Análise: Oblivion – Esquecido

Portugal é um dos países a estrear o novo filme do realizador Joseph Kosinski, responsável por TRON: Legacy. Oblivion é o primeiro filme de um ano repleto de ficção-científica, uma linhagem que conta ainda com Star Trek Into Darkness, Man of Steel, After Earth, Elysium, Pacific Rim e Ender’s Game.

Depois do feedback positivo de TRON: Legacy, eventualmente ofuscado pelo impacto visual do filme original em 1982, criou-se alguma expectativa em redor do novo filme de Joseph Kosinski, alimentada também pelo prestígio de ter sido equacionado para realizar o novo filme Star Wars. O realizador manteve-se no registo sci-fi e apostou num cenário apocalítico do Planeta Terra.

O personagem principal é Jack Harper, interpretado por Tom Cruise, dos poucos sobreviventes da raça humana que resistiram a uma invasão alienígena. A batalha pelo domínio da Terra foi vencida pelos Humanos mas tornou o Planeta inabitável, portanto, a missão de Jack Harper é garantir recursos energéticos e transportá-los para uma colónia espacial operada pelos restantes sobreviventes.

Jack tem a companhia de Victoria (interpretada por Andrea Riseborough), uma operacional que coordena as acções de Jack a partir da torre de controlo. O único obstáculo do sucesso da missão é a constante intromissão dos alienígenas que restam no Planeta. Mas nem tudo é o que parece.

O elenco conta ainda com Olga Kurylenko (interpreta Julia), que desempenha o interesse amoroso de Jack e permite ao protagonista descobrir a verdade. Há ainda a assinalar as participações de actores habituados às andanças dos Óscares, mais precisamente: Morgan Freeman e Melissa Leo. Destaque para as interpretações de Cruise e RiseboroughCruise está muito bem a interagir com o “pano verde” e a actriz britânica é favorecida pela simbiose da beleza natural e a envolvente sofisticada imaginada por Kosinski.

Tecnicamente o filme é fantástico, Joseph Kosinski privilegia as cores frias e contornos azulados, os enquadramentos e movimentos são rigorosos, os efeitos visuais roçam o orgânico, a banda-sonora é muito boa, autoria de Anthony Gonzalez (Chronicle), e o design de produção teve a sensibilidade de simular uma realidade apocalítica e tecnológica.

Oblivion desperta sentimentos híbridos. Se o visual preenche as medidas, fica a sensação que a história é inspirada em premissas já exploradas. O ponto de viragem é previsível e as intenções do vilão são genéricas. A resolução da história acaba por ser um tremendo bocejo, sem qualquer revelação psicológica ou aprendizagem do protagonista.

Oblivion fica limitado a “aperitivo” para os grandes títulos que estão a chegar. Há uma consideração em Hollywood que defende ser possível elaborar um mau filme de um bom guião, mas é impossível fazer um bom filme de um mau guião. Oblivion não é mau, mas claramente insuficiente, tendo em conta que os estragos foram suavizados pela fabulosa cinemática, fica a sensação que Joseph Kosinski pode fazer ainda melhor. Curiosamente, o guião original é de Joseph Kosinski. Infelizmente não consegui libertar-me da sensação que vi uma mistura de WALL EMatrix e 2001 Odisseia no Espaço.

Positivo

  • Realização
  • Andrea Riseborough
  • Efeitos Especiais
  • Simulações verossímeis de uma realidade apocalítica e tecnológica

 

Negativo

  • Previsibilidade
  • Subaproveitamento de Morgan Freeman
  • Ausência de química entre Tom Cruise e Olga Kurylenko
  • Moral da história pouco digna de um filme de ficção-científica
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