Análise – Crash Bandicoot N. Sane Trilogy

Crash Bandicoot é uma personagem bastante adorada e que teve uma trilogia de videojogos inicial bastante boa. Com o passar dos anos Crash, tal como alguns compatriotas da sua era acabou por cair no esquecimento, no entanto com a licença nas mãos da Activision e algumas vozes a pedirem por um novo jogo de Crash Bandicoot eis que nos chega um remake da trilogia original.

Aquilo que podem encontrar ao longo do jogo é exactamente aquilo que estava nos jogos originais da Playstation com algumas pequenas modificações em termos de jogabilidade e, claro está, várias melhorias visuais e musicais. Para quem jogou os originais, tem aqui uma boa dose de nostalgia, é bastante gratificante caminhar pela mesma estrutura dos níveis mas agora adaptados a uma nova geração. Para aqueles que não jogaram os originais, poderão vir a perguntar-se sobre o porquê de certos comportamentos de inimigos serem tão padronizados e estes ignorarem em grande parte a nossa presença, ou porque é que os níveis parecem ser corredores intermináveis. A essas pessoas tenho apenas que relembrar que este é um remake de uma trilogia idealizada em 1994 e com o primeiro jogo lançado em 1996.

Sendo Crash Bandicoot um jogo de plataformas, o conceito é bastante simples, ir de ponto A a B, sendo que pelo caminho existem vários perigos para serem ultrapassados. No caso de Crash, ele salta e rodopia. Com apenas estas duas acções o primeiro jogo da trilogia conseguirá testar a vossa habilidade e paciência por vezes, sendo sempre um jogo bastante divertido.

Desde o início vão reparar que até as cinemáticas estão um pouco diferentes mantendo a mesma história, todas as falas foram gravadas novamente para esta trilogia e alguns dos actores até regressam para refazer a mesma personagem. Não esperem que Crash Bandicoot seja um jogo fácil, alguns níveis são verdadeiramente complicados numa primeira abordagem mas através da repetição vamos-nos apercebendo de como ultrapassar os obstáculos e perigos. Crash Bandicoot mostra-nos primeiro como cada perigo funciona, por exemplo escadas retracteis, as primeiras que encontram têm uma pequena plataforma que impede que morram se forem apanhados de surpresa etc. cada perigo é nos apresentado de forma segura antes de se tornar um perigo mortal.

Em Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back é adicionada uma nova habilidade, o deslize. Esta nova habilidade vem adicionar algumas novas capacidades a Crash, não só agora consegue deslizar como pode utilizar o deslize ou o simples acto de se baixar para saltar mais alto. Foi também adicionado o body slam que é uma habilidade que Crash pode utilizar para esmagar inimigos e caixas, mesmo as reforçadas. De resto Crash Bandicoot 2 acaba por ser um jogo com um melhor estilo de progressão, sendo menos linear. Neste 2º capítulo podemos escolher 1 de 5 níveis e depois de completar os 5 temos um Boss e avançamos para um novo andar com outros 5 níveis para irmos escolhendo.

Crash Bandicoot Warped é o 3º jogo e aquele que traz mais mudanças à formula. Apesar de manter o sistema de escolha de níveis do 2º jogo, após derrotar o Boss de cada área irão ganhar uma nova habilidade. Assim a adicionar ao rodopio e ao deslize vamos ter também o duplo salto, um rodopio com uma maior duração e até uma Bazooka de Wumpa Fruits.

O jogo tem vários coleccionáveis no entanto aqueles que se mantém em toda a série são as Wumpa Fruits, juntem 100 frutas para uma vida extra, e acreditem, vão precisar. Depois se conseguirem destruir todas as caixas de um nível conseguirão um cristal, e se conseguirem passar um nível abaixo de um certo tempo irão ganhar uma relíquia. Em Crash 2 as coisas mudam um pouco e existem mais alguns cristais de cores especificas e ainda adicionam um Power Crystal em cada nível que tem de ser coleccionado obrigatoriamente. Em Crash Bandicoot Warped os coleccionáveis são os mesmos que existem em Crash 2.

Quando terminam um dos jogos pela primeira vez, podem pensar que o jogo terminou e não tem mais nada para oferecer, no entanto como já posso ter dado a entender, existem desafios extra para serem concluídos: quer seja concluírem todos os níveis partindo todas as caixas ou não partindo nenhuma caixa, completar os desafios de tempo existe ainda um longo caminho para concluir completamente todo o jogo. Se acharam o jogo base complicado esperem só a até terem que aprimorar as vossas habilidades ao máximo para concluir todos os desafios que o jogo vos propõe.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy conta ainda com um extra, em grande parte dos níveis poderão jogar também como Coco Bandicoot, a irmã de Crash. Esta personagem aparecia em apenas alguns níveis na trilogia original mas agora é possível jogar com ela em quase todos os níveis. Coco Bandicoot tem um sistema de controlos igual ao do irmão apenas conta com algumas animações um pouco diferentes.

Tendo jogado os originais posso dizer que fiquei satisfeito com o trabalho da Vicarious Visions, recriaram os jogos originais com gráficos actuais, mantendo o espírito divertido e desafiante de outrora, e apesar de alguns bugs ocasionais foi um trabalho muito bem feito. Algumas das animações que foram acrescentadas permitem uma melhor leitura do comportamento dos inimigos e como consequência é possível prever com mais alguma antecedência quando estes vão atacar. A frustração que me assombrou em alguns níveis de Crash Bandicoot Warped também está presente, nomeadamente os níveis de corridas de motas, quer sejam elas de água ou de estrada… Em suma é praticamente a mesma coisa que jogar os originais mas com uma nova roupagem.

Claro está que este é o ponto de vista de um jogador nostálgico, para quem não jogou os originais aquilo que vai encontrar é um jogo de plataformas bastante competente e divertido mas que irá parecer algo limitado, principalmente em termos de espaço. Como já referi é um jogo que nos coloca em grandes corredores na maior parte do tempo, ainda assim desconfio que a forma como tudo está organizado fará com que os novos jogadores nem reparem nisso, pois este é um jogo extremamente divertido tal e qual como está.

Algo bastante bom nesta trilogia foi a adição do auto-save, possibilidade de gravar a qualquer momento, desde que fora dos níveis e se por acaso quiserem visitar um outro jogo da trilogia podem fazê-lo a partir dos menus do jogo sem a necessidade de voltar ao menu da consola.

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy é um regresso estrondoso para uma mascote que tinha andado perdida, é certo que voltou com um recriar das suas origens mas este parece ter sido um passo necessário para nós nos lembrar-mos ao certo daquilo que tornou Crash Bandicoot tão adorado e consequentemente dar à Vicarious Visions um curso de como fazer bons jogos de Crash Bandicoot. Esperemos agora por um futuro risonho para Crash Bandicoot, pois Crash Bandicoot N. Sane Trilogy é um jogo que vale bastante a pena e que mostra como um jogo de plataformas pode muito bem manter-se fiel às suas origens e continuar a ser um bom jogo mesmo nos dias que correm.

 

Positivo

  • Visual bastante apelativo
  • Banda sonora foi alterada mas mantém a excelência dos originais
  • 3 Aventuras completas por um baixo preço
  • Extremamente divertido
  • Desafiante na medida certa
  • Controlar Crash está muito próximo aos jogos originais, o que é excelente
  • 30fps fixos

Negativo

  • Tendo em conta a consola em que está, a falta dos 60 fps pelo menos na versão PS4 Pro não faz sentido
  • Caixas de Nitro saltitantes (pode até nem ser um ponto negativo mas têm de estar aqui devido à sua natureza maléfica e saltitante)

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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