografia associada à escrita, mas a ausência de Seth Gordon (responsável pela adaptação cinematográfica de Uncharted) colocou Sean Anders na liderança da sequela. De um ponto de vista técnico, há alguns reparos a fazer. Nem sempre os enquadramentos favorecem a dinâmica orgânica da linguagem cinematográfica. A comédia exige planos abertos e respirados para que se sintam os timings da comédia, mas essa escolha exige enquadramentos ticos em informação e interessantes para que possam fluir. Pois bem, se os enquadramentos não são esteticamente evoluídos e não possuem valor acrescido (cenas do hospital ou cenas no carro), o resultado prático não transcende o medíocre. Eventualmente Sean Anders deveria ter sido mais arrojado, com mais planos de corte, e confiar os timings cómicos à edição.

Por falar em edição, o responsável pela montagem estava inspirado, e conseguiu belíssimas sequências de acção, nomeadamente a cena da perseguição, bem como a harmonia entre humor físico e o humor verbalizado. A iluminação também é interessante (tonalidades quentes), tal como a escolha da banda-sonora.

 

Horrible Bosses 2

Embora aposte na receita do primeiro filme, Horrible Bosses 2 consegue refrescar em parte o conceito, apostando no elemento mais forte do primeiro filme, que é a dinâmica entre os personagens/actores e espicaçando o que podem oferecer. Outro elemento que merece destaque é a facilidade como manuseiam elementos do último filme em favor da comédia (running jokes e set ups). Outro elemento interessante é o humor verbalizado, e nesse campo Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day são craques. Existe uma careta aqui e acolá, talvez algum humor fácil, mas funciona.

Horrible Bosses 2 não é uma comédia para toda a gente, alias, encaixa num perfil muito próprio (homem na casa dos trinta e solteiro), e dificilmente conquistará fãs longe desse espectro. Quem estava à espera de uma sequela completamente nova e distante do original desengane-se (os gatilhos que movimentam a história são os mesmo do primeiro filme), no entanto, a narrativa fluí ao sabor da genética dos novos formatos televisivos, ou seja, com um tema transversal no tronco da história, mas pincelada com tonalidades diferentes. No caso de Horrible Bosses 2, resulta.

 

Positivo

  • Dinâmica entre Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day
  • Regressos de Jennifer Aniston, Kevin Spacey e Jamie Foxx
  • Humor de improviso
  • Uma continuação interessante da história

 

Negativo

  • Os mesmos gatilhos do primeiro filme
  • Chris Pine não está talhado para a comédia
  • Realização

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JPMatias

Excelente análise! Na minha opinião, o primeiro filme até foi interessante. Apesar de não ser revolucionário, oferecia umas boas gargalhadas e até tinha um conceito inovador. No entanto, nunca achei que fosse necessária uma sequela e parece que isso é notável na qualidade duvidosa deste filme.

Edgar Silvestre

embora não seja um filme por aí alem, confesso que gostei (gulty plesure), no entanto reconheço e justifico as falhas graves que tem

tylarth

Tenho curiosidade em ver este filme mais pela continuação da história do que outra coisa. Boa análise.

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