Análise – Lego Worlds

 

As possibilidades de construção com blocos de lego são imensas e apenas limitadas pela vossa imaginação. Lego Worlds tenta trazer esta possibilidade de construção para o mundo dos videojogos adicionando uma pitada de aventura a esta ideia, no entanto algumas limitações iniciais fazem com que nem tudo valha a pena.

A nossa aventura começa pela exploração de pequenos mundos tutoriais onde vamos desbloquear todas as ferramentas de criação. Este processo demora pouco mais de uma hora e consiste em completar pequenas tarefas para outras personagens. Durante este período de tempo vamos aprender a copiar objectos, colocar objectos no cenário, construir paredes, pintar Lego e fazer buracos no cenário. Todas as acções que descrevi são feitas utilizando ferramentas e na sua maioria são processos que exigem demasiados passos para realizar uma tarefa com sucesso. No entanto o nosso tutorial não acabou, para aceder ao que a maioria dos entusiastas de Lego mais gostam, construir mundos, terão que obter 100 peças de Lego douradas. Por outras palavras apesar do básico já vos ter sido ensinado agora é altura de recolher objectos e peças para o vosso inventário, desconfio no entanto que não conseguiriam arranjar uma pior maneira de nos obrigar a fazê-lo.

Para alguém como eu que não é um estranho a estas andanças, o tutorial já foi suficientemente enfadonho com passos óbvios e limitações excessivas e onde me apercebi que Lego Worlds estava longe de ser um mar de rosas. No entanto talvez seja necessário para os jogadores mais novos com pouca ou nenhuma experiência dentro do género. Depois do tutorial aquilo que mais me apeteceu fazer foi construir os meus próprios mundos, fazer as minhas aventuras. Mas isso foi-me recusado, apesar de ser possível fazer algumas construções só podemos começar a fazer os nossos mundos quando reunirmos as 100 peças douradas. Não baixei os braços e resolvi tentar seguir o caminho delineado pelo jogo, qual não foi a minha surpresa quando descobri que o que me esperava era a hipótese de reviver o tutorial novamente mas agora noutros mundos maiores, isto até conseguir as 100 peças. Todo este processo é repetitivo e não é de todo sinónimo de diversão.

Para explicar então aquilo em que consiste Lego Worlds, até que reúnam 100 peças douradas vão viajar por vários mundos, copiar os objectos desse mundo para mais tarde utilizar. Vão também completar tarefas desprovidas de emoção pelo caminho que podem obrigar-vos a sair do sítio em que estão para ir buscar um objecto e voltar. Este foi o meu verdadeiro problema com Lego Worlds, é demasiado aborrecido no seu sistema de progressão nem mesmo os baús enterrados que podem conter estas peças dão outro sabor que não o de “Outra vez arroz!”. Conforme juntam estas peças douradas a vossa nave de exploração de mundos também sofre upgrades o que permite explorar mais mundos e quando tiverem 100 criar os vossos.

O jogo tenta a todo o custo obrigar o jogador a completar quests para personagens tão icónicas como o pirata ou o homem das cavernas, perseguir monstrinhos verdes que só sabem correr à velocidade certa para nos enfurecer e enquanto isso encoraja o jogador a copiar todos os objectos que vê no cenário, um de cada vez, para mais tarde utilizar nas suas criações, estou a falar tanto de objectos como npc’s desde porcos a outros bonecos Lego e poderão também desbloquear novas roupas. É repetitivo, desprovido de aventura e cansativo. Qual era o problema em deixar o jogador construir os seus mundos desde o início, afinal de contas é essa a ideia que nos tentam vender com Lego Worlds.

Felizmente podem fazer estas tarefas com um outro amigo online ou ao vosso lado no sofá já que o ecrã se divide caso precisem de um segundo jogador, mas fiquem desde já avisados que a performance do jogo piora de forma drástica em todos os aspectos no multijogador local. Agora podem comunicar e tentar divertirem-se com Lego Worlds como pano de fundo. Vamos então falar agora das ferramentas de construção. Ao contrário de alguns jogos do género que colocam nas mãos do personagem os objectos, aqui tudo é feito através de ferramentas. Existe uma ferramenta para copiar e colocar objectos no cenário, uma ferramenta para colocar bases de construção, uma ferramenta para blocos, uma para pintar etc. Existem ferramentas para tudo, e algumas como a de colocar objectos fazem com que controlemos a personagem para indicar o local, outras trocam a perspectiva e passamos a controlar a peça enquanto a nossa personagem se move sozinha para acomodar o local da peça.

Com tantas ferramentas é normal termos de ir trocando entre as mesmas e seleccionar as peças que queremos, no entanto sempre que trocamos de ferramenta corremos o risco da perspectiva voltar para a personagem e acabamos por andar com a peça até ao sítio e gastar mais tempo, como se a troca de menus não bastá-se. Depois, claro, existe o posicionar das peças que ao contrário do que possam pensar é uma tarefa que requer tempo e paciência com constantes correcções e a obrigatoriedade de reposicionar constantemente a câmera. Se a vossa câmera não estiver no ângulo correcto e estiverem a fazer uma parede, é bem provável que quando derem por isso já tenham feito uma fileira de Lego naquilo a que gosto de chamar uma “paralela de esguelha”, ou seja fica tudo torto. Os controlos deste sistema de criação também não são do melhor e apesar de nos irmos habituando não é difícil de nos enganarmos porque premimos o botão errado, felizmente existem opções para desfazer e refazer os últimos movimentos.

É óbvio que todos nós temos ideias fantásticas e Lego Worlds dá-nos as ferramentas para as realizar mas desenganem-se se acham que é fácil, tudo requer muito, muito trabalho. Na minha opinião quando erguer uma parede se torna no pináculo de um mestrado alguma coisa não está bem. Antes que perguntem, sim é possível copiar objectos como casas no mundo ou até mesmo partes de um grande objecto e modificar os mesmos posteriormente mas fazer construções de raiz é necessário para que tudo fique de acordo com a nossa imaginação. Ainda assim é possível fazer o vosso castelo nas nuvens debaixo de um vulcão num oceano no meio do espaço, se estiverem dispostos a trabalhar para tal. Penso que os entusiastas de Lego não tenham qualquer problema com o trabalho exigido  e que facilmente conseguem por para trás das costas os problemas de que já falei e afinal de contas Lego Worlds é mesmo para vocês, entusiastas de Lego.

Agora vamos supor que estamos numa aventura, Lego Worlds não exige que derrotemos esqueletos com os nossos punhos, podem utilizar armas, como as incríveis bananas que me foram entregues a início e que são responsáveis por 90% dos homicídios que cometi no início da minha jornada. Com o passar do tempo vamos descobrindo novas armas e vamos ficando mais fortes. Nestes pequenos detalhes a essência de Lego a que a Traveller’s Tales nos acostumou está cá toda, o jogo até está localizado para a nossa língua mas a maioria das personagens tem apenas direito a balões de voz por texto. Com a exploração vai sendo possível personalizar a vossa personagem com o que vão encontrando e apesar de não existir um objectivo concreto entrar nestes mundos feitos totalmente de Lego pode ser incrivelmente recompensador para os verdadeiros fãs, para os restantes jogadores é uma vontade de exploração que se gasta depressa.

Graficamente Lego Worlds não impressiona à primeira vista e até o próprio campo de visão acaba por ser bastante curto tendo em conta o objectivo, mas quando percebemos que tudo é feito de peças de Lego não pude deixar de apreciar o trabalho desenvolvido. Ainda assim estranhei a duração dos loadings que incrivelmente são bastante longos.

Não existe nada que realmente faça um jogador ficar por muito tempo e é mesmo preciso ser um grande fã de Lego para aproveitar Lego Worlds ao máximo já que o jogo não é divertido se estivermos a jogar sozinhos. Aliás até acabei por jogar Lego Worlds acompanhado e o resultado foi o mesmo, o aborrecimento apoderou-se de nós em pouco mais de uma hora.

Este acaba por ser um daqueles jogos mais complicados de avaliar, o que me leva a segregar a minha opinião para dois tipos de consumidor. Se são fãs de Lego, jogos de construção e sobrevivência este poderá muito bem ser o vosso novo passatempo. Se se encontrarem de fora deste grupo então pela experiência que tive não consigo recomendar este jogo de todo, apesar de não existirem problemas graves de um ponto de vista técnico também não entrega nada que o faça destacar-se para além de um mundo feito de Lego. Assim este é um bom jogo para os amantes de Lego, mas apenas e só para essas pessoas. Nota-se que existia aqui uma boa ideia mas a sua execução deixa imenso a desejar.

Positivo

  • Tudo é feito de Lego
  • Cores vibrantes
  • Podemos construir o que quisermos
  • Possibilidades praticamente infinitas

Negativo

  • Facilmente se torna aborrecido
  • Loadings absurdamente longos
  • Ferramentas de construção não funcionam tão bem como poderiam
  • Bloqueio do modo de criação de mundos a início

Latest posts by Alexandre Barbosa (see all)
Share

You may also like...

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x