Análise – Assassin’s Creed Rogue

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Assassin’s Creed Rogue era o jogo que eu mais queria ver, não sabendo que o queria.

Para mim, foi uma surpresa mais do que agradável, começando pelo facto de me ter desligado por completo das notícias, e devo também agradecer a Unity por ter roubado o palco, Assassin’s Creed Rogue apresenta-se como uma verdadeira sequela e possivelmente fechou com chave de ouro a série na antiga geração.

Assassin’s Creed Rogue utiliza o mesmo modelo de Assassin’s Creed 4 Black Flag, somos Shay Cormac um assassino que é também capitão do seu próprio navio. A história do jogo leva-nos a trocar a irmandade de Assassinos para abraçar a ordem dos Templários. E é isto que traz novidades a algo estagnado. Jogar como um templário muda muito na mecânica do jogo.

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Agora temos de ter cuidado com emboscadas feitas pelos nossos antigos irmãos, ao jogado do outro lado da barricada, estes podem vir de qualquer lado, telhados, fardos de palha, arbustos, até casas de banho! Felizmente podemos utilizar os nossos sentidos bastante desenvolvidos para os detectar, para quem já jogou a vertente multiplayer dos antigos jogos da série, lembrar-se-á certamente da possibilidade de detectar jogadores inimigos com recurso à visão templária e a alguns sons que são reproduzidos quando existe um inimigo por perto. Aqui é isso mesmo que acontece, na minha opinião seria muito mais engraçado ter apenas o som como pista e procurar por eles sozinhos em vez de nos indicarem logo onde estão.

Foi bastante gratificante jogar Assassin’s Creed Rogue como um templário e notar que realmente existem diferenças. Algo que também está presente durante os combates navais são as abordagens. Não, não falo de abordar barcos inimigos, mas sim de sermos abordados pelos inimigos. Lembro-me bem de estar a navegar no mar do Norte sofrer uma abalroada e quando voltei a pegar no leme, os inimigos estavam em toda a parte! Devido a Icebergs no Atlântico Norte, e a paisagens amenas num outro local, a exploração naval deixou de ser monótona no que diz respeito ao ambiente ao contrário de Assassin’s Creed 4. É certo que para traz ficaram as ilhas paradisíacas, mas é de braços abertos que mergulho no mar do Norte, tal como um homem de barba rija!

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Desta vez, em Assassin’s Creed Rogue existem alguns esconderijos de assassinos/bandidos que controlam certas áreas de cidades, ou alguns campos em localizações mais pequenas e estratégicas no oceano. Voltam também os fortes que desta vez causam um maior desafio do que em Assassin’s Creed 4. Estes esconderijos estam muito bem estruturados e os objectivos para os conquistar variam entre eles, pode-nos ser pedido para destruir a bandeira e matar o general, ou destruir as reservas de pólvora do esconderijo.

Algo que notei enquanto templário, é que o dinheiro é muito mais abundante, embora recursos sejam um pouco mais complicados de arranjar. Dei por mim a tomar banhos iguais aos do Tio Patinhas ainda nem 6 horas de jogo tinha, o que me leva à longevidade. Assassin’s Creed Rogue faz algo brilhante, oferece-nos um caminho rápido e directo para as missões principais, fazendo com que a campanha principal possa durar meia dúzia de horas, mas para quem quiser fazer atividades secundárias e colecionar tudo, talvez 50 horas não bastem. No entanto também é verdade que existem muitas áreas no jogo que estão quase vazias de conteúdo, as poucas actividades que têm são os esconderijos e items para apanhar, mas missões nem vê-las.

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Um elemento que me apanhou de surpresa foram os eventos aleatórios e pré-programados. Certos pontos do jogo vão-nos surpreender e muitas vezes complicar-nos a vida. Existem plataformas que quebram e outras que cedem, é estranhamente agradável ser surpreendido por estes eventos que só nos trazem problemas. Ao contrário de AC4, o mar e a terra estão equilibrados, assim não é só em alto mar que os eventos aleatórios irão acontecer com tanta frequência. Desde pequenas guerras entre facções, até alguns animais selvagens menos felizes com a nossa presença. Em alto mar o jogo peca um pouco com o excesso de colecionáveis, é extremamente irritante estar a parar de 200 em 200 metros para apanhar um baú. Parece que estas pequenas ilhas que não servem para mais nada para além de uma rotunda aquática.

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Com tanto para fazer a história do jogo acaba por ser um misto entre o bom e o razoável, apesar de nunca chegar a ser uma história ao nível de Assassin’s Creed II, faz mais do que a sua parte no que toca a aconchegar a história interligada daquela que é a saga Americana. Para quem jogou estes, Assassin’s Creed Rogue é o fortalecer desta saga que começou muito mal com Assassin’s Creed III. Com eventos que antecedem a história de Assassin’s Creed III e explição das razões de muito daquilo que se passou, resta-me dizer que Assassin’s Creed III subiu uns pontinhos na minha apreciação, já que proporcionou aqueles que na minha opinião, são os melhores momentos da série desde Assassin’s Creed II. Apesar de ser uma história um pouco mais curta do que o normal, e certamente nada relevante para o desenvolvimento da narrativa principal da série, é uma das histórias que mais gostei.

Já no que toca ás secções do presente, estas têm lugar a seguir aos acontecimentos de Assassin’s Creed 4, e servem como desculpa para nos fornecerem detalhes sobre a história. Estes detalhes enriquecem o mundo de Assassin’s Creed e serão uma adição muito bem vinda para quem gostar da série. Além disso, algo que achei extremamente interessante, é o uso destas secções do presente como forma de aprofundar a história que presenciamos no Animus.

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Com uma jogabilidade muito similar a AC4, resta apenas dizer que se trata de um jogo na sua maioria fácil onde o desafio recai sobre os objetivos opcionais das missões. Algo que está em falta em Assassin’s Creed Rogue é o multiplayer. No entanto a sua ausência foi-me tão sentida que agradeço a hipótese de não ter que me sujeitar ao tormento de voltar a jogar o mesmo multiplayer que rapidamente se tornava aborrecido como nos títulos anteriores. Talvez lutas navais como formato multiplayer fossem bem-vindas e provavelmente algo que muitos de nós quereriam ver.

No entanto Assassin’s Creed Rogue sofre de um problema muito grande. Lembram-se quando disse que o jogo poderia ter uma duração de cerca de 50 horas? Mais de 50% desse tempo será um verdadeiro teste à paciência de cada um. Com um mundo tão grande para explorar seria de esperar que estivesse repleto de conteúdo, mas a verdade é que não há nada para além de coleccionáveis e missões reptitivas. Após o completar da história do jogo, Assassin’s Creed Rogue fica extremamente aborrecido, tendo apenas alguns pontos altos como as batalhas contra os barcos lendários. Com tanta água o sistema de viagem rápida deixa um pouco a desejar, já que muitas vezes temos que percorrer distâncias na ordem dos 1000 metros do ponto mais próximo até ao objectivo, ou seja o colecionável.

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Assim sendo, recomendo Assassin’s Creed Rogue como uma aventura curta mas repleta de emoções, os colecionáveis não justificam a exploração e o tempo necessário para os coleccionar, mas no global, consegue fechar em grande a trilogia americana.

Positivo

  • Jogar como um Templário
  • Batalhas Navais foram melhoradas e o novo sistema de abordagem é interessante
  • História ajuda a manter o jogador interessadopn-recomendado-ana
  • Emboscadas de assassinos por vezes causam verdadeiros problemas às nossas missões
  • Ver a história pelo lado dos Templários é interessante e revela alguns pontos que dão que pensar
  • Época bem retratada

Negativo

  • Demasiados coleccionáveis sem uma verdadeira recompensa
  • Poucos momentos interessantes após a história principal
  • Poucos pontos de viagem rápida, tendo em conta os objectivos
  • Por vezes existe o sentimento de “Too Much Water” após o fim da história e sem eventos a decorrer nas secções navais

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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