Análise – Endless Dungeon

Durante muitos, o conceito do Looter era imediatamente associado a Diablo, o qual foi emulado anos mais tarde e o seu estilo de jogo inspirado em equipar equipamentos novos constantemente também. Ainda me lembro que Borderlands foi o meu favorito nesta divisão e fez algo que ninguém tinha feito, misturar o looter com o shooter.

Endless Dungeon é um jogo que tenta fazer isso mesmo, mesclar estilos de jogabilidade já solificados em algo novo. Estamos a falar de um roguelike que se mistura com um towerdefense e um coop survival shooter. Conseguir misturar tantos géneros num só jogo podia acabar por ser intoxicante, mas o resultado até que é bastante positivo.

Endless Dungeon é no seu núcleo um jogo top-down de equipa onde movemos a personagem com um analógico e usamos o outro para disparar. Claro que as nossas personagens não se ficam por aí. Cada vez que vamos progredindo na campanha ou abrindo portas, vamos ter acesso a novas habilidades e formas de destruir os inimigos. Este sistema usa um pouco de risco e recompensa que ajuda a que exploração seja mais empolgante, mas também mais desafiadora.

Existem várias personagens para escolher e cada uma delas têm as suas armas e vantagens, sendo uns mais ofensivos e outros mais defensivos, no entanto, todos têm como base as suas fraquezas que são complementadas por jogar em equipa com outras personagens. Isto é especialmente notório quando somos atacados por vagas de inimigos que são resistentes ou fracos contra determinados ataques. Os cenários estão pejados de nódulos que são usads

Cada cenário é gerado de forma aleatória e existem missões a ser entregues de forma a ter desafios extra ao longo dos níveis. É preciso gerir os recursos de forma inteligente e com alguma preparação, além de que cada zona deve ser explorada constantemente em grupo, pois o separar das tropas pode ditar a morte muito depressa caso alguém decida trazer a sua vertente de Rambo ao de cima. Como os inimigos também estão divididos por tipos, a estratégia aumenta e a presença de toda a equipa é sempre mais sólido.

Pelo facto de ser um jogo de equipa e Tower Defense, Endless Dungeon acaba por ser um jogo muito mais desafiante do que podem imaginar. Morrer não é caso raro e ser penalizado por isso é uma constante, o que faz com que os momentos de invasão acabem por ser bastante tensos. Como os cenários são gerados aleatóriamente, também não são raros os casos onde nos vemos a braços com picos de dificuldade aleatórios, onde por vezes o cenário pode ser bastante fácil e o seguinte ser totalmente devastador.

Depois temos a questão das personagens. O rol tem algumas escolhas diferentes e cada personagem tem as suas vantagens, mas no geral, acabam por parecer todas um pouco iguais, era interessante ver abrir um leque maior de habilidades especiais e mais diferenciadoras entre todos. Por isso mesmo, a escolha dos jogadores vão acabar por recair pelas personagens com quem mais se identificam na verdade.

Em termos visuais, Endless Dungeon é um jogo simples mas sólido, o seu visual faz lembrar uma mescla de Borderlands e Deep Rock Galactic misturados e espalhados em cima de ambientes isométricos ao estilo Diablo. A arte é bastante apelativa e o desenho dos inimigos e dos nossos exploradores estão bem conseguidos. A música é inspirada nos típicos filmes de ficção científica onde os heróis estão em constante perigo, por isso foi feita para criar pressão.

Endless Dungeon é um jogo estranho à primeira vista, mas que acaba por funcionar bastante bem e existem bons motivos para isso. Além de funcionar bem, as peças que o constrõem são retiradas de inúmeros jogos que fazem o que ele faz, embora com o seu foco mais definido. Com isto, Endless Dungeon não consegue ser perfeito em nenhuma das categorias que engloba, mas é bom o suficiente em cada uma delas para ser um jogo divertido e desafiante.

Positivo:

  • Foco na acção em equipa
  • Mistura de conceitos
  • Masmorras com possibilidades infinitas

Negativo:

  • Dificuldade irregular
  • Personagens podiam ser mais distintas
  • Cenários com pouca diversidade
  • Frustrante em muitos momentos

 

Daniel Silvestre
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