Análise – Nine Parchments

Nine Parchments é um jogo sobre aprendizes de feiticeiros com a jogabilidade de um “twin stick shooter“, ou seja andamos e apontamos com os dois analógicos com uma vista aérea, mas com uma vertente co-op bastante forte e acima de tudo friendly fire. Pelo menos esta é a intenção do jogo desde o momento em que nos é apresentado, e da experiência que tive posso afirmar que é um jogo extremamente caótico.

Este é um jogo da Frozenbyte. Este estúdio já nos presenteou com jogos muito bons, mas também já mostrou que por vezes mete os pés pelas mãos e o resultado é bastante estranho, Nine Parchments acaba por ir ao encontro deste último exemplo. O meu primeiro contacto com o trabalho da Frozenbyte deu-se com Trine, um jogo de plataformas e acção com uma vertente cooperativa muito forte, e foi com grande surpresa que comecei a jogar Nine Parchments e a voz  do narrador me pareceu extremamente familiar. Nine Parchments passa-se no mundo de Trine, para um fã de Trine como eu, isto foi mais do que suficiente para me convencer e foi com muita felicidade que comecei a minha jornada.

Desde a apresentação à música, tudo em Nine Parchments me remeteu para Trine, o que é positivo e acaba por ser uma expansão deste universo. Como disse no início nós vamos encarnar um dos vários aprendizes do grande feiticeiro e após um tutorial bastante completo dá-se uma explosão e as várias páginas que contêm poderosos feitiços acabam em parte incerta e os aprendizes vêm aqui uma oportunidade de aprender novos feitiços e partem em busca das mesmas. É um ponto de partida simples e bastante eficaz.

A início apenas podemos escolher uma de duas personagens sendo que podem desbloquear não só mais personagens mas também até 3 versões diferentes de cada uma. Cada personagem tem feitiços iniciais diferentes, começando com 3 e pela altura que findarem a aventura deverão ter 9. Existem vários feitiços, bem mais do que 9, pelo que cada personagem acaba por ser bastante diferente e para além disso quando ganhamos um novo feitiço podemos escolher 1 de entre 3, pelo que a mesma personagem pode ter feitiços diferentes dependendo do jogador. No entanto também podemos equipar vários bastões que vamos encontrando com o decorrer do jogo e chapéus. Os bastões alteram um pouco as nossas habilidades, já os chapéus estão lá só para o estilo.

Existem feitiços simples que funcionam como um feixe de luz direccionado ao alvo, outro são atirados e criam uma área de efeito, podemos ter também feitiços que funcionam num registo de metralhadora entre outros efeitos. Tudo isto é simples quando jogamos sozinhos mas assim que avançamos para o co-op o caos instala-se. De um momento para o outro os nossos feitiços passam a cruzar-se, em certos casos criam um novo feixe muito mais poderoso e que mistura os elementos utilizados, outras vezes atinge os nossos companheiros e mesmo quando pensamos que estamos a ajudar a equipa com feitiços de cura, temos que estar conscientes que também corremos o risco de curar os inimigos. É um sistema caótico e que gera um ambiente de diversão e frustração dependendo dos jogadores envolvidos.

Na minha opinião só foi divertido jogar Nine Parchments com outros jogadores quando podia comunicar com os mesmos presencialmente ou por voz, caso contrário cada um tenta ajudar mas a verdade é que só nos atrapalhamos uns aos outros. Para ajudar à confusão a 1ª vez que todos os jogadores morrem, o jogo decide ressuscitar um jogador ao acaso e é o trabalho dele garantir a sobrevivência do grupo ressuscitando os restantes feiticeiros. É um equilíbrio muito ténue entre a diversão e a frustração.

Cada personagem pode ainda utilizar um teletransporte para fugir a certos perigos e saltar. Os níveis estão construídos de forma a criar diversas situações que exigem a utilização de vários tipos de feitiços e artimanhas por parte dos jogadores para serem concluídos com sucesso. Existe alguma diversidade no que diz respeito às situações e os inimigos que encontramos também se vão tornando mais habilidosos e capazes de nos aniquilar se não tivermos cuidado. Devido a isto vi-me obrigado a jogar com outras pessoas para conseguir concluir com sucesso o jogo, pois sozinho torna-se bastante complicado de ultrapassar os vários desafios.

Nine Parchments conta com vários níveis de dificuldade e consegue tornar-se bastante difícil, não só porque os inimigos são mais poderosos mas também porque o caos criado pelo nossos feiticeiros pode mesmo ser o nosso maior inimigo, e não temos mais ninguém para culpar a não ser nós mesmos. Nine Parchments foi analisado na Switch e devo dizer que os analógicos não permitem a melhor pontaria possível pelo que muitas vezes falhava o alvo por um triz ou acertava por engano noutros jogadores.

A longevidade de Nine Parchments ainda dura umas largas horas, são mais de 30 níveis e cada vez que jogamos podemos ter uma experiência diferente devido aos feitiços disponíveis, e existe ainda o factor da evolução da personagem que vai subindo de nível conforme ganham experiência. Como um todo é uma experiência engraçada mas demasiado caótica, ainda que possamos atenuar os efeitos do friendly fire. Se preferirem podem optar por dividir o dano que recebem e causam ou anular o dano dos feitiços de área, mas nunca o conseguem desligar permanentemente. É um daqueles jogos que convida os jogadores a passarem o jogo várias vezes para desbloquear tudo, agora dependerá de vocês estarem dispostos a tal.

Nine Parchments é divertido mas depende bastante de com quem estão a partilhar a experiência, aconselho vivamente a jogarem com amigos, pois caso contrário habilitam-se a momentos frustrantes, pois não é uma aventura fácil.

Positivo

  • Visual colorido e apelativo
  • Muitos feitiços
  • Chapéus, porque é sempre bom podermos trocar de chapéu
  • Muito para desbloquear
  • Boa variedade de desafios durante os níveis

Negativo

  • Extremamente caótico
  • Apesar de toda a variedade é um jogo sem muita profundidade e torna-se repetitivo após algum tempo
  • Problemas de precisão ao lançar alguns feitiços

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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