Análise – Hatred

hatred-analise-1-alt-pn

Desde que foi anunciado, Hatred gerou uma boa dose de controvérsia, o que trouxe de volta as discussões já batidas sobre a violência nos videojogos. Nesse sentido, a Destructive Creations não podia ter pedido por melhor publicidade, e verdade seja dita, influenciou um pouco o meu interesse pelo jogo.

Eu podia discutir se Hatred ultrapassa o limite imaginário do quão violento um videojogo pode ser e da hipocrisia de muitos argumentos que já li, mas vou deixar isso para vocês na secção de comentário e vou tentar limitar-me a avaliar os méritos do jogo por si só. Fica o aviso que, se a premissa do jogo não vos agradou antes, esta análise não vos fará mudar de ideias.

hatred-analise-8-pn

Hatred é um jogo de tiros isométrico onde controlamos o Antagonista (segundo ele, o seu nome não é importante), um homem que parece uma mistura entre o Tommy Wiseau e o Nathan Explosion. Ele odeia a humanidade e quer matar o maior número de pessoas possível antes de morrer, talvez porque a namorada acabou com ele ou porque gozaram com o seu esbelto cabelo.

Após um breve tutorial, são atirados para o primeiro nível do jogo onde o vosso primeiro objectivo é matar um determinado número de civis. Sendo o rebelde que sou, eu ignorei a “missão” e limitei-me a passear pela vizinhança. Toda a gente que encontrei na rua desatou a fugir pela sua vida aos berros como se eu fosse o Anticristo. É verdade que andava a passear com uma AK-47 nas mãos mas eu não tinha disparado uma única bala, portanto parece uma reacção algo exagerada.

hatred-analise-9-pn

Alguns minutos depois, surgiu um carro da polícia e os agentes dispararam mal me colocaram a vista em cima, sem nenhuma ordem de antecedência para render-me e parar o que andava a fazer, apesar de apenas ter saído de casa para apanhar ar. Como seria de esperar, faleci em poucos segundos.

Depois de assistir a este pequeno episódio, sou capaz agora de entender porque é que a nossa personagem tem todo aquele ódio contido nele. Saímos de casa e as pessoas afastam-se logo de nós e a polícia mais rápido nos daria um tiro do que esclarecer as coisas pacificamente. O Antagonista é uma clara vítima de discriminação social, e agora que descobrimos a razão porque matamos inocentes, podemos continuar com a análise.

hatred-analise-4-pn

Como referi anteriormente, o objectivo principal do jogo é matar pessoas. Começam por matar um determinado número de civis, a seguir têm de matar um determinado número de polícias e depois ir a um certo ponto do mapa para completar o nível. As últimas missões envolvem objectivos diferentes, como obter C4 de uma base militar, mas como vão encontrar pessoas a impedir-vos o progresso, vão continuar a matar mais uns quantos.

A maioria dos níveis oferece uma área ampla para explorar onde têm alguns pontos de interesse para completar missões secundárias que normalmente envolvem matar mais pessoas. Alguns níveis têm uma estrutura mais linear, o que facilita matar pessoas porque há menos sítios para onde podem fugir.

hatred-analise-6-pn

Terão acesso a diversas armas de fogo na vossa cruzada genocida, como pistolas, metralhadoras, caçadeiras, lança-chamas e bazucas. Podem alternar entre 3 tipos diferentes de projécteis: granadas, molotovs e outra coisa que nunca usei porque não mata pessoas. Também têm a possibilidade de conduzir alguns carros, o que provou ser mais desvantajoso do que andar a pé.

Apesar de bastar apontar com o rato (ou analógico) na direcção que queremos disparar, Hatred permite “apontar” ainda melhor. O que isto faz exactamente é expandir a área de visão no ângulo em que estão a apontar, o que é bastante útil porque a vossa oposição tem a tendência de disparar fora do ecrã.

hatred-analise-2-pn

À medida que avançam, o jogo torna-se estupidamente difícil, encontrando cada vez menos civis inofensivos e mais polícias e militares armados, mas todos eles demonstram ter um QI bastante reduzido. Não só vão ver civis a tentar fugir longe de vocês e a fugir na vossa direcção, como também vão encontrar agentes da polícia a fazer vários friendly kills.

Uma vez que não têm vida regenerativa, a vossa única maneira de restaurar saúde é executando pessoas em agonia, ou seja, pessoas que estejam a rastejar no chão a pedir por misericórdia. A forma mais fácil de colocá-las vulneráveis a estas execuções é dando um pontapé aéreo, algo que denominei como Hate Kick, que as atira logo para o chão.

hatred-analise-5-pn

Algumas destas execuções agressivas, como esmagar um crânio com o pé ou dar facadas no abdómen, podem ser perturbadoras na primeira vez, mas após verem a mesma animação dezenas de vezes, perde algum impacto.

Talvez eu é que esteja a ficar cada vez mais dessensibilizado perante toda esta violência, mas é complicado levar um jogo a sério quando tem situações engraçadas (nem sempre intencionais) em que mato 20 drogados e recebo uma proeza chamada “Winners don’t use drugs“, activo o auto-aim se colocar sim na opção “Are you drunk?” ou não consigo destruir uma estátua para uma das missões secundária porque tinha as definições de destruição em “Low”.

hatred-analise-3-pn

Já não é a primeira vez que vemos um jogo quase unicamente a preto e branco, no entanto continua a ser um estilo visual interessante. Não tem o charme de um MadWorld mas ajuda a tornar Hatred mais distinto, o que é irónico porque há ocasiões em que não consigo distinguir nada quando está a decorrer muito caos no ecrã (desafio-vos a encontrar o Antagonista em algumas das imagens desta análise).

Gostava de falar mais sobre os gráficos do jogo e se dá bom uso ao Unreal Engine 4, mas eu joguei com as definições no mínimo porque eu sou teimoso e ainda não ascendi, portanto não há muito que possa elaborar aqui.

hatred-analise-7-pn

O primeiro trailer de Hatred até conseguiu deixar-me algo incomodado, mas agora que o joguei até ao fim, não pareceu tão chocante. Sim, é um jogo onde matamos pessoas inocentes mas não faz nada que já não tenha sido visto ou feito num GTA.

Dou respeito à produtora por criarem o jogo que queriam, sem receios de ser politicamente incorrecto. Hatred não é para todos e não é suposto ser levado a sério, e mesmo quem não tenha problemas com a premissa, pode aborrecer-se após estar sempre a matar e a matar.

Vejam também a nossa vídeo-análise de Hatred!

Positivo

  • Espalhar caos e destruição
  • Momentos de humor (intencionais e não intencionais)
  • Hate Kick

Negativo

  • Pouca variedade nas missões
  • Inteligência artificial
  • Mais uma prova de que o meu computador é meio batata

razoavel-oficial-an-pn-img

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram