Game of Thrones já marcou o universo das séries televisivas pela sua qualidade, é indiscutível que se trata de uma das séries com um dos melhores, se não o melhor tratamento visual. Se ao aspecto juntarmos um elenco maioritariamente carismático com um guião que tem por base uma das melhores séries literárias dos últimos anos, temos uma receita para criar expectativas elevadíssimas.
A questão que se coloca logo de seguida é se esta temporada esteve à altura? A resposta simples é um, “Já vi melhor.” A resposta longa ocupará todo o espaço desta análise.
Mesmo antes de a série ir para o ar, produtores de Game of Thrones comunicaram desde logo que dado o passo a que estão a caminhar, e tendo em conta o ritmo da obra em que se baseiam, seria impossível não começar a fazer grandes mudanças nos acontecimentos da série tendo em conta A Song of Ice and Fire. Desde logo existem três tipos de fãs da série, os que não leram os livros e por isso tudo é uma novidade assombrosa e desmoralizante; os que leram os livros e não se importam muito com as liberdades criativas pois assim sempre existe algo inesperado, e é neste grupo que eu me incluo; e finalmente o grupo de puristas onde os livros tomam proporções maiores que a Bíblia e qualquer detalhe que fique de fora ou seja alterado é tomado como um pecado mortal.
Posso então dizer que se pertencem ao terceiro grupo esta temporada é passível de grandes distúrbios mentais, os outros dois grupos devem sentar-se e aproveitar o espetáculo de 10 episódios acompanhados por lenços de papel já que… vão morrer personagens!
Esta temporada no geral tem um início bastante pacato, parece que não existe nada a acontecer, isto tendo em conta as anteriores temporadas. Algumas personagens acabam assuntos pendentes da passada temporada como Tyrion e Arya que assim começam um novo ciclo.
Pessoalmente achei os primeiros 4 ou 5 episódios demasiado explicativos, faltava ali alguma acção que acabou por ser colmatada com breves cenas em Essos. Felizmente a partir daí o ritmo de Game of Thrones volta ao que era, ou quase. Na minha perspetiva os primeiro episódios ajudaram imenso a cimentar a história e foi graças a eles que os últimos 3 episódios tiverem o devido impacto, no entanto isso não desculpa alguma monotonia causada durante esses mesmos episódios.
King’s Landing tem uma história bastante diferente para nos contar esta temporada, depois de um grupo religioso ter conseguido chegar ao poder, os eventos que se seguem são extremamente irritantes, e dou os meus parabéns por isso mesmo. Não é todos os dias que uma série nos consegue irritar propositadamente. No norte de Westeros, os Bolton e o exército de Stannis Baratheon preparam-se para uma guerra e bem a Norte, Jon Snow e os seus irmãos de capa negra preparam-se para o Inverno que esta temporada se revela finalmente.
Em Essos temos dois pontos de vista que acabarão por culminar num só. Enquanto Tyrion e Varys têm um contratempo na sua viagem até Mereen, Daenerys enfrenta um grave problema dentro das muralhas da sua cidade.
Como todos nós sabemos em Game of Thrones o mais certo é as vossas personagens favoritas morrerem, uma de cada vez, e de formas no mínimo originais e/ou inesperadas, e com esse facto bem presente, foram apresentadas novas personagens, mais propriamente a família Martell. Esta família deu-se a conhecer na anterior temporada através de Oberyn Martell, que concluiu com êxito o seu doutoramento em Game of Thrones em apenas uma temporada.
Agora é a vez de conhecermos a restante família que reside em Dorne, uma nova localização para a série, e é em Dorne que vamos conhecer algumas das personagens mais intensas desta temporada, as serpentes do deserto, Obara, Tyenne e Nymeria Sand, as filhas bastardas mais velhas de Oberyn. Em adição a estas 3 serpentes temos o regresso de Ellaria que é mãe de uma das serpentes presentes nesta temporada. Ellaria quer vingar a morte de Oberyn e este torna-se um dos pontos fulcrais da temporada.
Falando então sobre os desenvolvimentos de todos estes pontos, no geral têm um início fraco e demorado, algumas destas histórias desenvolvem-se muito bem outras ficam a meio deixando no ar o que a próxima temporada poderá trazer. Outras vão deixar a maioria chocada com a resolução, como aliás tem vindo a ser habitual.
Foi uma temporada atípica de Game of Thrones, não foi má mas também não foi a melhor. Contém alguns segmentos bastante impressionantes mas ficou a sensação de não conseguir estar à altura das expectativas. Fico no entanto ansiosamente à espera de 2016, adicionando a sexta temporada à minha crescente lista de coisas que quero para ontem.
Ainda me faltou falar de muitas personagens e eventos, para não tomar mais tempo neste momento recomendo que estejam atentos ao ProximoNível pois brevemente teremos um podcast especial sobre esta temporada de Game of Thrones.
Positivo
- Ambiente da série continua espectacular
- Novas personagens são bem-vindas
- Momentos de cortar a respiração
Negativo
- Parece que nada acontece nos primeiros episódios
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