Análise – Daemon X Machina

Daemon X Machina é na sua base um jogo onde pilotamos robôs gigantes numa arena contra vários inimigos, podendo jogar em modo cooperativo com outros jogadores. O combate é sem dúvidas o ponto alto do jogo, sendo mais preciso, o controlar dos Arsenal, nome dado a estes robôs.

A história começa com uma explosão na Lua, o que acaba por contaminar a Terra com partículas de Femto, uma energia que corrompe os sistemas de Inteligência Artificial do planeta e que também permite a alguns humanos pilotar os Arsenal. Nós somos um desses pilotos e durante a história vamos dar de caras com vários outros pilotos que pertencem a outras facções de mercenários e que tão depressa estão do nosso lado como contra nós. As outras personagens são na sua esmagadora maioria representações de um ideal ou tipo de personagem, sem muito que se lhes diga. A história é contada em pequenas cinemáticas, paredes de texto ou diálogos durante as missões, e verdade seja dita, perdi o interesse de forma total durante a primeira hora de jogo.

A história é forçada sobre o jogador e não é interessante ou bem desenvolvida. Na sua maioria são diálogos entre personagens que servem para dar algum contexto ao que se está prestes a passar. Estes diálogos são frequentes, ocorrem antes, durante e após as missões, alguns interrompem a missão durante vários minutos, sendo que a maioria das missões nem chega a durar 10 minutos. A quantidade de personagens é quase absurda e não há razão para nos importarmos com as mesmas.

Em termos de aspecto é um jogo muito garrido, as personagens têm uma aparência saída de um anime assim como os Legion e no geral é uma apresentação agradável. Em termos de cenários, desde que não observem tudo ao pormenor, o aspecto geral é bastante positivo. Existe uma boa diversidade e derivado à imensidão e possibilidade de destruir alguns componentes do cenário é compreensível que existam vários elementos mais fracos à vista tendo em conta a plataforma em que o jogo se encontra, claro está.

Se falarmos apenas no controlo do Arsenal, este comporta-se muito bem, é bastante fácil de pilotar e existem mesmo algumas artimanhas que vamos apanhando com o tempo, mas quando conjugamos a jogabilidade com as missões disponíveis o caso muda completamente de figura, especialmente nas primeiras horas.

As missões são na sua maioria baseadas em matar X inimigos ou defender um local/objecto. Existem mais tipos de missões mas regra geral não variam muito. O que acaba por ser variado é o cenário que vamos explorar. Existem cenários verdejantes, cidades, bases secretas, desertos etc. Cada um deles tem uma atmosfera bastante única e apesar de não serem fantásticos, tendo em conta o tamanho da arena e o facto de não existirem problemas de performance no modo “doca” da Nintendo Switch, acaba por ser uma boa experiência a nível visual, ainda que o HUD esteja carregado de informação supérflua.

Se estiverem a jogar no modo portátil, existem alguns problemas de performance, apesar de não serem graves, sobretudo quando o jogo nos coloca em situações onde existe uma grande abundância de inimigos. Como já referi, existem vários tipos de missões mas o problema principal que encontrei com Daemon X Machina está no facto de não ser um jogo divertido no imediato e vou passar a fazer uma comparação com Monster Hunter.

Se falar em Monster Hunter, estou a falar de um jogo onde a repetição permite melhorar a personagem para enfrentarem monstros maiores e os outrora monstros praticamente intransponíveis pelas nossas espadas passam a ser o prato do dia. Em Daemon X Machina acontece o mesmo, não existe um sistema de níveis ou de experiência, existe sim um enorme leque de peças e armas para melhorar o nosso Arsenal, infelizmente o conteúdo onde vamos utilizar estas armas não justifica o tempo passado a recolhê-las. Existe ainda um sistema secundário que permite algumas melhorias mínimas através de skill trees que são permanentes e uma pequena loja de gelados que fornece um boost específico antes de cada missão se assim desejarem.

Existem várias missões, e como em praticamente todos os jogos, quando jogamos em formato cooperativo com amigos tudo fica mais divertido, mas aqui as ameaças que enfrentamos não estão desenhadas para tirar partido daquilo que deveria ser a força principal do jogo. As missões são extremamente curtas ou os inimigos absurdamente desequilibrados. Perdi a conta ao número de vezes em que fui obrigado a repetir missões em busca de melhores peças para enfrentar ameaças que acabam por não valer a pena. Há jogos em que a diversão acaba por compensar o trabalho, e mesmo esse trabalho é algo relativamente divertido, mas em Daemon X Machina é apenas trabalho sem recompensa até que se atinja um certo patamar no jogo.

Em Daemon X Machina não é possível repetir missões do modo história até que terminem este modo, o que significa que podemos apenas recorrer a missões do modo livre se tivermos dificuldades.

As primeiras horas com Daemon X Machina foram muito más. Mas eis que acontece aquele momento típico deste género de jogos que coloca quase tudo de mau para trás das costas e a diversão realmente começa. O único pequeno problema que vejo nisto foi o tempo que tive de despender para chegar a este ponto. Foram muitas horas de missões chatas para realmente conseguir tirar partido de Daemon X Machina e mesmo assim continuam a existir problemas.

Após a história aborrecida, e mesmo durante a segunda metade da mesma, vamos começar a utilizar as várias opções de criação e melhoramento de equipamento existentes no jogo para podermos concluir com sucesso as missões que o jogo nos coloca. E é nestas situações mais avançadas que o jogo começa a ser divertido. Quando começamos a ver verdadeiras mudanças no Arsenal e a forma espectacular como podemos destruir os Immortal (máquinas corrompidas). Assim que começamos a conseguir desenvolver peças mais avançadas os nosso Arsenal deixam de parecer frágeis e as várias combinações permitem construir Arsenals bastante robustos e dos quais nos podemos orgulhar.

Até agora falei sobretudo sobre as missões “normais”, mas agora vou dirigir-me a algo que deveria ser o ponto alto do jogo, os Bosses. Quer sejam outros pilotos ou Immortals, raramente representam um desafio de perícia, na sua esmagadora maioria são esponjas que repetem um padrão vezes e vezes sem conta. Em alguns casos têm direito a cenários únicos mas nem isso passa de uma pequena distracção. Alguns Immortals representaram bons desafios quando os enfrentei sozinho, mas assim que se junta um grupo a única questão é quem dará o golpe final.

Quero com isto dizer que para aqueles que se dedicarem a Daemon X Machina, a recompensa acabará por chegar, ainda que alguns problemas continuem, como o comportamento  de alguns inimigos ou a duração extremamente diminuta de grande parte das missões. Nestas fases mais tardias do jogo será normal quererem jogar com companhia e Daemon X Machina não apresentou problemas nas suas funcionalidades online, ainda que sejam básicas funcionam bem. Existe ainda a opção de o fazer localmente, mas não pude experimentar esta função. A minha única queixa aqui é mesmo o facto de nesta fase mais avançada sermos todos tão poderosos que os inimigos deixam de ser esponjas para passarem a ser um vaso chinês da dinastia Ming em queda livre, é uma questão de segundos até se partir em centenas de pedaços tal como os nossos inimigos.

No fundo Daemon X Machina é um jogo aborrecido nas suas primeiras horas e só para os resistentes é que poderá existir alguma diversão, se não têm muito tempo para dedicar a um jogo como este, Daemon X Machina não é para vocês. Este é aquele típico jogo ao qual regressamos de tempos a tempos se realmente gostarmos. Daemon  X Machina contém várias opções de personalização, permite combinações de armamento diversificadas mas no que toca ao jogo em si, deixa a desejar.

Ao contrário de outros jogos do género que são divertidos mesmo a início e que se vão tornando cada vez melhores, Daemon X Machina tem um início aborrecido e as melhorias tardias não invertem totalmente o sentimento de tempo perdido, pois mesmo no seu melhor não compensa todo o esforço necessário para lá chegar.

Positivo

  • Arsenal
  • Personalização
  • Aspecto geral
  • Co-op

Negativo

  • Missões muito curtas na sua generalidade
  • História interrompe a acção constantemente
  • Falta de um modo PVP no lançamento
  • Falta de conteúdo post-game
  • Mesmo quando temos o Arsenal dos nossos sonhos, não existe conteúdo para justificar o tempo que foi investido

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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