Análise – Ratchet & Clank

Ratchet & Clank é sem dúvida alguma uma das minhas séries de videojogos favoritas e a prova disso é que joguei e acabei todos os jogos da série, até as versões em flash e mobile. Por isso com 14 anos, e muitos jogos depois chega-nos uma celebração das origens da série que tem como objectivo voltar a introduzir Ratchet & Clank a um novo públicco mas que felizmente não se esquece nem por um segundo dos que acompanham estas aventuras intergaláticas há anos.

Uma das coisas que mais me surpreendeu é a quantidade de referências ao passado da série que estão presentes nesta aventura, de uma forma em que os novos jogadores não saem prejudicados. Estas referências são mais gritantes no que toca a armas do passado da série e que por vezes me infernizam o juízo com falsas esperanças de as poder utilizar pois na sua grande maioria não são jogáveis, mas na verdade doeu-me a alma ao ver uma das minhas armas favoritas de toda a série numa cinemática e não a poder utilizar no jogo… Ainda assim existem também referências durante as falas que quase me levaram às lágrimas e certas e determinadas piadas que me levaram a colocar o comando em cima da secretária e ir apanhar ar, sabem, aquelas piadas tão más que são boas.

Esta aventura começa de uma forma enigmática quanto ao espaço-tempo. Tanto podemos estar numa continuação directa dos eventos de Ratchet & Clank Nexus como podemos estar em outro qualquer ponto, afinal de contas é o Capitão Quark que nos está a contar a história. As minhas suspeitas recaíam sobre os eventos do original mas pelo fim da aventura esta pergunta teve uma resposta quase clara, fiquem apenas com a ideia que estes eventos podem ser vistos de várias formas.

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Para quem conhece o Capitão Quark, sabe que esta é uma personagem com um bom coração mas terrivelmente egoísta, egocêntrica e cobarde. Como tal, se é ele quem está a contar a história eu esperava ver uma visão totalmente deturpada da realidade, no entanto, tirando alguns elogios à sua pessoa esta é uma aventura sem muitas influências de Quark, no entanto está também ela repleta de novidades. Se podemos retirar alguma coisa desta aventura é que a equipa que construiu este Ratchet & Clank tem bastante amor pela sua criação e decidiram recontar a origem da série com o auxilio de tudo aquilo que aprenderam com o tempo. Não me vou alongar mais com a história mas fiquem com a ideia de que esta é uma mistura entre o original e muitos novos conteúdos que fortalecem a narrativa e a jogabilidade.

Quanto a áreas para explorar vamos revisitar níveis e eventos presentes no original assim como novas localizações e personagens. Algo que está de volta são as corridas em skates flutuantes, viva… tão boas memórias que eu não tenho destes segmentos. Felizmente estas corridas foram melhoradas mantendo os circuitos, atalhos mas com as mecânicas mais apuradas. Quem pensa em Ratchet & Clank actualmente pensa logo também em arenas e infelizmente essa não foi uma das adições a esta aventura, é pena pois os desafios da arena consomem uma boa meia-dúzia de horas repletas de desafios. Algo que voltou foram os combates de naves espaciais e num destes segmentos podemos ver onde entra o verdadeiro poder da PS4, existe tanto a acontecer no ecrã e em conjunto com a pressão em que nos conseguem colocar fez deste um dos segmentos mais memoráveis.

No entanto nem tudo na performance do jogo corre assim tão bem, existem secções recheadíssimas de inimigos e as armas à nossa disposição conseguem ser por vezes as culpadas por algumas frame drops. Para ser mais especifico, armas que alteram a aparências dos inimigos usadas em conjunto com outras armas que façam um grande espectáculo de fogo de artificio colocam tanto a acontecer em simultâneo que por vezes conseguimos observar alguns frame drops. Estes não são de todo comuns e só aparecem em situações muito especificas.

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As armas presentes neste jogo são também uma mistura entre algumas versões melhoradas do original, outras tantas do passado da série e ainda algumas novas. É um arsenal diversificado mas nem por isso o mais vasto, não fazia mal nenhum terem inserido mais meia dúzia uma vez que consegui colocar todas as armas a nível máximo ainda antes do Boss final, algo que não costuma acontecer por acidente e costuma requerer alguma persistência da minha parte. Infelizmente há uma arma da qual eu tenho que falar pois foi uma das maiores desilusões deste jogo, o Sr. Zurkon. Tendo em conta o passado desta arma mais propriamente as suas falas, em Ratchet & Clank este Sr. Zurkon parece uma versão censurada do original e nenhuma das suas falas me ficou na cabeça. Ainda me lembro de por exemplo em A Crack in Time o Sr. Zurkon me ter ameaçado no escuro, aqui o máximo que temos são comentários sobre o facto de não estarmos em combate.

Esta aventura tem também novidades na sua jogabilidade com a alteração de um dos botões de “salto longo” ao qual rapidamente me habituei, e a inserção de um menu rápido associado ao D-Pad que permite trocar de arma sem pausar o jogo, pessoalmente gosto bastante do menu clássico e com tantas armas por onde escolher é bom que o tempo pare, ainda assim podem alterar tudo isso nas opções. Algo que está de volta são os melhoramentos de armas através de Raritanium que permite acrescentar novas funcionalidades e melhorar as velocidades de disparo etc. Temos o regresso dos parafusos de ouro que acabam por desbloquear arte, mecânicas de jogo alternativas e mais algumas surpresas e ainda uma novidade, as Holo-Cards. Estas cartas estão escondidas no cenário e também podem ser apanhadas quando matam alguns inimigos, elas estão agrupadas em conjuntos e quando completam um desses conjuntos ganham um bónus ou a possibilidade de comprar a versão Omega de uma arma no modo desafio.

Para quem acompanha Ratchet & Clank sabe que algo que tinha vindo a ser uma das marcas da série eram os Skill Points, certas acções que valiam pontos para desbloquear extras, alguns difíceis de obter, outros aparvalhados mas no fundo acções que nos faziam revisitar certas áreas do jogo e nos colocavam desafios ou Puzzles. Desta vez eles não existem da mesma forma e o número foi drasticamente reduzido, eles estão presentes como troféus ocultos o que significa que ou os descobrem por acidente ou procurando por eles na Internet. A meu ver é mais uma vez uma decisão mal tomada, pois para além de serem uma imagem de marca da série eram acções que estendiam o tempo de jogo e agora não só são poucas como será uma sorte descobrir todas. E sim, alguns deles obrigam-nos a falhar propositadamente.

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A nível musical podem contar com uma boa banda sonora mas nem por isso a melhor da série, é uma daquelas que é bastante boa mas falta-lhe aquele tema principal que fica realmente no ouvido. Já as vozes são uma conversa dependente de gostos. Pessoalmente eu comecei a jogar a série em inglês e estou habituado ao timbre das personagens nessa mesma língua, mesmo que tenham existido algumas mudanças ao longo dos anos. No entanto desde Tools of Destruction que a série principal tem tido direito a vozes em português e tenho vindo a fazer passagens com as vozes em inglês, português e por vezes em espanhol para celebrar a Juanita de Ratchet Gladiator. Posso dizer que em inglês as vozes estão no seu melhor e em português estão boas, quem jogar em português não vai perder nada do que realmente interessa ainda assim o trabalho feito em inglês é claramente superior.

Aquilo que fica depois desta aventura é sobretudo a sede por mais, para ser franco esperava um jogo com um bocadinho mais de longevidade. Demorei 13 horas a completar a primeira volta ao jogo e apenas 7 ou 8 numa segunda, sendo que completei todos os coleccionáveis na segunda volta. Na minha perspectiva é por essa razão que senti falta de uma arena ou de mais 2 ou 3 planetas, aliás a história poderia facilmente englobar mais alguns cenários. Mas vamos concentrar-nos no que está presente no jogo, que acaba por ser uma aventura completa e com uma recta final surpreendente que me deixou mais contente do que poderia imaginar.

Ratchet & Clank é ideal para novos jogadores assim como para os veteranos da série, facilmente recomendo a todos os jogadores e faço questão de dizer que é este tipo de videojogos que provam que jogos de plataformas ainda são amados e fazem falta num mercado que tende a esquecê-los. A novidade do realismo nos videojogos já passou e é possível fazer trabalhos fantasiosos com resultados soberbos que até já me fizeram questionar se estava a ver um filme de animação ou a jogar. Ratchet & Clank é uma aventura que perdurará no tempo como o exemplo de uma série amada, bem tratada e que merece ir mais além, sendo este recontar das origens um marco de como cativar um novo público para uma série com quase 15 anos sem trair a confiança e alegria dos veteranos. Se alguma coisa mais pode ser dita sobre este jogo é que foi a aventura épica, deslumbrante e estonteante que me foi prometida; talvez com mais ovelhas do que esperava.

Positivo

  • Jogabilidade aliciantepn-recomendado-2016
  • História bem recontada e ainda assim surpreendente
  • Boa selecção de armas
  • Personagens
  • Referências ao passado da série
  • Viciante

Negativo

  • Frame Drops ocasionais
  • Arena inexistente

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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