Análise: G.I. Joe Retaliação – G.I. Joe Retaliation

G.I. Joe é um dos franchises bem-sucedidos da década de 80, a referência obrigatória de uma geração, o paradigma do dever, bravura e altruísmo, mas também uma máquina de fazer dinheiro que originou séries de televisão, brinquedos e acessórios. Um produto de entretenimento que, simultaneamente, consolidou em todo o mundo a marca Estados Unidos da América.

Consciente do potencial comercial, a produtora da saga de A Múmia entendeu que estava na altura de lançar o franchise G.I. Joe no grande ecrã, potenciado por efeitos especiais de nova geração e uma história repleta de acção.

Stephen Sommers (realizou os primeiros filmes da Múmia) assumiu G.I. Joe – O Ataque dos Cobra, uma iniciativa que piscava o olho à durabilidade e rentabilidade. A receita duplicou o investimento, mas a forma como os heróis de infância ficaram retratados não convenceu os fãs. Foram precisos quatro anos para que chegasse a sequela aos cinemas.

G.I. Joe – Retaliação enfrentou alguns problemas, Stephen Sommers foi substituído por Jon M. Chu (realizador de Step Up), a dupla Rhett Reese/Paul Wernick ocupou-se do argumento, e o filme esteve agendado para 2012, mas uma redefinição estratégica empurrou a estreia para Março de 2013. Finalmente, após uma campanha de marketing agressiva, a estreia aconteceu.

A história de G.I. Joe – Retaliação narra (mais) uma iniciativa da organização Cobra para conquistar o mundo. Tendo em conta que a equipa de G.I. Joe garante a paz mundial, e normalmente deita os planos dos Cobra por água abaixo, o acontecimento que arranca o filme é uma emboscada aos G.I. Joe. A armadilha provoca a aniquilação quase total da equipa e os poucos sobreviventes prometem vingar os companheiros, desvendando quem ordenou o ataque.

O elenco de G.I. Joe conta com alguns notáveis do cinema de acção, nomeadamente Dwayne Johnson, Byung-hun Lee, Ray Stevenson, Channing Tatum, Ray Park, RZA e Bruce Willis. Apesar da experiência de alguns actores, inclusive em outros géneros, não lhes foi exigido muito além da pose para a objectiva e “deixas” com uma frase.

A realização de Jon M. Chu cumpre o que é suposto, apesar dos enquadramentos à Michael Bay e uma edição rápida que não permite compreender o que está a acontecer, o verbo aborrecer nunca é conjugado. A iluminação é bastante colorida, privilegiando os contrastes das tonalidades frias. Em relação à banda sonora, as músicas selecionadas para os trailers acabaram por ter menor impacto no filme.

G.I. Joe Retaliação não pode ser levado a sério, há demasiadas falhas e problemas de coerência e concordância na história. Há que ter em conta que G.I. Joe Retaliação existe num universo de fantasia, onde o efeito é mais valorizado do que o conteúdo.

Perante esta lógica, o filme acaba por ser competente, com cenas propositadamente cómicas, sequências de acção originais e frenéticas, mas mais importante, o mérito de encarar conscientemente o que é universalmente entendido por “tonto”.

Na prática, G.I. Joe – Retaliação é muito melhor do que o antecessor, e está uns furos acima da maioria dos filmes do género. Considerando que a arte procura provocar o belo e a consolação ao espectador, G.I. Joe Retaliação acaba por ser “giro e divertido”.

 

Positivo

  • Dwayne Johnson a desempenhar o papel de… Dwayne Johnson
  • As “deixas” com uma frase
  • Sequência na Montanha
  • O drama de Lady Jaye
  • Snake Eyes vs Storm Shadow

 

Negativo

  • Edição
  • Predomina a genética dos desenhos-animados dos anos 80
  • Oportunidade perdida para engrenar confrontos épicos entre personagens épicas