Análise – Age of Empires IV


Já lá vão mais de 15 anos desde que foi lançado um novo Age of Empires, mas a Microsoft não deixou cair no esquecimento tal como comprovam as novas versões de Age of Empires 2 e 3. Eis então que nos chega Age of Empires IV, um jogo que nos chega pelas mãos da Relic Entertainment e que promete simplificar um pouco mais e regressar ao passado da série.

Conhecida pelos seus lançamentos através das séries Company of Heroes ou até Warhammer 4K, o estúdio tem em mãos uma tarefa interessante e poderá cimentar uma nova base para o futuro de Age of Empires.

O modo campanha funciona muito bem no sentido em que recriar algumas batalhas e acontecimentos importantes da história da humanidade, como prepara o jogador para as mecânicas de combate no que toca a unidades. Começamos a descobrir rapidamente que as unidades funcionam um pouco com a mecânica “pedra/papel/tesoura”, passo a explicar, todas as unidades têm o seu ponto fraco e ponto forte, como os soldados de lança que são fortes contra cavaleiros, mas pouco fazem aos arqueiros. Todas estas mecânicas são subtilmente explicadas ao longo do nosso percurso e funcionam muito bem.

Para além de serem desafios interessantes e estimulantes, o valor académico de cada uma destas histórias não pode ser desvalorizado. Esta é sem dúvida uma maneira interactiva de descobrir o percurso de alguns dos maiores reinos do nosso planeta, mas também todo o trabalho audiovisual que está por de trás dos vídeos que antecedem e precedem cada missão, estão muito bem interessantes e dão uma perspectiva elaborada de alguns destes acontecimentos.

Um dos aspectos mais distintos da série Age of Empires que continua bem assente é a particularidade entre cada civilização. Apesar de todas elas responderem às características base entre cada uma, todas elas têm aspectos distintos e alguns bónus em certas áreas. Destaque para algumas unidades como os Mongóis cujos ataques ao estilo “toca e foge” irão irritar o adversário ou os mortíferos Franceses que podem não só criar algumas unidades mais depressa como causar mais dano do que é suposto.

Na sua essência vejo um jogo que decidiu dar um passo atrás no que toca à jogabilidade. Fãs dos dois primeiros Age of Empires irão entender o que digo, isto porque o enfoque na recolha de recursos naturais simples como madeira, ouro, pedra e alimentos, bem como a construção de infraestruturas específicas para criar novas unidades mantêm-se como elementos essenciais do jogo. Ao mesmo tempo que aumentamos a nossa população e acumulamos recursos, vamos escolher evoluir a nossa árvore tecnológica e o nosso exército para podermos agir de uma maneira mais eficaz e organizada.

Existem também algumas novidades que são sempre bem vindas como a capacidade de colocar unidades em cima de muralhas para uma melhor defesa, trabalhadores têm menos problemas de colisão e algumas infra-estruturas como as quintas estão um pouco mais simplificadas, ou o facto dos Mongóis poderem mover as suas infraestruturas para onde quiserem.

O multiplayer continua a ser uma das experiências mais desafiantes de toda a série. Até conseguirmos dominar toda a dinâmica e mecânica da mesma, vamos precisar de praticar um bom bocado e até fazer algumas pesquisas pela internet. Existem inúmeras possibilidades de abordarmos a criação e gestão do nosso exército, isto dependendo da civilização, e a micro-gestão de unidades no terreno seja em posicionamento como em combate, continua a ser um dos pontos mais altos de todo o jogo.

As condições de vitória centram-se em vários aspectos, desde a destruição total do adversário como a possibilidade de nos podermos apoderar de todas zonas sagradas sem resposta do adversário. Obviamente que a capacidade de derrotar o inimigo com poder bélico e esmagá-lo sem misericórdia continua a ser aliciante, mas em caso de confrontos mais complicados teremos sempre outras maneiras de vencer as partidas

No aspecto da apresentação fico um pouco dividido no que acabei de ver. Age of Empires IV não é de todo um jogo visualmente apelativo. Mostrando-se com um grafismo simples e sem grande rigor, a Relic Entertainment focou-se em trazer uma representação simples de todo o jogo, incluindo modelos e animações. A performance por vezes também não é a melhor, mas no geral o jogo cumpre os mínimos necessários para se mostrar decente. Gostei também da simplicidade dos menus e da maneira como vários elementos estão arrumados por cores e sem recorrer ao excesso de cores. Mesmo assim, é preciso ter em conta os detalhes impostos a cada facção, seja nos detalhes das unidades de combate como nas infraestruturas, dando como sempre um método de identificação rápida e detalhada dos mesmos.

Toda a sonoridade do jogo é sem dúvida impressionante. A preocupação em recriar um ambiente de guerra fidedigno resultou sem dúvida neste jogo. Grande parte dos elementos do jogo causam um bom impacto sonoro, seja dos combates entre espadas até ao galopar dos vários cavaleiros do jogo.

Volto a dizer que Age of Empires IV é um passo atrás no sentido em que não sai da sua zona de conforto. Basicamente pegou em tudo o que havia feito em Age of Empires 2 e refinou a fórmula sem adicionar nada demasiado radical. Esta jogada não é de todo prejudicial, pois poderá dar novas bases para a série evoluir, mas por enquanto não é impressionante.

Não deixa mesmo assim de ser um jogo altamente divertido e viciante. Toda a experiência Age of Empires clássica que conhecemos está bem replicada e intacta, garantindo assim uma boas horas de divertimento.

Age of Empires IV é um bom regresso desta série altamente popular. A Relic Entertainment fez uma jogada segura neste regresso mas as portas estão abertas para recebermos mais algumas novidades no futuro.

Positivo:

  • Facilidade em entender as mecânicas e jogabilidade
  • Facções distintas mas com bastante equilíbrio
  • Sonoridade bastante impressionante
  • Cinemáticas bem trabalhadas e informativas

Negativo:

  • Corre poucos riscos no que toca a inovação da fórmula
  • Apresentação demasiado simplista
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