The Hobbit: An Unexpected Journey – Análise

De regresso à Terra Média.

Passaram 11 anos desde a estreia mundial de O Senhor Dos Anéis – A Irmandade do Anel. Mais dois anos volvidos, e mais dois filmes lançados: As Duas Torres e O Regresso do Rei. Pelo caminho, milhões de fãs, milhões de dólares de receita no Box-office, o Óscar para melhor filme (O Regresso do Rei) e uma crítica exigente que viu-se obrigada a dar a mão à palmatória quanto à qualidade de um filme com um Universo do Fantástico.

Perante este desempenho, não foi de estranhar o regresso à Terra Média, novamente pelas mãos de Peter Jackson, para contar agora a história do livro que antecede a trilogia de O Senhor dos Anéis, ou seja, O Hobbit (fica a faltar Silmarillion para completar a saga de J.R.R. Tolkien). Será que valeu a pena? A resposta é sim. Desde que não tenham odiado de morte os primeiros três filmes.

The Hobbit conta a história de Bilbo Baggins (protagonizado por Ian Holm no filme 2001), tio querido de Frodo e o portador do Anel mais poderoso da Terra Média. O Hobbit: Uma Viagem Inesperada vai revelar a aventura que o pequeno Hobbit enfrentou até tornar-se numa lenda da Terra Média e tornar-se o responsável pelo Anel.

Apesar de ser baseado numa obra literária O Hobbit: Uma Viagem Inesperada, identifica claramente os três actos do guião. No primeiro acto a exposição. É nos contextualizado o que se passa na Terra Média com o lançamento de um acontecimento que irá ser responsável pelas decisões do nosso herói. Porém este primeiro acto é a pior fase do filme. São introduzidas as personagens e é explorado a indecisão do herói face ao apelo da aventura. Apesar das sequências visuais sobre os acontecimentos na Terra Média serem fabulosas, os elementos introduzidos que identificam as personagens são reminiscentes e insonsas, as cenas na Shire chegam a provocar a sensação que naquele momento estarão com certeza a acontecer coisas mais interessantes do que conhecer um lote de personagens estandardizadas e impossíveis de memorizar (provavelmente irão apenas lembrar-se das personagens pelos símbolos, como o Tipo Do Chapéu Esquisito, O Velhote e O Tipo Que Faz Lembrar Vagamente o Aragorn, Mas Não É). A indecisão de Bilbo (interpretado por Martin Freeman) ao apelo da aventura é arrastada por demasiado tempo, o espectador sabe à partida que Bilbo vai aceitar o desafio, porquê tanto tempo onde nada acontece?

O ponto alto do primeiro terço será o reencontro com Gandalf, novamente interpretado por Ian McKellen (papel que valeu ao actor britânico um Óscar da Academia). McKellen encaixa como uma luva na personagem do feiticeiro, num misto de ternura e imponência.

Depois de aceitar o apelo da aventura, Bilbo une-se a Gandalf e a um grupo de anões guerreiros, liderado por Thorin Oakenshield (interpretado por Richard Armitage na tal personagem que não é o Aragorn), cuja demanda é recuperar o reino perdido dos Anões do Este e retomar um tesouro lendário guardado por um dragão.

Entramos no segundo acto, com as regras do cinema clássico bem aplicadas. As personagens conhecerem-se melhor, revelam os medos e coragens, tomam conhecimento de um Universo que não é o que pensavam.

No Terceiro Acto, assistimos à conclusão do arco do primeiro filme. O nosso protagonista (Bilbo) encontra o lugar no mundo, conquista o respeito e confiança dos seus pares e é aceite por quem duvidava das qualidades. Fim… Acredito que não esteja a estragar a experiência de quem leu esta análise antes de ver o filme, porque a maioria dos filmes segue este padrão.

Em The Hobbit há coisas muito boas, inclusive melhores do que na Irmandade do Anel. Bilbo é uma personagem bastante rica. O pequeno Hobbit é inteligente, generoso, corajoso e genuíno. A relação que estabelece com as outras personagens é pura e consistente. Outro factor mais, em contraponto com Frodo, é o facto de Bilbo evitar as luzes da ribalta, apenas intervém quando o dever obriga. A somar à personagem, o castong foi muito feliz com um actor muito promissor.

Apesar de ser extraordinário rever Galadriel, Saruman, Gollum, Elronde e Gandalf, The Hobbit padece de cenas épicas que fiquem na história do cinema como aconteceu com o antecessor de 2001. Na Irmandade do Anel, fica na retina um Nazgul a espreitar sobre uma ribanceira à procura do paradeiro dos Hobbits, ou a morte de Boromir, que reconhece no leito de morte Aragorn como legitimo rei. Em The Hobbit, a sequência mais espectacular será o combate entre os Gigantes de Pedra, que na pártica não contribuí para o evoluir da história.

A realização, como seria de esperar, está tecnicamente soberba. Peter Jackson é dos melhores realizadores da actualidade e voltou a prová-lo, com uma edição imaculada e uma interação de planos dinâmica, que ajuda à fluidez das sequências e a caracterizar as personagens. Visualmente The Hobbit é estrondoso, apesar de não ser drasticamente diferente qualitativamente do filme de 2001, mas é notório a evolução tecnológica, e as cenas de batalha são tão ricas, que é impossível desfrutar completamente do empenho dedicado em cada plano. O único senão, volta a ser o 3D, não pelo 3D em si, que funciona quando deve funcionar, mas pela versão cinematográfica em 2D. Há planos concebidos para explorar as potencialidades do 3D, mas na ausência da tecnologia, a experiencia não existe, e ficam milésimos de segundo de plano no ecrã onde nada está a acontecer.

A banda sonora volta a ser extraordinária e empolgante. O naipe de actores a colaborar é um cozinhado entre actores com enorme reputação na área e um grupo de novatos dispostos a dar o melhor por um lugar ao sol.

Fica agendado para 2013 The Hobbit: The Desolation of Smaug e The Hobbit: There and Back Again para 2014.

Pontos Positivos

  • Terra Média
  • Efeitos Especiais
  • Realização
  • Banda Sonora
  • Cate Blanchett, Christopher Lee, Ian McKellen e Hugo Weaving no mesmo plano.
Pontos Negativos
  • Novas personagens pouco carismáticas
  • Demora na decisão de Bilbo perante o apelo da aventura
  • Pouca intervenção de Bilbo no desenrolar da história
  • Cena à Hamlet entre Bilbo e Gollum

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