Análise: After Earth – Depois da Terra

 

M. Night Shyamalan foi amaldiçoado pela fúria divina. O promissor realizador ficou inchado como um peru com os sucessivos elogios em princípio de carreira (Shyamalan considerou-se o novo Steven Spielberg), e o pecado da soberba condicionou todos os predicados que apontavam o realizador indiano como um cineasta de referência do novo milénio.

M. Night Shyamalan impressionou o mundo do cinema com O Sexto Sentido, um thriller emotivo e profundo, enriquecido com um dos melhores twists da história do cinema. Os trabalhos que seguiram não corresponderam às expectativas levantadas pelo antecessor, títulos como The Happening e The Last Airbender carimbaram Night Shyamalan como: marca cinematográfica a evitar.

After Earth apresenta-se como o filme que M. Night Shyamalan precisa para restaurar algum prestígio e recuperar o caminho na consolidação da carreira. Num ano repleto de ficção-científica (OblivionStar Trek Into DarknessPacific RimMan of Steel), After Earth surge como mais uma aventura espacial, com o consagrado Will Smith e o promissor Jaden Smith a encarregarem-se das despesas do elenco.

A história da longa-metragem centra-se em Cypher Raige e Kitai Raige, pai e filho que estão encarregues de uma missão espacial. Contudo, um problema durante a viagem obriga a nave espacial a uma aterragem de emergência no Planeta Terra, um local inóspito e adaptado a uma nova realidade, um Planeta que não pode ser chamado de casa (desde o abandono da raça humana).

A realização de M. Night Shyamalan é arrepiante. O realizador convenceu-se de que os grandes planos são imprescindíveis para a narração cinematográfica e ignora o facto de que o efeito provoca desconforto no público. A intenção é transmitir emoção e permitir ao público interpretar as decisões do personagem, contudo, os grandes planos transmitem uma sensação claustrofóbica e viola a “bolha social” dos personagens. Além do mais, é esteticamente horrível e ostraciza a acção envolvente.

Mas nem tudo está errado em After Earth. Há momentos visuais realmente bons e um universo futurista criativo. A banda sonora é francamente boa e a edição só não faz melhor porque o texto não deixa. A direcção de fotografia é bastante competente e, quando resulta, os actores saem beneficiados.

After Earth é o patinho feio da jornada de ficção-científica de 2013 (ainda falta Elysium): a história é insonsa, sem nenhum acontecimento significativo; existe riqueza emocional, mas evapora nos personagens gelatinosos e sem tridimensionalidade; um nerd astrofísico poderá destruir as leis criadas na realidade de After Earth; a relação pai/filho podia ter evoluído com maior proximidade física; para um filme chamado After Earth, o planeta tem pouco para oferecer (o filme poderia chamar-se After Conxixina, seria a mesma história).

After Earth é um filme com demasiados lapsos. Além dos grandes planos, M. Night Shyamalan optou por enquadramentos com traquitanas em primeiro plano (sem quaisquer vantagens narrativas). As opções de M. Night Shyamalan são altamente discutíveis e os elementos que visam surpreender, ou marcar a diferença, resultam em momentos “WTF”, em vez de momentos “Uau”.

Positivo

  • Efeitos Visuais
  • Simplicidade da história
  • Fato de Jaden Smith
  • Cena na Cascata

 Negativo

  • Opções de realização
  • Kitai Raig é um choramingas
  • Valorização da emancipação social do protagonista
  • Pretensiosismo nos monólogos

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