Análise – ARMS

ARMS é um daqueles jogos que custa a entranhar, mas poderá acabar por vos viciar durante algum tempo. Apesar de ser a mais recente IP da Nintendo, ARMS parece ter nascido na era da Wii, isto por utilizar um dos aspectos principais da consola em que está, e em simultâneo, uma pitada de Splatoon através da sua componente online.

Falemos então do primeiro contacto. Ao contrário do que se poderia esperar as personagens que compõem o leque de lutadores não têm grande destaque, nem sequer histórias, o mais próximo que vão chegar da personalidade das mesmas está nas animações, quer seja antes, durante ou após o combate. A inexistência de uma pequena história para cada uma, ou sequer uma motivação, é uma oportunidade perdida de criar aqui laços entre o jogador e o jogo, a única coisa que nos é transmitida é que estamos num torneio e queremos ganhar.

Depois de um pequeno tutorial vão sentir-se os maiores, o próprio jogo proporciona-vos os 2 primeiros níveis de dificuldade de forma excelente no Grand Prix, nunca chega a ser demasiado fácil para principiantes e até colocam algum desafio para a vossa evolução. Mas assim que sobem para a dificuldade 3 ou 4… é altura de se sentirem na mó de baixo. Aumentem a dificuldade para 4, isto numa escala de 1 a 7, e agora sim o jogo está pronto para vos fazer arrancar cabelos. Cada personagem tem habilidades únicas e cada tipo de braço consegue funcionar de maneiras muito distintas. Vão precisar de compreender cada movimento e avaliar constantemente a vossa prestação para conseguirem ter sucesso a partir deste nível de dificuldade. Sem dar muitos detalhes, posso dizer que foi aqui que comecei a perceber o funcionamento real do jogo, foi aqui que vi a “manha”de ARMS.

Algo bastante positivo deste modo para 1 ou 2 jogadores – sim, podem desfrutar do Grand Prix em Tag Team local – é mesmo o poder sair desse modo sem perder o nosso progresso, podemos sempre regressar a qualquer momento. E porque é que isto é bom? Pensem assim, um nabo como eu que ainda está a aprender a jogar e que fica frustrado com algumas derrotas e certos momentos, pode sempre ir espairecer de vez em quando sem perder o progresso.

Durante o Grand Prix também existem alguns combates com regras diferentes, ou neste caso modos distintos. Podem ter rondas de V-Ball (Volleyball), SkillShot (tiro ao alvo) ou até de Hoops (basket ball). Estes modos ajudam a quebrar a monotonia durante as 10 fases do torneio, contando também eles como uma das fases. V-Ball é uma espécie de Volleyball mas com uma variante explosiva, Skillshot é exactamente aquilo que estão a pensar mas com o adversário no lado oposto a fazer o mesmo que vocês, ou seja a acertar nos alvos, e finalmente Hoops que poderia ser chamado “enfia o outro jogador no cesto”.

Todos estes modos que referi estão também presentes no modo de jogo local, acrescentando ainda o Team Fight para até 4 jogadores e 1-on-100, modo em que temos de defrontar 100 inimigos de seguida. Depois temos o modo Party Match no qual podemos ir para lobbys online ao calhas e em que tudo é seleccionado por nós. A única coisa que realmente podemos fazer por nós no Party Match é escolher se queremos levar um amigo que esteja a jogar connosco localmente para o online. Aqui é escolhido um modo de entre os vários existentes, e existe até um modo que envolve trabalho em equipa. Dentro dos modos existentes podem também jogar com amigos online ou de forma local.

O modo Ranked funciona de forma um pouco diferente, se quiserem fazer lutas Rank têm que completar o Grand Prix em dificuldade 4 ou superior. Depois basta activar o modo e a qualquer momento podem ser desafiados para uma luta de rank.

Cada personagem começa com 3 tipos de braços únicos, no entanto existem muitos mais para desbloquear, para tal terão que competir num mini-jogo onde os prémios são braços extra. O custo de cada entrada para este mini-jogo, que acaba por ser uma versão alternativa de SkillShot, tem um tempo limite que depende do número de pontos gastos. Quantos mais gastarem, mais tempo de jogo terão. E sim, este é um daqueles jogos que aumenta o número de prémios consoante o tempo que já passou, premiando assim aqueles que têm paciência para juntar 200 pontos em vez de 40 que são o custo máximo e mínimo respectivamente.

Em termos de jogabilidade existem várias formas de desfrutar de ARMS. Começando pela forma primária, ou seja os motion controls, estes funcionam bem mas não são a forma mais cómoda de jogar. Ao segurarem um Joy-Con em cada mão, como se fossem dar um murro, terão também de utilizar os 2 gatilhos de cada joy-con para efectuar alguns truques. L efectua um deslize e R salta enquanto que o ZL ou ZR activa o ataque especial, o resto são movimentos. Da minha perspectiva é bastante estranho a início, especialmente os murros com efeito que têm uma curva de aprendizagem algo acentuada.

Se optarem pelos controlos mais clássicos, estes funcionam tal como seria de esperar. Enquanto que cada acção está à distância de um toque e de alguns movimentos um pouquinho mais rápidos, este método sacrifica bastante a direção em que lançamos os nossos murros. No fundo cada forma de jogar tem vantagens e desvantagens.

Como já referi, as várias personagens têm habilidades distintas e saber utilizá-las é o segredo de ARMS. Não se deixem enganar pelo aspecto cartoonesco: ARMS consegue ser bastante complexo. Como eu tentei jogar um pouco com cada personagem acabei por perceber o funcionamento geral de ARMS e até tenho duas personagens de que gosto realmente, no entanto – como não me especializei a fundo com nenhuma delas – acabei por encontrar alguns jogadores que me mostraram o que é estar no domínio de uma personagem. O que eu vi em alguns momentos foi verdadeiramente espectacular, e pouco a pouco lá vou melhorando com aquilo que vejo.

Quando estão em modos para apenas 1 jogador, ARMS corre a 60 fps e de forma bastante fluída, é um jogo verdadeiramente colorido e com um universo bastante próprio dentro do estilo cartoon. Quando jogamos com 2 jogadores na mesma consola a performance cai para metade, é possível jogar e desfrutar de ARMS mas o visual do jogo acaba por sofrer.

Musicalmente ARMS é composto por alguns temas bastante fortes que nos conseguem ficar na cabeça, como é o caso do tema principal do jogo e até a maioria das músicas que acompanha cada arena, mas não só. Desde os efeitos sonoros dos murros, aos saltos e até alguns efeitos como saltar em cima de Bark estão muito bem ajustados ao tema de ARMS.

Onde realmente começamos a notar que este é um jogo pensado pela Nintendo, está na forma como os modos online estão a ser geridos. Neste momento ainda não temos acesso à app prometida pela Nintendo que irá permitir falar com outros jogadores e por isso tenho que me limitar ao que está presente. Por isso vamos começar pela falta de chat, seja ele por via escrita ou sonora, pela falta de “Taunts” das personagens e até mesmo pela forma como mascaram o lag. Esta última chega a proporções épicas durante alguns combates, onde podemos ver com nitidez que agarramos alguém mas os nossos braços passam pelo adversário como se fossem ar…

ARMS acaba por ser um título bastante divertido mas com uma longevidade que irá depender muito do jogador. Em termos de conteúdo offline só vale realmente a pena com amigos, pois o Grand Prix é na verdade um modo desafiante para aperfeiçoarem as vossas capacidades. O valor de ARMS acaba por estar mesmo no Online. Os combates rápidos e frenéticos são a definição de ARMS, e estes só encontramos no modo online, pelo menos com a dose de pressão certa. Como um todo, ARMS poderia beneficiar com um pouco mais de conteúdo e com melhores ferramentas no que ao online diz respeito. Acaba por proporcionar momentos divertidos, mas sinto que lhe falta alguma magia Nintendo.

Positivo

  • Desafiante
  • Divertido com amigos
  • Várias formas de jogar
  • Personagens diversificados e únicos
  • Banda sonora bastante apelativa

Negativo

  • Alguns modos dão clara vantagem a algumas personagens
  • Curva de dificuldade algo acentuada
  • LAG no online é muito frustrante pela forma como este está mascarado
  • Não existe um tipo de jogar perfeito, todos têm vantagens e desvantagens
  • Conteúdo sem muita longevidade

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Gabriel Groscke

    “Não existe um tipo de jogar perfeito, todos têm vantagens e desvantagens”

    Isso seria um grande ponto positivo, não seria?

    • Emanoel Vitor Barbosa

      To aqui pensando a mesma cois