Análise – Hitchcock

Por que motivo Hitchcock é um fiasco?

Alfred Hitchcock é um dos maiores cineastas da história, e foi uma boa notícia quando veio a público a intenção de desenvolver um filme sobre o realizador britânico. Hitchcock era um indivíduo especial, com manias próprias e comportamentos que reflectiam a genialidade. O entusiasmo aumentou com o nome escolhido para desempenhar o papel: Anthony Hopkins. Um actor oscarizado e carismático, que tem todas as competências para desempenhar um bom trabalho. Infelizmente não é o que acontece.

A premissa é interessante: as dificuldades enfrentadas por Hitchcock na produção do maior sucesso da carreira (Psycho). Porém, como filme, faltam elementos que enriquecem a experiência cinematográfica. O inciting incident não provoca um dilema cativante (se Hitchcock avança com Psycho, o pior que lhe poderá acontecer é ficar menos rico ou chamuscar ligeiramente a reputação), as personagens não evoluem (acabam como começaram), e as interpretações ficam aquém do estatuto dos actores. Anthony Hopkins nunca consegue apanhar a personagem, ficando a meio caminho da imitação e da representação (como tinha acontecido com Nixon). Helen Mirren está no nível que nos habituou mas o sub-plot da personagem dá em nada, logo esvazia o trabalho da actriz (à excepção do momento em que assume a realização de Psycho).

Os melhores momentos do filme foram aproveitados por Scarlett Johansson (interpreta Janet Leigh) e James D’Arcy (que interpreta Anthony Perkins). Ambos estão excepcionais e tiram partido das personagens, especialmente James D’Arcy que consegue dar vida a Perkins e invocar Norman Bates.

A realização do estreante Sacha Gervasi é frágil. Os enquadramentos não respeitam o tema da cena, a introdução de elementos estranhos provocam confusão e o climax é pouco… climático.

Hitchcock merecia melhor para honrar o trabalho em Psycho. Perdeu-se uma oportunidade para especular o processo criativo do mestre do suspense e/ou revelar os bastidores do estúdio que criou Psycho. Nomeadamente: processo de construção das personagens; relação entre actores; como Hitchcockpotenciava o talento dos actores. Por sua vez acompanhamos situações inconsequentes, com tiques de telenovela, sem impacto na história e na evolução das personagens.

Hitchcock vai estar em estreia mundial até Abril, mas até ao momento o retorno financeiro tem sido decpcionante se tivermos em conta a história, a personagem principal e o elenco escalonado. Em exibição nos Estados Unidos, desde o final de Novembro, arrecadou 5,924M dólares e 5,337M nas restantes bilheteiras mundiais.

 

Positivo

  • Cenas nos bastidores de Psycho
  • James D’Arcy e Scarlett Johansson
  • Helen Mirren , mesmo com um texto fraco, faz sempre bem

 Negativo

  • Realização
  • Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock
  • Os dilemas das personagens
  • Vertente escolhida para contar a história em redor da produção de Psycho
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Guilhathorn

What a shame…

Edgar Silvestre

indeed

Marcelo Guerreiro

E eu a pensar que este era um grande filme!!

Nirvanes

Vai ver o Psycho, está nos cinemas! Isso sim!!

Nirvanes

Eu concordo :/ eu fui ver, e também saí assim meio desiludido. Gostei porque é o Hitchcock, e gostei de ver os bastidores e a vida dele (a side story da Alma é uma coisa tão miserável… mais valia não terem feito nada).

Há uma coisa que eu não concordo, acho que o Hopkins faz um bom trabalho. Isto porque na semana passada acabei por sacar o The Girl, o outro filme sobre o Hitch que saiu mas só na TV britânica e conta a história (pelo que se sabe, real) da obsessão do realizador com a actriz de Pássaros e Marnie, Tippi Hedren. Mostra o lado negro dele, a forma como tratava a Alma (que é, e acredito-me mais neste filme, uma mulher menos ‘autónoma’ e forte que a Alma deste da Helen Mirren que a mim me parece altamente exagerada), e como se apaixonou pela actriz. É um filme 10x mais interessante que este, mas o Hopkins para mim é muito melhor Hitchcock que Toby Jones (em The Girl).

Edgar Silvestre

não vi o The Girl. Provavelmente o Hopkins teve dificuldade com a maquilhagem e as lentes de contacto para encarnar a personagem, na minha opinião perde todas as cenas para os outros actores. mas estamos a entrar no campo da subjectividade (por vezes, nem os actores sabem que se fizeram bem ou mal). Teria gostado mais de uma outra abordagem ao filme porque as cenas “em estúdio” são mesmo cativantes

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