O drama… O horror… A tragédia… Só que não. Yakuza Kiwami na versão Nintendo Switch 2 é uma verdadeira novela de acontecimentos tristes, violentos, que nos chegam a deixar com a lagriminha no canto do olho ao testemunharmos a triste história de vida de Kazuma Kiryu. O que não se espera é que no meio de toda essa emoção, amores e desamores, pancadaria nada ocasional e penteado sempre impecável, Kiryu se deparasse com momentos inesperadamente cómicos e inusitados, fazendo com que a expressão popular “esperar o inesperado” encaixe que nem uma luva em Yakuza Kiwami na versão Nintendo Switch 2.
A saga começa com uma tragédia terrível, onde a culpa é imputada a Kiryu. Após dez anos a pensar na vida enquanto estava na prisão, é finalmente liberto. E é aqui que começa a aventura: descobre o quanto a vida pode mudar na sua ausência, a panóplia de coisas sucedidas como consequência disso e principalmente, que as pessoas podem não ser mais as mesmas (pontinha de suspense agora). Em busca de respostas, Kiryu vai percorrendo as ruas da cidade de Kamurocho, cruzando-se com várias situações estranhas, surpresas e personagens caricatas pelo meio.
Praticamente não há curva ou esquina onde Kiryu passe que não apareça alguma grupeta de malta para lhe dar cabo do coiro, honrando o estilo característico de jogo beat’em up em alto nível. Desde agarrar numa bicicleta, num painel publicitário e até em um bule com água quente (sim leram bem) de modo a “ensinar uma lição” ao adversário mais rapidamente sem perder a compostura e sequer fazer um vinco no seu imaculado fato cinza claro, pasmaceira e tranquilidade é algo que não existe em Yakuza Kiwami na versão Nintendo Switch 2. Com uma curva de aprendizagem e sistema de pontos e melhoria de skills, cada vez que Kiryu anda à pancadaria com arruaceiros, recebe recompensas em forma de experiência e amealha igualmente umas moedinhas. Especialmente com Goro Majima.
Neste título de Yakuza Kiwami existe um extra tremendamente inesperado e caricato, que é o “Majima Everywhere” onde basicamente o cromo do Majima aparece em qualquer lado, sítio ou momento! Sim, não se espantem de o virem a aparecer debaixo de um cone de sinalização de estrada, a armar uma confusão por se disfarçar de zombie, a dar o ar da sua graça num “bar” a fazer danças lindas de se ver… agarrado a um varão.
O objectivo é surpreender Kiryu – e surpreende-nos a nós – sempre com o intuito de o desafiar para uma pancadaria onde as capacidades de Kiryu são postas à prova e onde têm a oportunidade de evoluir o seu skill de combate no modo Dragon, desbloqueando habilidades conforme se progride na escala “Majima“. Existem mais três modos de combate – Brawler, Rush e Beast – que progridem ao longo do jogo conforme o jogador os vai “trabalhando”, investindo os seus pontos de combate nos variados campos de cada modo. Durante as lutas, é possível e altamente aconselhável, navegar pelos estilos de combate dado que cada um têm as suas características específicas e eficácia conforme os “amigos” que aparecem para dar umas “pancadinhas de amor” em Kiryu. Fiquei especialmente fã do modo Beast, seja pela própria expressão corporal que o personagem assume quer mesmo por fazer jus a ficar uma autêntica “bestinha” quando chega a roupa ao pêlo dos inimigos…deliciosamente gracioso a dar com um painel publicitário na carapinha de alguém.
O jogabilidade deste título na versão Nintendo Switch 2 corre muito bem, nas “poucas” cenas de pancadaria que e na vida pacata de Kiryu, tudo flui com uma satisfatória sensação de experienciarmos dar com uma roda de bicicleta em algum rufia, sem se darem lags ou bugs. Dá logo vontade de agarrar uma poltrona ou um vaso de flores e continuar a “distribuir fruta”. Os controlos são simples e intuitivos, não causam nenhum tipo de complicação ao fazermos combinações estratégicas nem sequer quando temos de aceder ao inventário para ingerir os boosts que aumentam a vida ou o heat, em plena pancadaria.
Os gráficos estão bons, com pormenores satisfatórios de se verem, definição agradável da zona de Kamurocho, nos seus habitantes e até em Kiryu e nas suas expressões. A banda sonora é que é um pouco menos variada mas não esperava também grande diversidade num título em que “passeamos” por uma cidade e andamos a ver as “vistas”, porém devo afirmar que a utilizada é bastante au point e que especialmente a trilha sonora das alturas em que Kiryu está com mais conflitos ou demanda de pancadaria por metro quadrado, nos dá ímpeto e a sensação de objectivo a cumprir.
Não posso deixar de comentar os minijogos ou as sub stories em Yakuza Kiwami, que são necessárias de fazer durante o jogo e é realmente nestes “pequenos pormenores” que este jogo nos agarra: envolvidos na trama da vida assoberbada de sangue e lágrimas de Kiryu, do nada cruzamos com um senhor mendigo que nos pede para lhe comprarmos uma bebida alcóolica. Claro que não somos obrigados e independentemente se ser bonito ou não, temos a escolha de o fazer ou não. Claro que o fiz, nada como alimentar o vício de um mendigo já bêbedo que nem um cacho, dando mais uma garrafinha, só na esperança de se obter uma informação que se necessita. Não pensem que Kiryu é sem coração, o mesmo que dá a tal garrafa ao mendigo também se predispõe a ir comprar ração para um cãozinho abandonado ou a apanhar um boneco numa vending machine, para um senhor oferecer à sua… “filha”.
Além de estar sempre a provocar nódoas negras e momentos hilariantes de finalização aos rufias com quem se cruza, ao longo do percurso da personagem, há vários itens para coleccionar, que podemos encontrar escondidos em zonas da cidade ou até que vão sendo dadas a Kiryu, aquando ele ajuda alguém e recebe como agradecimento. Itens esses que podem ser dados (como os óculos que Kiryu recebe como gratificação e que posteriormente os oferece a um senhor que não tinha os óculos para poder ir ver um show de “danças exóticas”) vendidos e utilizados em algumas situações. Ao longo de toda esta panóplia de eventos, assistimos à trama de Kiryu a desenrolar e vamos recebendo as indicações do que fazer.
Yakuza Kiwami na versão Nintendo Switch 2 surpreendeu-me pela positiva. Sim, um jogo que fosse apenas um de beat’em up sem grande coisa para se fazer além disso, não é muito aliciante e cansa ao fim de um tempo. Foi genial terem sido incluídos os minijogos, sub stories muitas vezes ridículas e o próprio Majima, para dar uma pimenta e twist mais divertidos a este título, que nos mantém na expectativa do que mais pode acontecer e que teremos de fazer. São esses elementos que cativam e prendem ao jogo. No geral, é um título que recomendo a ser experimentado, para descomprimirem ao passarem umas horas a libertar algum “steam” depois de um dia de stress no trabalho ou só porque sim. Tudo é válido.
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